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O Cardeal Ratzinger sobre o Terceiro Segredo
15 anos atrás:

O Cardeal Ratzinger
sobre o Terceiro Segredo

Transcrito de “Le Troisième Secret” por Frère Michel de la Sainte Trinité

Em Novembro de 1984, apareceu numa revista italiana uma entrevista concedida em Agosto anterior pelo Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ao jornalista Vittorio Messori. Neste longo artigo, intitulado “Eis porque a Fé está em crise”, uma parte importante era dedicada a Fátima e ao Terceiro Segredo.1
Há alguns anos, esta entrevista do Cardeal ao jornalista italiano apareceu em livro,2 depois de ter sido alterada e revista a sua apresentação. As poucas páginas dedicadas ao Segredo de Fátima3 foram profundamente modificadas.
Nota do Editor: As passagens idênticas nas duas versões estão em itálico. As passagens na primeira versão que foram suprimidas na segunda estão em maiúsculas. Reproduzimos aqui apenas a versão de 11 de Novembro de 1984 das afirmações do Cardeal Ratzinger que foram publicadas — seguida pela análise que Frère Michel fez de ambas as versões.

VERSÃO DE NOVEMBRO DE 19844

NOSSA SENHORA COMO DEFESA DA FÉ. PORQUE É NECESSÁRIO VOLTARMO-NOS PARA MARIA.

“SIM, LI-O”
Novembro de 1984

A uma das quatro secções da Congregação cabe ocupar-se das aparições de Nossa Senhora.

«Cardeal Ratzinger, o Senhor Cardeal leu o chamado ‘Terceiro Segredo de Fátima’, que a Irmã Lúcia enviou ao Papa João XXIII e que este, não o querendo revelar, ordenou que fosse depositado nos arquivos [do Vaticano]?»

«Sim, li-o.»

PORQUE É QUE O SEGREDO NÃO FOI REVELADO?

«Porque não foi, então, revelado?»

1. «NÃO ACRESCENTARIA NADA»

«Porque, de acordo com a apreciação dos Papas, não acrescenta nada de novo àquilo que cada Cristão deve saber com respeito à Revelação: uma chamada radical à conversão; a absoluta seriedade da História; OS PERIGOS QUE AMEAÇAM A FÉ E A VIDA DO CRISTÃO, E, CONSEQUENTEMENTE, DO MUNDO. E, TAMBÉM, A IMPORTÂNCIA DOS ‘NOVÍSSIMOS’.»

2. O PERIGO DO «SENSACIONALISMO»

«Se [o Segredo] não foi tornado público — pelo menos por agora — foi para impedir que a PROFECIA RELIGIOSA viesse a descambar no sensacionalismo. MAS O CONTEÚDO DESTE ‘TERCEIRO SEGREDO’ CORRESPONDE AO QUE É ANUNCIADO NAS SAGRADAS ESCRITURAS e que tem sido dito, muitas vezes, em várias outras aparições marianas, a começar por esta, de Fátima, no seu conteúdo já conhecido. Conversão e penitência são condições essenciais para a salvação

I. As razões para a não-divulgação:
Dois pretextos inconsistentes

«Porque é que o Terceiro Segredo não foi revelado?» A resposta do Cardeal a esta pergunta não variou — e é um desapontamento. Com efeito, o Cardeal Ratzinger dá-nos duas razões para esta não-divulgação, e tanto uma como a outra são insignificantes. Ainda por cima, são contraditórias.

Um Segredo que não nos diria nada

«O Santo Padre acha (trata-se aqui da opinião pessoal de João Paulo II, expressa pelo Cardeal) que não acrescenta nada de novo àquilo que cada Cristão deve saber com respeito à Revelação, e também ao que se sabe do conteúdo das aparições marianas aprovadas pela Igreja, que apenas reconfirmaram a urgência da penitência, conversão, perdão, jejum.»

É incrível! O Segredo final de Nossa Senhora de Fátima não nos diria nada que nós já não soubéssemos . . . E é esta a razão para os Papas obstinadamente se recusarem a revelá-lo em quase trinta anos? Então a mensagem da Santíssima Virgem, que, segundo a Sua vontade expressa, devia ter sido revelada em 1960, será inútil e supérflua, ao contrário do resto da mensagem, que é, sem margem de dúvida, significativo e urgente?

