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Acontecimentos Correntes
Vistos à Luz de Fátima
É vital compreendermos que, se os acontecimentos correntes não
nos parecem estar em conformidade com a Mensagem de Fátima, não
devemos por isso rejeitar Fátima. Devemos, isso sim, re-examinar
as percepções que nos têm sido impostas pelos meios
de comunicação e pelos políticos. Como S. Paulo,
o Cristão deve "demolir toda a pretensão que se ergue
contra o conhecimento de Deus" (2 Cor. 10:5).
Nossa Senhora não apareceu em Fátima por conveniência
Sua, mas por causa de nós. Deus enviou-A devido ao Seu grande
amor pelos povos do nosso tempo. Nossa Senhora disse-nos que, se os Seus
pedidos não fossem atendidos, os erros da Rússia espalhar-se-iam
por todo o mundo, causando guerras, fomes e perseguições
contra a Igreja e o Santo Padre. Deus encarregou Nossa Senhora de nos
dar esta Mensagem. A Irmã Lúcia explicou ao Padre Fuentes: "A
Santíssima Virgem disse aos meus primos e a mim que muitas nações
desaparecerão da face da terra, que a Rússia será o
instrumento do castigo escolhido pelo Céu para punir todo o mundo
se não obtivermos antes a conversão daquela pobre nação …" Pode
parecer que a Rússia já não representa uma ameaça
para nós, que é um país fraco. Todavia, se nos debruçarmos
mais sobre este assunto, verificamos que os erros da Rússia estão
a espalhar-se cada vez mais, e que a Rússia é, na realidade,
muito mais forte do que os Estados Unidos.
A doutrina de Sun-Tsu
Anatoliy Golitsyn era um oficial do KGB russo e membro da comissão
de planeamento de 30 anos do KGB em 1958, antes de escapar para os Estados
Unidos em 1961. Em 1984 escreveu um livro chamado Novas Mentiras
no Lugar das Velhas, em que fez 148 predições sobre
a Rússia e o comunismo. Dez anos depois de as ter feito, 139 das
148 predições tinham sido realizadas, incluindo a queda
do Muro de Berlim. Isto representa um sucesso de 94%, superior a qualquer
agência de espionagem do mundo. Golitsyn não é um
profeta; apenas conhece as estratégias e as forças da Rússia.
(cf. o artigo "O
Comunismo está Vivo e Ameaçador, diz um Desertor do KGB" de
Cornélia Ferreira, no número de Março de 1996 da Catholic
Family News.)
No seu livro, explica que a Rússia baseia a sua doutrina militar na
de Sun-Tsu, um chefe militar chinês de há 2.500 anos. Sun-Tsu
acreditava que toda a guerra se baseia na falsificação:
se és fraco, actua como se fosses forte; e se fores forte, actua
como se fosses fraco. Mas se escolheres a última estratégia,
deves ser muito forte para venceres.
As lições de Tróia e Cartago
A doutrina de Sun-Tsu provou ter sucesso através da história.
Tróia foi destruída pela mesma táctica de falsificação.
A Grécia cercou Tróia durante dez anos. Embora fossem em
menor número, o povo de Tróia teve sucesso em defender
a sua cidade, e aguentou a ofensiva em curso. Finalmente, os exércitos
da Grécia declararam a sua intenção de cessar o
ataque. Embarcaram nos seus navios e navegaram para a distância,
deixando para trás, para o povo de Tróia, um enorme cavalo
de madeira montado sobre rodas. Foi deixado como um presente para simbolizar
a paz entre a Grécia e Tróia. O povo troiano deu largas à sua
alegria. Puxaram o cavalo de Tróia, como ficou a ser conhecido,
através das portas da cidade. Naquela noite, depois das portas
estarem fechadas e o povo a dormir, os exércitos gregos que tinham
partido regressaram a Tróia. Vinte soldados gregos que estavam
escondidos no interior do cavalo saíram, abriram as portas e deixaram
entrar os exércitos gregos. Tróia foi destruída
naquela noite.
