-Por que razão é esta a última oportunidade para a Paz mundial?

pelo Padre Nicholas Gruner, S.T.L., S.T.D. (Cand.)

Têm-me perguntado: “Por que é que esta é a última oportunidade para a Paz mundial?”

O Padre Paul Kramer, na palestra que fez há dois dias, falou de profecias de que ele é o primeiro a dizer que não se sabe quando acontecerão. Todavia, juntando as profecias dos Santos aos acontecimentos mundiais de hoje, ele especula que podemos estar a caminhar para a III Guerra Mundial já em 2008.

O cenário que entende para tanto seria que o actual Papa, Bento XVI, reconheceria antes de morrer que a Consagração ainda não fora feita e que, segundo as profecias, poderá ser ele próprio a divulgar todo o conteúdo do Terceiro Segredo.

Frère Michel, autor da trilogia Toda a verdade sobre Fátima, indicou que, antes de o Papa poder fazer a Consagração da Rússia, o Vaticano deve reparar os estragos que resultaram de não divulgar todo o Terceiro Segredo em 1960. Chegou a essa conclusão em 1985. E o facto de o Vaticano ter divulgado parte do Segredo no ano 2000 não serviu de nada. Não, o Vaticano deve divulgar o texto do Terceiro Segredo com as proprias palavras de Nossa Senhora. Não apenas parte, mas todo o texto.

Quando o público conhecer todo o Terceiro Segredo, o Papa quererá então fazer a Consagração da Rússia, mas pode já não ter tempo. Pode ter de se esconder, como S. Pio X profetizou.

E há o receio de que ele irá sofrer e ser executado como um vulgar criminoso, como aconteceu ao Rei de França [Luís XVI] e tal como Jesus avisou em Rianjo, ao dizer: “Participa aos Meus ministros que, dado seguirem o exemplo do Rei de França na demora em executar o Meu mandato, tal como a ele aconteceu, assim o seguirão na aflição. Nunca será tarde para recorrer a Jesus e a Maria”.

Temos boas razões para recear pela segurança do Papa e dos bispos. Na visão que o Vaticano divulgou em 26 de Junho de 2000, vê-se o Papa a ser atacado e morto com balas e setas, juntamente com muitos bispos, sacerdotes e religiosos.

Portanto, embora eu não tenha o dom da profecia, quando dizemos que esta é “A última oportunidade para a paz mundial”, creio que podemos dizer, seguindo todas as profecias dos Santos, as Escrituras e os acontecimentos que ocorreram no mundo, que esta visão se torna perigosamente próxima do Papa, dos bispos, do clero, dos religiosos e de toda a humanidade.

É verdade que, finalmente, a Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria triunfará. Como Ela própria disse: “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará; por fim, o Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia; por fim, a Rússia converter-se-á; por fim, será concedido ao mundo algum tempo de paz”.

Portanto, sabemos que a vitória está próxima. É por isso que trabalhamos tantas horas. O meu pessoal e eu esforçamo-nos quase para além dos nossos limites: Devemos fazer tudo o que pudermos enquanto há tempo.

Resta-nos muito, muito pouco tempo. Os sinais estão bem visíveis – não só nas vozes da profecia, como também no mundo secular e nas áreas militar, diplomática e legislativa.

Apesar de todo este panorama, a Mensagem de Fátima é uma Mensagem de Esperança! Não é de desespero. Assim, põe-se uma pergunta:

-Que podemos nós fazer?

Cada um de nós pode fazer qualquer coisa. Há demasiadas pessoas que pensam que não podem fazer nada, e, portanto, nada fazem. Esta é a resposta errada àquilo com que nos defrontamos. Todos nós podemos fazer alguma coisa. Depende de nós e de mais ninguém!

Há quem rejeite a Mensagem de Fátima e diga: “Não vou obedecer: nem acredito nela, nem a compreendo e também não quero”. É certo que a maior parte dos que estamos presentes nesta sala reconhecemos que a Mensagem de Fátima vem da Bem-Aventurada Virgem Maria, é endossada por Deus e aprovada por todos os Papas desde 1922.