É impensável, e ficamos espantados ao ver um Cardeal da Santa Igreja ousar apresentar uma argumentação tão improvável em nome do Papa. A não ser que o Cardeal apenas quisesse dizer que «as coisas contidas neste Terceiro Segredo» «correspondem», estão em harmonia, em perfeita coerência com os elementos da Revelação e com as mensagens de outras aparições marianas autênticas. Mas neste caso, há mais uma razão, e bem poderosa, para que os fiéis o conheçam!

O perigo do sensacionalismo

«Para evitar confundir profecia religiosa com sensacionalismo», para evitar «o perigo do sensacionalismo, da exploração do conteúdo» — eis o segundo motivo para justificar a não-revelação do Segredo!

Desta vez, a argumentação é completamente incrível. O nosso Padre [Abbé de Nantes] sublinhou o facto na sua “Carta Aberta ao Cardeal Ratzinger”, em Janeiro de 1985: «Como é que uma “profecia religiosa”, sem cor, odor ou sabor particular, pode levar ao “sensacionalismo”? E se este Segredo não traz nada de novo, por que razão foi ocultado nos últimos trinta e cinco anos? Se é do Céu, como é que pode ser inconsistente, ou inútil, ou inoportuno?! Porque é que adoptaram a posição indefensável — e, a longo prazo, a posição inaceitável, escandalosa e criminosa! — de, manhosamente, no-la recusar, de querer que caia no esquecimento do mundo, e ainda por cima depois do sinal recente de 13 de Maio de 1981! E novamente durante a peregrinação a Fátima em 13 de Maio de 1982? Não será porque este Terceiro Segredo comporta, em vinte linhas de um pequeno caderno de apontamentos, uma condenação e anulação de tudo o que tem acontecido na Igreja desde 1960 . . .?

«Insignificante, este Segredo vindo do Céu? Ora vamos! Sensacional é um termo pejorativo, e não é o mais apropriado. “Apocalíptico” é o único termo justo. Sabemo-lo de boa fonte: revela a parte do Apocalipse que deve acontecer no nosso tempo.»5

Sim, é certo: porque a grande profecia de Fátima anuncia não só a crise da Fé que começou em 1960, mas também as deficiências dos membros mais importantes da hierarquia, e porque denuncia — de maneira mais ou menos explícita, mas com suficiente clareza — as “grandes orientações conciliares” que abriram a Igreja à apostasia enquanto os Papas quiserem continuar a governar a Igreja no espírito do Concílio — exaltando a liberdade religiosa, heresia abominável, o ecumenismo, os ideais de 1789 e o culto do Homem —, eles nunca poderão revelar ao mundo as palavras da Rainha do Céu, que os condenam.

As modificações introduzidas pelo Cardeal Joseph Ratzinger à primeira versão da sua entrevista são, neste ponto preciso, altamente significativas.

II. O conteúdo do Terceiro
Segredo: a Verdade atraiçoada

De facto, em Novembro de 1984, certamente ainda impressionado pela leitura do Segredo, o Cardeal Ratzinger, ao mesmo tempo que tentava — de forma bastante desajeitada! — justificar a não-revelação, deu ao mesmo tempo uma ideia de verdades importantes a respeito do seu conteúdo. Já dissemos que, enquanto explicava que, «de acordo com a apreciação dos Papas, [o Terceiro Segredo] não acrescenta nada de novo àquilo que cada Cristão deve saber com respeito à Revelação», indicou quatro temas importantes desta Revelação, que também pertencem à Mensagem de Fátima. Mas nesta enumeração, qualquer leitor bem informado pode discernir facilmente o que corresponde à mensagem já conhecida: «uma chamada radical à conversão», que é a essência da mensagem pública, e igualmente do Primeiro Segredo; «a absoluta seriedade da História», que é o conteúdo do Segundo Segredo; e finalmente, o que exprime sem dúvida os temas essenciais e específicos do Terceiro Segredo: «Os perigos que ameaçam a fé e a vida do Cristão, e, consequentemente, do mundo. E, também, a importância dos ‘Novíssimos’.» Mais adiante, o Cardeal apontou mais outro elemento positivo do último Segredo: «Mas o conteúdo deste ‘Terceiro Segredo’ corresponde ao que é anunciado nas Sagradas Escrituras . . .» Já antes, referindo-se ao Segredo, empregara a expressão «profecia religiosa». Estava a dizer-nos que se trata realmente de uma profecia — o que sabemos por outras vias — e que corresponde às das Sagradas Escrituras.