Os Romanos levaram os embustes ainda mais longe do que os Gregos. Houve três
guerras, as chamadas Guerras Púnicas, entre Roma e Cartago. A
seguir à segunda guerra, Cartago enviou a Roma ofertas de paz.
Roma exprimiu a sua desconfiança de Cartago, e pediu para desmantelarem
o seu exército em sinal de boa vontade. "Afinal," perguntaram, "se
querem paz, para que é que têm um exército?" Cartago
fez a vontade a Roma e desmantelou o exército. A seguir, Roma
pediu um tributo de cereais e de ouro, como mais uma prova da boa vontade
de Cartago. Cartago aceitou e deu a Roma o tributo pedido. Roma então
fez notar a Cartago que o tributo não era um grande sacrifício,
porque Cartago era uma cidade próspera; e por isso, Roma pediu
reféns, que fossem filhos e filhas das principais famílias
cartaginesas. Se Cartago não atacasse, os reféns seriam
bem tratados. Nestes termos, as famílias de Cartago enviaram para
Roma os seus filhos e filhas como reféns.
A seguir, Roma mostrou que ainda desconfiava de Cartago. Argumentou que, como
Cartago era uma grande potência económica, podia voltar
a armar-se muito rapidamente. Por essa razão, Roma exigiu que
Cartago, que estava à beira-mar, fosse mudada vinte milhas para
o interior. Mas o acesso à costa era a base da riqueza de Cartago,
e os cartagineses compreenderam que não lhes restaria nada se
mudassem a localização da sua cidade. Por isso, recusaram
ceder à exigência de Roma.
Roma então matou os reféns e aniquilou Cartago, que não
tinha um exército permanente. Roma sem dúvida pagou aos
seus soldados com o ouro e alimentou-os com o grão obtido em Cartago.
Esta foi a terceira e última Guerra Púnica.
Estas lições de história não lhe sugerem o que
se está a passar hoje nos Estados Unidos? Pense bem. Nos tratados
que os Estados Unidos assinaram com a Rússia nos últimos
15 anos, mais de 50 mil milhões de dólares foram dados à Rússia
como "ajuda económica." E o desarmamento? Grande parte
dos milhares de milhões de dólares que os Estados Unidos
gastam nas despesas militares são, na realidade, usada para o
desarmamento, em cumprimento dos tratados com a Rússia, enquanto
que os russos usam os milhares de milhões de dólares que
os Estados Unidos lhes dão para se armarem.
Além disso, o Governo dos Estados Unidos opera segundo um princípio
que desenvolveu juntamente com a Rússia, chamado a doutrina MAD
(Mutually Assured Destruction, ou seja, Destruição Mutuamente
Assegurada). Segundo este princípio, como tanto os Estados Unidos
como a Rússia têm a capacidade para se destruírem
um ao outro, ambos concordaram não defender a sua população
civil de um ataque nuclear. A doutrina MAD foi concebida como garantia
contra um ataque não provocado de mísseis nucleares, porque
assegura a destruição de ambas as nações.
Os Estados Unidos, de acordo com os tratados, não têm uma
defesa civil para o caso de um ataque nuclear. A Rússia, porém,
desenvolveu um sistema de defesa civil que protege cerca de 70% dos seus
cidadãos.
Mais ainda: de acordo com o tratado INF assinado em 8 de Dezembro de 1987
pelo Presidente Reagan e pelo Secretário Geral soviético
Gorbachev, os mísseis Cruise e Pershing dos Estados Unidos foram
retirados da Europa. Desde então, a Rússia ficou protegida
da ameaça de um ataque de mísseis nucleares americanos.
Até então, a sua população inteira estava
em risco, devido à precisão destes mísseis baseados
na Europa e da sua capacidade de penetrarem os abrigos anti-bombas. Mas
a partir do momento em que os mísseis foram retirados da Europa,
ficaram para além do seu alcance de 1500 milhas, tornando-se,
assim, inúteis como argumento do equilíbrio do poder.