A Mensagem de Fátima oferece a solução para os problemas do mundo, sejam eles na Palestina ou no Líbano, na corrida aos armamentos em África, no Afeganistão, no Iraque, no Irão, no Paquistão, na Índia ou noutros lugares do mundo – e, sem dúvida, na Coreia do Norte, que é o caso mais recente.

A resposta não é ter mais força, mais armas para matar mais gente antes que nos matem. Essa não é a resposta.

A resposta é, antes, procurar a conversão dos corações ao reino de Cristo, à paz de Cristo, e trabalhar para isso; em primeiro lugar, nos nossos corações, nos nossos lares, nas nossas cidades, nos nossos países, e entre as nações e os povos.

A única maneira de alcançar a conversão é pela Graça de Deus. A única maneira de conseguir a conversão de todas as nações é através da Mensagem de Fátima. É um plano muito simples e muito profundo. E, depois de reflectirmos sobre a Mensagem de Fátima, temos a certeza de que nada mais dará resultado.

É importante compreendermos que não estamos aqui para promover o Fatima Center, nem o Padre Gruner, nem esta ou aquela revista ou livro, mas – pura e simplesmente – para promovermos a Mensagem de Nossa Senhora de Fátima.

Fátima deve ter um lugar central nas nossas vidas

Cada um de nós tem o poder de fazer muito. Podemos fazer muito mais se fizermos de Fátima o ponto fulcral das nossas vidas. Deus e Nossa Senhora podem pôr-nos nas mãos os meios para o fazermos, para alcançarmos a Consagração e a conversão da Rússia e a paz no mundo.

O demónio é hábil em confundir as pessoas e em pôr-lhes obstáculos no seu espírito: “Quem sou eu, e o que é eu próprio posso fazer?” “Não posso fazer nada.” – como disse a Madre Superiora em Pontevedra.

Cada um de nós poderia dizer o mesmo: “Não há nada que possamos fazer!”

Pela Graça de Deus... Podemos fazer alguma coisa

Com a ajuda de Jesus, podemos fazer tudo (como Nosso Senhor disse à Irmã Lúcia, a respeito da sua Superiora).

Compete-nos a nós fazer o que estiver ao nosso alcance. Ao menos nos nossos corações, e, como esperamos, até publicamente, aqui e hoje, digamos à Virgem Santíssima: “Não mais vos entristecerei por não fazer nada, por não levar em conta aquela Mensagem que Vós nos destes com tanto amor, com tanto interesse no nosso bem”.

Na verdade, a Nossa Mãe Santíssima nunca procura nada para Si, embora o Seu Filho A queira ver honrada. O Seu Filho quer vê-l’A honrada e obedecida – para honra de Deus e para a Salvação das Almas, e para a paz no mundo.

Compete-nos a nós fazer uma promessa pessoal a Nossa Senhora:

“É verdade, sim: eu sou realmente inútil. É verdade que não posso fazer muito. Não tenho grande influência, mas quero fazer a parte que me derdes. Pelo menos, aceitarei quaisquer dificuldades, quaisquer problemas que encontrar em transmitir esta Mensagem e em viver pessoalmente esta Mensagem”.

Isto é tudo o que Ela nos pede. Ela só nos pede que demos os nossos corações, que Lhe demos a nossa inteligência para tentarmos compreender qual é a Sua vontade e, depois, que o façamos o melhor que pudermos.

Ela sabe que não o faremos muito bem… mas devemos continuar a persistir, a perseverar em tornar conhecida e apreciada a Sua Mensagem.

Já ouvi centenas, talvez milhares de rejeições da Sua Mensagem urgente. Mas, na realidade, quando examinamos as objecções tão mal fundamentadas, elas desaparecem no nada. Assim como a cera derrete perante o fogo, assim a oposição do demónio desaparece perante a face de Deus.

