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Notícias e Avisos: Mais notícias sobre o programa interconfessional em Fátima

Do número de Janeiro de 2004 do Catholic Family News

Mais notícias sobre o
programa interconfessional
em Fátima

por John Vennari

No mês passado, o Catholic Family News publicou uma notícia sobre o Congresso inter-religioso que teve lugar em Fátima: "O Presente do Homem, o Futuro de Deus, o lugar do Santuário em relação ao Sagrado". Estive presente neste Congresso, realizado em Portugal de 10 a 12 de Outubro de 2003.1

Os oradores no Congresso, incluindo o Padre Jacques Dupuis e o Arcebispo Michael Fitzgerald, disseram aos presentes que os Católicos não deviam procurar converter os não-Católicos à Igreja Católica. E isto porque, segundo o novo sistema ecuménico, os não-Católicos já são parte do "Reino de Deus," e não precisam de se converter à Igreja Católica para alcançarem a salvação.

Sobre o tema de "fora da Igreja Católica não há salvação," que é um dogma definido em que os Católicos devem crer para continuarem a ser Católicos, o Padre Dupuis disse com desagrado: "Não é preciso invocar aqui aquele texto horrível do Concílio de Florença." O Padre Dupuis também disse que a finalidade do diálogo é ajudar "o Cristão a ser um melhor Cristão, e o Hindu um melhor Hindu."

O Cardeal Patriarca de Lisboa, o Reitor do Santuário de Fátima, o Bispo de Leiria-Fátima e o Delegado Apostólico aplaudiram a intervenção de Dupuis, apesar de, entre outras infâmias, ter repudiado uma doutrina definida pela Igreja.

No dia seguinte, o Arcebispo Michael Fitzgerald, vindo do Vaticano, disse aos presentes: "O Padre Dupuis explicou ontem a base teológica do estabelecimento de relações com pessoas de outras religiões." Em resumo, o Arcebispo Fitzgerald louvou as heresias do Padre Dupuis.

A sessão do Congresso no Domingo incluiu testemunhos de representantes do Budismo, Hinduísmo, Islão, Anglicanismo, Ortodoxia Oriental e Catolicismo. Nesta sessão, o Padre Arul Irudayam, Reitor do Santuário Mariano Católico de Vailankanni, na Índia, congratulou-se com o facto de os Hindus praticarem agora os seus ritos pagãos dentro da igreja católica, como mais um passo na camaradagem ecuménica. Os delegados do Congresso, incluindo o Arcebispo Fitzgerald, ficaram encantados ao saber que este Santuário Mariano estava agora a ser usado para rituais idólatras. Quanto tempo faltará até que o Santuário de Fátima seja profanado da mesma maneira?

O Portugal News de 1 de Novembro comentou que este Congresso fazia parte de um projecto para transformar Fátima num Santuário interconfessional. O Notícias de Fátima, jornal quinzenal de Fátima, também noticiou o acontecimento. O número de 24 de Outubro tinha este cabeçalho a vermelho, a toda a largura da primeira página: "Santuário a vários credos". Na página 8 do mesmo jornal vinha a notícia intitulada "Santuário abre-se ao pluralismo religioso," com o subtítulo "O Santuário de Fátima assume uma vocação universalista e acolhedora para com as diferentes religiões."

Tanto o Portugal News como o Notícias de Fátima reproduziam a declaração de que "O futuro de Fátima poderá passar pela concretização de um santuário onde convivem diferentes religiões." O Notícias de Fátima publicou estas palavras como a legenda da fotografia da primeira página, e o Portugal News atribuiu-as ao Reitor do Santuário de Fátima, Monsenhor Guerra.

O jornal do Santuário de Fátima

Chegaram-nos mais alguns dados sobre o empreendimento pan-religioso de Fátima, desta vez no próprio jornal do Santuário, a Voz de Fátima. O número de 17 de Novembro de 2003 incluía duas breves notícias sobre o Congresso, ambas dando a entender que o programa pan-religioso de Fátima é o caminho do futuro. O alegado plano para transformar Fátima num "Santuário Interconfessional" não foi mencionado, nem para o confirmar, nem para o negar. Todavia, é trágico notar que o jornal falou do Congresso Inter-Religioso, e da nova orientação ecuménica de Fátima, da forma mais entusiástica.

O primeiro artigo, intitulado "Especialistas apontam os Santuários como exemplos do crescimento na fé," resumia os comentários finais do Congresso de Fátima. A Voz de Fátima escreveu: "O exemplo da presença de representantes de várias religiões neste encontro foi realçado... pelos organizadores, considerando que ‘o diálogo inter-religioso não é um favor nem uma cedência de qualquer coisa, mas antes uma necessidade da própria fé’."2

Isto é extremamente grave. O próprio jornal oficial do Santuário de Fátima diz aos leitores que o novo conceito de diálogo pan-religioso, que, por definição do mesmo Congresso, quer dizer que não temos que tentar converter ost não-Católicos à Igreja Católica, é uma "necessidade da própria fé".