Embora agrupados numa enumeração que pode parecer banal, vários temas importantes do Terceiro Segredo foram assim mencionados explicitamente pelo Cardeal.

Ora se tornarmos a ler a “versão aumentada”, o Cardeal apagou cuidadosamente — e com certeza não foi por falta de espaço! — aqueles poucos elementos precisos que nos informavam sobre o verdadeiro conteúdo do Segredo: «Os perigos que ameaçam a fé» . . . desapareceram. «A importância dos ‘Novíssimos’» também desapareceu. A concordância das profecias do Terceiro Segredo com as das Sagradas Escrituras já não é mencionada.

Mas, acima de tudo, o Cardeal houve por bem modificar, do princípio ao fim, o contexto em que falou sobre Fátima. É como se, num primeiro movimento de franqueza e lealdade, já tivesse dito de mais, infringindo a lei do silêncio — para não dizer dissimulação e mentira — que os Papas impuseram a Roma desde 1960, em relação a este terrível Segredo que lhes queima as mãos.

Seis meses antes, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tinha-se referido à questão do Terceiro Segredo, num artigo intitulado «Eis porque a Fé está em crise». A secção dedicada ao Segredo tinha este duplo título: «Nossa Senhora como Defesa da Fé. Porque é necessário voltarmo-nos para Maria.» E começou assim:

«Se o discurso sobre Maria foi sempre essencial à Fé Cristã, hoje é indispensável e urgente, talvez mais do que em qualquer outro período da história da Igreja. No início do Concílio (admitiu o Cardeal Ratzinger), eu não compreendia certas fórmulas antigas, como, por exemplo, “Maria é inimiga de todas as heresias”. Outras, como de Maria, numquam satis (sobre Maria, nunca se pode dizer o bastante) pareciam-me excessivas. À medida que a situação mudava durante o Concílio, e depois, e à medida que estudava mais profundamente este tema, tive de mudar de opinião...»

O nosso Padre comentou, na sua Carta Aberta ao Cardeal:

«Palavras espantosas, que em seguida Vossa Eminência justificaria luminosamente. Todos os grandes dogmas da nossa Fé estão tão intimamente ligados às glórias e privilégios de Maria que acreditar nestes é evitar todo o erro naqueles. Os dois dogmas mais antigos, a Virgindade Perpétua e a Maternidade Divina de Maria, tais como os dois mais recentes, a Imaculada Conceição e a Assunção, praticamente garantem a fé em Jesus, o Homem-Deus, e conservam os privilégios do Pai Todo Poderoso, Que pode intervir na própria matéria, etc. Reconhecem-se as preocupações actuais de Vossa Eminência em relação à Fé: levaram-no a considerar a fé em Maria simplesmente como a defesa da Fé. Como é, de facto!
«Vossa Eminência também considera favoravelmente a devoção mariana, se for correcta, de modo a garantir para a Fé a sua dimensão do coração, usando “coração” no sentido que Pascal lhe dava. Isto reconcilia a razão com o sentimento. E também, acrescenta Vossa Eminência, corresponde às expectativas das mulheres modernas, confrontadas com um certo feminismo, mostrando-lhes a dimensão feminina da sua profunda natureza, iluminada e singularmente valorizada pela Virgindade e Maternidade de Maria.
«Os verdadeiros devotos de Nossa Senhora acharão estas considerações teológicas um pouco secas. Não terão razão em as considerar supérfluas.»6

Neste contexto, onde se trata, acima de tudo, de uma questão de Fé, evoca-se Fátima. E a Santíssima Virgem foi proposta — exactamente na linha do Terceiro Segredo, acrescentemos — como o remédio para a presente crise da Fé.

É curioso, muito curioso, ver como, na nova versão, trata-se de Fátima no capítulo intitulado: «Mulheres, Uma Mulher».7 A Santíssima Virgem é agora apresentada como remédio . . . para os problemas das mulheres! Trata-se da ordenação das mulheres, da «“banalização” do sexo», do “feminismo no convento” e das Irmãs que agora vão ao psicanalista em vez de se confessarem, da queda vertiginosa das vocações religiosas femininas, do aggiornamento da vida religiosa, e chegamos, por fim, a . . . «Um remédio: Maria».8 Nesta altura, o Cardeal expõe «seis razões para não esquecer», antes de chegar, finalmente, às três páginas sobre Fátima. Estas páginas são colocadas sob um título inócuo, que não dá margem para qualquer interpretação «sensacionalista»: «Fátima e o seu meio».