Tudo o que a Virgem Maria está realmente a pedir-nos é que digamos:

       
  “Creio em Vós,
  Vós que nos destes a Mensagem,
  Vós que fizestes o Milagre do Sol,
  Vós que conseguistes a conversão de dezenas de milhar de pessoas,
  Vós que nos destes um sinal para sabermos que esta Mensagem vem de Deus, que esta Mensagem é verdadeira.
  Nela creio e cumprirei a minha parte, seja pequena ou grande: a escolha pertence-Vos.
  Farei o que Vós esperardes que eu faça.
  Eu, como sacerdote (ou eu, como bispo), cumprirei a minha parte. Falarei com os meus irmãos no sacerdócio acerca da Vossa Mensagem.
  Falarei com os meus irmãos no episcopado, e explicar-lha-ei.
  Se me deparar com perguntas ou objecções a que não possa responder, contactarei com o Fatima Center para obter as suas respostas devidamente fundamentadas.
  Farei o que for necessário para difundir a Vossa Mensagem.
  Se me for impossível superar algumas dificuldades, pelo menos saberei que fiz tudo o que podia.
  Se não tentar fazer o que puder, nunca saberei tudo o que posso fazer.
  Tudo farei. E este é o meu compromisso pessoal a Vós, Santa Mãe de Deus.”

Nossa Senhora espera a vossa Consagração

É isto, na realidade, o que Nossa Senhora está a pedir de cada um de nós, em especial dos sacerdotes e dos bispos. Isto é, Ela quer que vos consagreis e vos dediqueis ao Seu amável e doce Coração Imaculado. É isto o que a Santíssima Virgem quer de vós: o vosso coração.

Precisamos do vosso compromisso, da vossa promessa, não a mim, mas à Santíssima Virgem, de que fareis tudo o que estiver ao vosso alcance.

Cada um de nós, individualmente, não o podemos fazer, mas pelo menos podemos dizer a outros, que por sua vez dirão a outros mais. Este movimento é, na verdade, um movimento de graça do coração da Santíssima Virgem: Ela quer servir-se de nós. Ela poderia fazer tudo por Si só, mas Deus quer usar outras pessoas para que cumpram a sua parte.

Por isso, não penseis que sois demasiado pequenos ou pouco importantes, lá nalguma parte ou canto do mundo. Que interessa se eu sou de Madagáscar ou da África do Sul, da Índia ou do Canadá, dos Estados Unidos ou de outro país qualquer? Todos nós somos realmente muito pequenos, considerados à escala mundial; mas todos nós, juntos, podemos falar uns com os outros, podemos marcar presença, podemos fazer um grande movimento para prestar atenção à Mensagem de Fátima, para colocar Fátima na agenda da Igreja, na agenda do mundo.

Conhece-a, ama-a, transmite-a

Em última análise, é dos que ouviram a Mensagem que depende transmiti-la a outros. Depende dos que ouviram a Mensagem tomá-la a peito; depende dos que ouviram a Mensagem, saber mais sobre ela.

Foi em 1965 que eu ouvi, pela primeira vez, as palavras de Nossa Senhora:

“Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia converter-se-á e haverá paz. Se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

Pensei comigo mesmo: -Bem, temos de descobrir que pedidos são estes, o que é que a Senhora nos está a pedir. É, evidentemente, algo muito importante.

Ou temos a aniquilação de nações ou a paz no mundo. Temos um aviso sobre a perseguição à Igreja e a perseguição ao Santo Padre – que podemos fazer? E a minha primeira tarefa foi compreender o que é que a Senhora pedia.

E à medida que comecei a saber mais sobre a Mensagem de Fátima, ouvi também as objecções. Ouvi pessoas a dizer: “Bem, sabe, isso não interessa.” Lembro-me de que estava eu em Montreal, onde nasci, e queria pôr esta declaração de Nossa Senhora nos autocarros. Eu era professor numa das escolas secundárias, e disse isto à agência de publicidade que alugava o espaço nos autocarros. Não tardou que um fulano judeu fosse ver-me à escola para me dizer: “Certamente não é isso que quer pôr lá. Pode antes pôr os Dez Mandamentos de Moisés e dizer que isso é o que Deus quer. Isso sim, é que seria uma boa coisa!”

Eu era um pouco ingénuo nessa época e aceitei a objecção dele; e nunca fiz nada. É uma das promessas a Nossa Senhora que ainda Lhe devo – que hei-de pôr as Suas palavras de Fátima nos autocarros de Montreal.