O poder militar da Rússia
Em 2002 o submarino russo Kursk apareceu em todos os noticiários
internacionais ao afundar-se com 118 marinheiros a bordo. As marinhas
britânica e norueguesa ofereceram-se para salvar os marinheiros,
mas a Rússia recusou as ofertas. E porque razão a Rússia
não deixo que fossem salvos 118 dos seus homens? Porque a Rússia
não queria que se soubesse o que estava a bordo do Kursk.
O submarino continha o míssil Topol, que pode deslocar-se seis
vezes mais depressa do que qualquer torpedo que os Estados Unidos têm,
e quatro vezes mais depressa do que qualquer um que a Grã-Bretanha
tem. Desloca-se submerso a uma velocidade superior à do som, o
que quer dizer que atinge o seu alvo antes que o sonar detecte que foi
lançado. Não há defesa contra ele. (cf. "O
Afundamento do Kursk – O Super Torpedo da Rússia, uma Nova
Ameaça da China".)
Em meados de Fevereiro de 2004, a Rússia levou a cabo os maiores exercícios
militares dos últimos 22 anos. O objectivo expresso dos ataques
simulados feitos durante os exercícios era os Estados Unidos da
América. Durante os exercícios, a Rússia experimentou
novos mísseis para que, segundo admitiram os responsáveis,
não há defesa possível, mesmo que seja um escudo
anti-míssil avançado.1
Outro exemplo da capacidade
militar da Rússia é um novo tipo de submarino, o Oscar
II, que é mais comprido do que um campo de futebol e pode
lançar vinte mísseis nucleares. Basta um submarino para
destruir metade dos Estados Unidos. Um destes submarinos esteve 30 dias
submergido em Puget Sound, que se situa ao largo da Costa Ocidental do
Estado de Washington, sem ter sido detectado. (cf. "A
Rússia Aumenta a Ameaça Nuclear".)
De acordo com a estratégia de Sun-Tsu de fingir estar fraca quando,
na verdade, está muito forte, a Rússia quer que acreditemos
que não constitui uma ameaça. Durante muitos anos, a Rússia
enganou o mundo, fazendo-o pensar que tinha umas forças armadas
muito fracas, que já não era uma ameaça para o Ocidente.
Como Golitsyn sublinhou, está a simular fraqueza porque quer que
os Estados Unidos e o Ocidente baixem as suas defesas. Os Estados Unidos
não ganhariam uma guerra contra a Rússia, e tanto as forças
armadas americanas como as russas sabem que assim é.
Numa entrevista com o Professor William Thomas Walsh (cf. "A
Declaração da Irmã Lúcia ao Professor
Walsh") em 15 de Julho de 1946, a Irmã Lúcia
disse que o Comunismo havia de tomar posse de todo o mundo, incluindo
os Estados Unidos da América. O antigo Secretário
Geral do Partido Comunista dos EUA, Gus Hall, disse que as aderências
ao Partido nos Estados Unidos eram em número superior
na década de 1990 do que em qualquer outra altura da sua
história. (cf. "A
Grande Falsificação Soviética" e "Hipnotizado
pelo Urso: A Grande Falsificação Soviética,
II Parte".) Apesar disto, e contra toda a evidência
em contrário, os meios de comunicação americanos
continuam a apresentar os Estados Unidos como a única
superpotência que resta no mundo e o principal defensor
e promotor da democracia universal.
Por isso, é importante compreender que as notícias e informações
que recebemos são tendenciosas e muito frequentemente distorcidas,
Mas a Mensagem que Nossa Senhora deu em Fátima mantem-se clara
e imutável. Assim, devemos ter a Mensagem de Nossa Senhora sempre
presente nos nossos pensamentos quando tentarmos compreender e interpretar
os acontecimentos que estão actualmente a ter lugar no mundo que
nos rodeia.
Notas:
- Cf. Bernadette Vesco, "Russia’s
New Hypersonic Missiles Act Like a ‘Swarm of Bees’",
in Catholic Family News, Maio de 2004, Vol.
11, No. 5, p. 1.
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