Há aqui, pelo menos, uma mudança de perspectiva, e deu-se à primeira exposição uma série de retoques. Adivinha-se facilmente a razão oculta, deplorando-a ao mesmo tempo . . .

O Cardeal falou de mais!

Não há dúvida que a interpretação óbvia das declarações originais do Cardeal não foi muito apreciada em Roma, o que foi claramente expresso pelo nosso Padre na “Carta Aberta” que dirigiu ao Cardeal Ratzinger em Janeiro de 1985:

«Estamos imensamente gratos a Vossa Eminência por ter sido o primeiro a revelar-nos con franchezza — pelo menos até onde a reserva exigida pelo seu alto cargo, que o obriga a guardá-las, lhe permite — estas coisas que sempre nos foram ocultadas. E até depois do Padre Alonso (e nós, por nossa parte) as ter adivinhado, descoberto e publicado, continuaram a ser obstinadamente negadas e postas de lado! Portanto, este Segredo existe, Vossa Eminência leu-o, os Papas entenderam que não trazia nada de novo, e Vossa Eminência repete esta opinião sem a fazer sua.
«E enquanto éramos iludidos sobre o seu conteúdo, Vossa Eminência encontrou palavras tão precisas e colocadas em tal sequência que, para os especialistas, foi como se quisesse dizer-lhes que não se tinham enganado. O Padre Alonso tinha razão, nós temos razão: o Segredo não está “estritamente reservado ao Santo Padre” (Declaração do Cardeal Ottaviani, 11 de Fevereiro de 1967), não se refere apenas a Portugal (a tese do Padre Geraldes Freire)... Vou dizê-lo claramente: “Está a esgotar-se o tempo; se não nos convertermos depressa, cairemos na apostasia e morreremos em castigos terríveis, que se encontram entre os cataclismos, guerras, fomes e perseguições que os Livros Santos anunciam para a chegada do Tempo do Fim.”»
«Aqui está uma notícia de interesse prodigioso, dada pela primeira vez por uma pessoa de autoridade. Vossa Eminência leu o Segredo final, o único Segredo que, presentemente, tem uma importância absoluta e vital para a Igreja e para todo o mundo, implicando simultaneamente a salvação temporal e eterna de todos. Tenho a certeza de que foi a leitura deste extraordinário Segredo que mudou a maneira como Vossa Eminência encara o estado da Igreja e do mundo, e lhe deu a força de alma para dar este grande grito de alarme, este dossier sobre a crise da Fé...»
«Continuando as suas revelações, Vossa Eminência diz: “Se não foi tornado público, pelo menos por agora” (almeno per ora. Oh, como esta frase fraz bater os nossos corações com uma esperança maravilhosa!) . . .
«E, assim, estamos a dirigir-nos para a altura da sua indispensável revelação ao mundo. Vossa Eminência está intimamente persuadido disso, não está? Este Segredo, vindo do Céu, deve ser revelado como um derradeiro acto de misericórdia, uma derradeira oração, para que os homens se convertam!»9

Mas não! Seis meses mais tarde, Roma fechou de novo a porta — inexoravelmente — a esta grande esperança. É necessário continuar calado, dissimular, até mesmo mentir — mas não se pode permitir que os Fiéis adivinhem as palavras da sua Mãe Celestial, palavras essas que não concordam, de modo nenhum, com a nova linguagem que os Papas e Bispos reformadores usam há mais de trinta anos!

Ai de nós! Parece que tudo o que o Cardeal — cujo dever principal que lhe foi atribuído é precisamente a defesa da Fé — decidiu acrescentar, no seu livro, à sua exposição anterior sobre Fátima tem apenas um fim: confundir, enganar os seus leitores sobre o conteúdo autêntico do Terceiro Segredo, e distrair a sua atenção para longe da profecia que trata precisamente da perda da Fé, que era o seu dever remediar!

NOTAS:

  1. “Ecco perché la fede è in crisi”, na revista Jesus, p. 79.


  2. The Ratzinger Report, Ignatius Press, 1985.


  3. Ibid., p. 109-111, 118.


  4. Os subtítulos ao centro são da nossa responsabilidade.


  5. CRC 207, Janeiro de 1985, p. 12.


  6. CRC 207, Janeiro de 1985, p. 11-12.


  7. The Ratzinger Report, p. 93.


  8. Ibid., p. 104.


  9. CRC 207, Janeiro de 1985, p. 12.



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