Fátima é a solução, e a Mensagem de Fátima inclui os Dez Mandamentos; mas é muito mais do que os Dez Mandamentos. É que Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Deus tem um plano

Deus tem um plano específico. Não tem um segundo plano, um plano de reserva. Tem um plano, um só plano. Não mudará de opinião. Deus tem um plano. Se seguirmos esse plano, teremos paz no mundo; se não seguirmos esse plano, nada mais dará resultado. Ora bem, se fosse eu a escrever esse plano, mesmo com toda a experiência que pudesse ter, poder-se-ia dizer que havia um plano melhor. Mas nós seríamos loucos se pensássemos que podíamos melhorar o plano de Deus.

Quanto mais depressa o reconhecermos, quanto mais depressa o aceitarmos, mais depressa trabalharemos para ele, mais depressa teremos paz, mais depressa teremos a salvação de milhões de almas.

Se tentarmos seguir o plano de Deus à nossa maneira, vamos atrasá-lo. Não duvido que haja alguns planos muito inteligentes e muito bem pensados, mas não são suficientes. O demónio é muito mais inteligente do que nós. A derrota do demónio foi reservada por Deus para a Santíssima Virgem.

Deus quer uma relação pessoal consigo

Nossa Senhora disse-nos, em toda a simplicidade, qual é o plano de Deus. Deus, que é um Deus muito pessoal – Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo –, quer também uma relação pessoal consigo: Ele e você. 

Mas também quer que exista uma relação pessoal entre si e a Santíssima Virgem, Sua Mãe e Mãe sua.

Toda a Mensagem de Fátima, quando bem considerada, é um pedido muito pessoal; feito não à humanidade, não ao mundo, mas a si, pessoalmente! E Deus quer que responda pessoalmente, não ao Padre Gruner, nem a qualquer outra pessoa; nem sequer ao Papa; mas, em última análise, à Santíssima Virgem e a Si próprio – Jesus – e, é claro, ao Pai e ao Espírito Santo.

É, pois, devotado a esta relação pessoal que Deus o quer. Em seguida, quer que acredite que foi Deus que lhe disse algo e que lho disse de modo específico, e que, no seu íntimo, O ouviu. 

Quer que reconheça as Suas palavras e que concorde com elas, por saber que o plano de Deus é o plano certo; e que faça tudo o que puder para implementar o Seu plano.

Esta dedicação, pura e simples, conduzi-lo-á a uma oportunidade imensa na sua vida pessoal, na sua vida paroquial, na sua diocese, no seu país, no mundo inteiro. Esta oportunidade, esta abertura a um novo mundo de possibilidades, é Nossa Senhora Quem lha dará. Talvez possa ser muito diferente do que pode agora imaginar ou esperar. Muito diferente, talvez, do que qualquer pessoa possa imaginar. Mas se prometer, se se dedicar e perseverar na difusão da Mensagem integral de Nossa Senhora de Fátima, se fizer o que quer que seja preciso para Lhe ser sempre fiel – então será reconhecido perante Deus e perante os homens como alguém que ajudou a salvar muitas almas – talvez mesmo MILHARES DE MILHÕES. A paz mundial será o legado que deixará aos seus entes queridos que vierem depois de si.

O número de almas salvas depende da cooperação com a Graça

Pio XII disse numa encíclica que o número de almas que se salvam depende da cooperação dos Católicos com a Graça. É um grande mistério e, a pesar disto, uma verdade. Se os Católicos obedecessem aos impulsos da Graça que lhes vêm, directa e pessoalmente, de Nosso Senhor; se os bispos, em particular, correspondessem, se os padres correspondessem, salvar-se-iam muitas almas. Se todos os Católicos obedecessem a estes impulsos da Graça, então o mundo inteiro se salvaria.

Ora se nós não o fizermos, estas almas perder-se-ão. Perdidas já devido aos seus proprios pecados, porém se nós formos fiéis à Graça, então as almas dos que nos foram confiados serão salvas, porque Deus dar-lhes-á a graça da conversão através das nossas orações e sacrifícios.

Se não correspondermos a essa Graça, as almas dos que nos foram confiados hão-de perder-se. Temos um exemplo disto mesmo na vida de Santa Teresa de Lisieux. Havia um criminoso que estava endurecido no seu ódio a Deus e aos homens e que não aceitava que um padre o ouvisse em confissão, apesar de ter sido condenado por assassínio e estar prestes a ser executado.

Santa Teresinha, que era nessa altura uma menina de 14 anos, rezou e fez sacrifícios pela conversão desse homem. Deus atendeu às suas orações e sacrifícios: pouco antes de ser executado, o criminoso pediu um padre e um Crucifixo, mostrando assim o seu arrependimento.

Como nos disse o próprio Concílio de Trento, não há pecado que não possa ser perdoado, a não ser o pecado da impenitência final, que é, sobretudo, contra o Espírito Santo.

Rezemos, pois, e ofereçamos sacrifícios pela conversão dos pecadores, como fazia a Jacinta de Fátima.

Talvez já tenham ouvido falar da grande santidade da Jacinta. Um dos melhores testemunhos da santidade da Jacinta veio do seu médico, o Dr. Lisboa. Ele operou-a e tirou-lhe duas costelas. Como não pudesse dar-lhe uma anestesia geral, não pôde adormecê-la para a operação. Tentou uma anestesia local que, por qualquer razão, não deu resultado; e assim a Jacinta sentiu todas as dores que ele lhe causava ao tirar as costelas. E nunca se queixou. O Dr. Lisboa disse que a ouviu falar; não era com o médico que falava, mas com Jesus, e dizia-Lhe:

“-Agora, Jesus, podeis salvar muitas almas, porque eu estou a sofrer muito.”

(Pode ler mais sobre a santidade da Jacinta e do Francisco na página 22 deste número da Crusader).

A Jacinta aceitou este sofrimento, porque Nossa Senhora lho tinha pedido para a conversão dos pecadores. E assim, todos nós, em qualquer situação da vida, quer sejamos criança, adulto, padre ou bispo, cada um de nós tem a oportunidade, a possibilidade de fazer o que puder para apressar a revolução (se assim lhe posso chamar) da Graça para a conversão dos pecadores e para a conversão, finalmente, do mundo inteiro.

E assim, a dada altura, esse esforço colectivo de graça, esse movimento de sacrifícios e de orações, há-de levar ao cumprimento do pedido de Nossa Senhora em Fátima: que o Papa e os Bispos católicos do mundo consagrem a Rússia ao Seu Imaculado Coração. Só então, depois desse acto público e solene do Papa e dos Bispos, é que Nossa Senhora poderá, por decreto divino, mostrar o Seu poder e levar a cabo a conversão da Rússia.

Deus reservou e, de certa maneira, restringiu a actuação de Nossa Senhora até que a Rússia seja consagrada ao Seu Imaculado Coração.

Três etapas para a conversão do mundo

Há três etapas para a conversão do mundo:

  1. O Santo Padre consagrará a Rússia ao Imaculado Coração de Maria;
  2. Quando o Papa fizer a consagração, Nossa Senhora mostrará o Seu poder e converterá a Rússia.
  3. O mundo será convertido à prática fervente da Fé Católica.

A terceira etapa é a maior de todas. O nosso mal é que estamos tantas vezes a pensar no que aconteceu hoje e ontem que não paramos para reflectir e considerar as possibilidades superiores e a realidade superior. É como estar a tentar ver um quadro de grandes dimensões pondo-o um palmo adiante do nariz: não se compreende a perspectiva. Ora, reflectindo na Mensagem de Nossa Senhora, consegue compreender-se a situação em geral.

E o quadro que Nossa Senhora nos apresenta é o de todo o mundo a ser convertido, todo o mundo a viver em paz, todo o mundo a transformar espadas em arados, todo o mundo a deixar de aprender a arte da guerra.

Esta visão não é só minha, está nas Sagradas Escrituras. E é o que Nossa Senhora nos está a oferecer. Ora bem, as pessoas práticas e (digamos) de pouca reflexão dir-nos-ão que um tal quadro do futuro da humanidade é impossível de alcançar. Sem fé, sem Nossa Senhora, sem a nossa cooperação, é certamente impossível. Na realidade, porém,  não é só possível – é uma certeza uma vez que obedeceremos.

Tive um Bispo que estava muito interessado no que eu dizia, mas que me disse: “-Senhor Padre, compreende decerto que hoje os Bispos Católicos do mundo não aceitariam a sua visão.” Respondi: “-Bem sei, Excelência Reverendíssima. Mas acredito na Mensagem de Nossa Senhora, e Ela disse-nos: ‘Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia (juntamente com todos os Bispos Católicos do mundo) que se converterá, e será dado ao mundo algum tempo de paz’”.

Não podemos continuar a pensar: “-Bem, é o que dizem as minhas irmãs e irmãos, é o que dizem os meus colegas, é o que toda a gente diz… portanto não posso pensar de maneira diferente.” Não. Deus está a pedir-nos que sejamos responsáveis por nós próprios, que pensemos por nós próprios e que A escutemos, mesmo que não nos pareça ser possível.

Tudo é possível através de Deus e da Santíssima Virgem

Concordo que, sem a intervenção de Deus e da Santíssima Virgem, é impossível. Mas com a intervenção de Deus e da Santíssima Virgem, tudo é possível; e nós temos a promessa que Ela nos fez.

Devemos aceitar a visão que Ela nos deu a conhecer, e dizer:

“Cumprirei a minha parte. Só por mim, nada posso, mas farei o que puder e confiarei que a Virgem Santíssima inspirará outros a fazerem o que puderem ao meu lado, na cidade vizinha, no país vizinho, ou no mundo inteiro. Farei o que se espera de mim, e Ela fará o resto”.

Cada um de nós deve assumir a sua responsabilidade, cada um de nós deve confiar nas Suas palavras, cada um de nós deve dizer:

“Mãe Santíssima, sei que estais triste, porque os bons não Vos prestam atenção, mas eu, até onde puder, apesar de ser imperfeito, apesar de ter muitos defeitos, deixarei de Vos entristecer por não dar atenção aos Vossos pedidos, por não os levar a sério, por não reflectir sobre eles, por não os explicar.

   “Mesmo que para isso eu tenha de ser incompreeendido, mesmo que tenha de não ser promovido ou de não receber dos outros o reconhecimento que mereço, farei o que estiver ao meu alcance e deixarei o restante para Vós”.

Todos nós – e não apenas todos os que aqui estamos, mas também todos aqueles com quem falarmos e com quem eles, por sua vez, falarem – alcançaremos a vitória que a Senhora prometeu.

Ela podia fazê-lo sozinha; mas, como é evidente, nos últimos 77 anos não o fez. Nossa Senhora está a espera de que nós assumamos a nossa responsabilidade, que façamos o que nos compete fazer. E assim, se fizermos o que pudermos, haverá outros (talvez já não na nossa vida) que conseguirão, enfim, compreender e que hão-de fazer o que é preciso fazer, porque Ela disse: “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.”

Quer consigamos vencer durante a nossa vida quer não, pelo menos seremos reconhecidos e recompensados no Céu por termos feito o que pudemos. Como Shakespeare disse, “todo o mundo é um palco”. Está claro que o palco em que estamos é o mundo. Ora, para levarmos a cabo o nosso papel perante Deus, devemos viver o papel que Deus espera que vivamos. Dia a dia, minuto a minuto, Deus espera que desempenhemos bem o nosso papel.

Agora depende de si, pessoalmente

É de si que depende; não da pessoa que está ao seu lado ou do outro lado. Depende de si. Por isso, deve dizer para si próprio:

“Farei o meu papel, mesmo que o meu amigo, mesmo que o meu Bispo, mesmo que o meu Cardeal, mesmo que a minha lavadeira não concorde comigo. Farei o que a Santíssima Virgem quer.”

É um apelo pessoal que o Imaculado Coração de Maria lhe faz. É um apelo pessoal que o Sagrado Coração de Jesus lhe faz – e a si, compete-lhe fazer o que puder. Quer seja apenas oferecer sacrifícios discretamente, porque foi isso apenas que Deus lhe concedeu que fizesse; quer seja falar na rádio ou na televisão, ou publicar artigos, ou falar com um amigo seu que é jornalista, ou falar com aquele seu amigo que é Cardeal, ou Bispo, ou o Papa. É de si que depende tomar a decisão de dizer:

“Farei o meu papel, sim. Ó Santíssima Virgem, fostes Vós que me pusestes neste lugar, e é este posto que eu hei-de usar em prol da Vossa causa, da Vossa vitória.”

É esta a escolha que hoje se depara a cada um de nós. E o que eu vos peço, acima de tudo, é que digais no vosso coração:

“-Minha Mãe Santíssima, até onde chegarem as minhas possibilidades, eu não Vos hei-de entristecer por não dar atenção à Vossa Mensagem. Farei o que estiver ao meu alcance e hei-de fazê-lo não apenas hoje, não apenas amanhã, mas para o resto da minha vida: fazer que a Vossa Mensagem seja conhecida, apreciada e obedecida. Antes de mais, na minha própria vida; mas também, e até onde eu puder, na das pessoas que me rodeiam, onde quer que estejam.”

O Movimento Sacerdotal de Fátima

Alguns de entre nós, sem dúvida, conseguiriam chegar até ao Papa. Alguns de nós poderão contactar outros Cardeais e Bispos. E alguns de nós têm muita influência. Deus conhece as nossas possibilidades, mas é a nós que compete fazer um tal compromisso; foi isto que Nossa Senhora nos pediu que fizéssemos, e é isto também que estou a pedir-vos que façais. Ou seja, que tomeis pessoalmente esse compromisso, e que o vosso compromisso seja aderir ao Movimento Sacerdotal de Fátima.

A Virgem Maria disse-nos: “Só Nossa Senhora do Rosário vos pode valer.” – afirmação muito clara. Diz que nações inteiras serão aniquiladas. Quando Lúcia nos conta que muitas nações desaparecerão da face da terra, não está a referir-se a uma mudança política ou de nome. Está a referir-se ao povo, aos povos de nações inteiras que serão mortos. A nações inteiras que serão varridas da face da terra.

Não fazer nada será a minha culpa

Se eu sei que há povos que poderão ser varridos da face da terra, e se sei como resolver esse problema e não fizer tudo o que puder, então é minha a culpa. E todos nós podemos fazer alguma coisa para evitar que sejam aniquiladas nações – orando, sacrificando-nos, jejuando, e também espalhando a Mensagem.

Espalhar a Mensagem não parece ser muito, e todavia foi silenciando a Mensagem de Fátima que os inimigos de Nossa Senhora têm conseguido vencer, até agora, impedindo o Seu triunfo.

Na Polónia, em 1949, os Comunistas só puseram duas condições para se apoderarem do país. Uma foi não denunciar o Comunismo; e a outra foi obter controlo do exército e da polícia no governo de coligação. Com estas duas condições, conseguiram apoderar-se da Polónia.

Pediram a mesma coisa ao Vaticano em 1962: que o Vaticano não denunciasse o Comunismo. Uma condição, e só uma condição: o silêncio!

Talvez não o consigamos compreender, mas há níveis diferentes na sociedade; e não me refiro a níveis económicos ou sociais. Deus resolveu que, assim como há uma hierarquia de Anjos, em que os Anjos superiores explicam coisas do Alto aos Anjos mais abaixo, assim, na sociedade humana, os mais inteligentes explicam as coisas aos menos inteligentes.

Isso não faz de nós mais importantes, ou melhores, ou bons, só por sermos mais inteligentes – é essa, apenas, a ordem disposta por Deus. Portanto, se não cumprirmos o nosso papel de explicar as coisas do Alto aos menos inteligentes, eles não vão compreender a Mensagem. Do mesmo modo, quando se mantém o silêncio sobre a Mensagem de Fátima, a Mensagem não consegue chegar até ao povo.

Não cumprir o nosso dever não é uma opção

Assim, não cumprir o nosso dever de divulgar a Mensagem não é, para nós, uma opção! Mas é o que tem acontecido até agora. Pensemos um pouco: em Portugal, em 1917, só três pastorinhos viram Nossa Senhora no dia 13 de Maio; a Jacinta disse à mãe, a mãe disse ao pai e assim se espalhou a notícia; de modo que a 13 de Junho já havia cinquenta pessoas.

Não é muita gente, 50 pessoas; mas estas 50 pessoas contaram aos amigos e vizinhos, e em Julho havia já 5.000 pessoas. E estas 5.000 pessoas, por sua vez, contaram aos amigos e vizinhos, e em Agosto já havia 15.000 pessoas. E estas 15.000 pessoas contaram aos seus amigos e vizinhos, e em Setembro havia 30.000. Essas 30.000 pessoas contaram também a amigos e vizinhos, e em Outubro já havia 70.000 pessoas lá, no local das Aparições. Tudo porque uma criança contou à mãe – e se foi passando a palavra.

Nessa altura, o Cardeal Patriarca de Lisboa estava no exílio, por ordem do Governo maçónico. Havia padres católicos e religiosos presos, e por isso não vou criticar os padres por não mencionarem Fátima. De facto, muitos até dissuadiam os fiéis de irem a Fátima.

Por outro lado, quando os acontecimentos chegaram a um certo nível, os jornais começaram a ridicularizar quem acreditava em Fátima, chamando-lhes publicamente idiotas, entre outras coisas. A certa altura, até foi chamada a tropa para impedir os peregrinos de irem a Fátima.

Apesar de tudo isto, os fiéis – de todas as condições sociais – disseram aos amigos e aos vizinhos que escutassem a Mensagem de Fátima. Vieram, Escutaram, e espalharam a Mensagem.Creio que este tipo de divulgação das Aparições de Fátima, que tem merecido pouca reflexão, é também uma lição para o nosso tempo.

A sua voz pode quebrar o silêncio

Nos jornais, como na Igreja, há muitas forças que querem que continue em silêncio sobre Fátima. Mas cada um de nós pode, pelo menos, contar aos seus amigos e vizinhos. Pode, pelo menos, fazer o pouco que está ao seu alcance para espalhar a Mensagem de Fátima e dizer a verdade sobre ela. E é assim que Nossa Senhora vencerá: vá passando a Mensagem a outras pessoas, sobretudo falando directamente com elas.

Façamos a nossa parte. É o que Nossa Senhora quer que façamos. Devemos todos tomar esse compromisso. Não escapemos à nossa responsabilidade. Poderá pensar: “Bem, eu não vi Nossa Senhora. Ela não me deu a Mensagem. Portanto não tenho responsabilidade.” Não é assim: ouvistes a Mensagem, foi-vos explicada, e estão aqui os livros. Tendes a oportunidade de saber. Deus concedeu-vos esse dom, essa oportunidade. Tereis que responder por essa oportunidade. E perante Deus, no Dia do Juízo, tereis que responder sobre o que fizestes para difundir o Evangelho, evidentemente, mas também vos será perguntado o que fizestes para divulgar Fátima – a explicação profética do Evangelho para o nosso tempo.

Eis porque vos exorto a todos, em especial aos sacerdotes e aos bispos, para que vos junteis ao Movimento Sacerdotal de Fátima e para que expliqueis sempre a Mensagem de Fátima à luz da Fé Católica, como foi definida pela Igreja no decurso de 2.000 anos. Difundi-a junto das pessoas que vos rodeiam. Divulgai-a na prática, assim como na doutrina e nos ensinamentos.

Depende de vós cumprir a vossa obrigação. Pela graça de Deus, eu continuarei a fazer o que puder. Mas um padre não pode fazer tudo sozinho. O tempo está a esgotar-se. Compete-vos fazer o possível para fazer com que a Mensagem seja conhecida, apreciada, amada e obedecida. E acima de tudo, comprometei-vos pessoalmente perante Nossa Senhora.

Totus Tuus” – Sou todo Vosso

Como o Papa João Paulo II disse, “Totus Tuus” (sou todo Vosso).

Que cada um de nós diga à Santíssima Virgem: “Sou todo Vosso”. Cumprirei a minha parte dando a conhecer a Vossa Mensagem. Cumprirei a minha parte vivendo para a Vossa Mensagem. Cumprirei a minha parte para encorajar os outros a viverem a Vossa Mensagem. Cumprirei a minha parte com as minhas orações, e os meus sacrifícios e as minhas obras, para obter que seja feita a Consagração da Rússia pelo Santo Padre, em união com todos os Bispos, num dia especialmente marcado, como acto solene e público de reparação.»