Como pode ser uma "necessidade da própria fé" o facto de os Católicos já não tentarem converter à Fé verdadeira os que estão na escuridão das falsas religiões?

A Voz de Fátima acrescenta: "Monsenhor Luciano Guerra, Reitor do Santuário de Fátima, exprimiu a mesma opinião, comparando o diálogo a pontes, neste caso entre diferentes religiões. ‘Tencionamos analisar as estruturas das pontes para saber se podemos contar com elas no futuro,’ afirmou. Na sua opinião, Fátima desempenha um ‘papel essencial’ no fortalecimento do diálogo ecuménico e inter-religioso."

Esta declaração é semelhante à que o Notícias de Fátima atribuiu a Monsenhor Guerra, segundo a qual teria dito: "É um primeiro passo. Somos como os engenheiros em Portugal que começam por examinar as estruturas das pontes, para ver se podemos confiar nelas no futuro."

Podemos concluir que, apesar do "cuidado" que Monsenhor Guerra diz ter em "examinar as estruturas," o Santuário de Fátima, segundo o seu periódico oficial, já está lançado no programa ecuménico.

O segundo artigo na Voz de Fátima cita o Arcebispo Michael J. Fitzgerald, Prefeito do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso. Fitzgerald também falou no Congresso, e louvou o discurso herético do Padre Dupuis, em que este denunciou o Concílio de Florença.

O artigo, intitulado "Diálogo entre religiões progrediu muito com João Paulo II," começa: "O Presidente do Conselho para o Interreligious Diálogo Inter-religioso, durante as sessões do Congresso Internacional em Fátima, elogiou as acções de João Paulo II em se abrir a outras religiões, fazendo notar que o Catolicismo mudou a sua maneira de as ver."

"As missões continuam e nós anunciamos Jesus Cristo, mas a maneira como o fazemos é diferente," agora que a Igreja está a começar a "reconhecer sinais do sagrado noutras religiões, assuntos que, antes de João Paulo II e do Vaticano II, não eram discutidos."

O Arcebispo Fitzgerald prosseguiu, elogiando as novas iniciativas ecuménicas do Papa João Paulo II. Disse que, numa "busca comum" do sagrado, as religiões deviam "reconciliar as suas forças para enfrentar a secularização de um mundo que se torna cada vez mais sem Deus." Admitiu também que há na Igreja quem não aceite este novo esforço inter-religioso.

"Há pessoas que se agarram muito à sua maneira de compreender a tradição," disse o Arcebispo Michael Fitzgerald. "Há pessoas que criticam estas etapas, mas a nossa resposta tem que ser diálogo com todos, mesmo com os que se nos opõem."

Concordo com o Arcebispo Fitzgerald que "há pessoas que se agarram muito à sua maneira de compreender a tradição." Os que fazem isto, porém, não são os Católicos tradicionalistas, mas os próprios ecumenistas. Foram os ecumenistas postconciliares que distorceram a tradição, afastando-a do seu verdadeiro significado para que desse lugar a uma "tradição viva" que inclui novidades como as actividades pan-religiosas. Ignoram o Papa S. Pio X, que avisou: "Que o amor da novidade esteja longe, longe do clero".

O Papa S. Pio X escreveu na sua Encíclica contra o Modernismo o seguinte, sobre o dever de manter a tradição:

"Mas, para os Católicos, nada afastará a autoridade do Segundo Concílio de Nice, em que condena os ‘que ousam, à maneira ímpia dos hereges, degradar as tradições eclesiásticas, inventar novidades de alguma espécie... ou tentar, por malícia ou manobra, derrubar qualquer uma das tradições legítimas da Igreja Católica’. … Por isso, os Pontífices Romanos Pio IV e Pio IX ordenaram que se inserisse na profissão de fé a seguinte declaração: ‘Admito e aceito muito firmemente as tradições apostólicas e eclesiásticas e outras observâncias e constituições da Igreja’."3

E o Segundo Concílio de Nice ensina infalivelmente:

"Se alguém rejeitar qualquer tradição, escrita ou não escrita, da Igreja, seja anátema."4

O ecumenismo "degrada as tradições eclesiásticas", como também a doutrina católica definida. Orgulha-se das actividades pan-religiosas, que foram condenadas ao longo de toda a história da Igreja.5 Em nome do ecumenismo, os responsáveis da Igreja de hoje "inventaram novidades," como o chamado "Espírito de Assis" inter-religioso, que coloca a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo ao mesmo nível das falsas crenças. Estes responsáveis também "rejeitam as tradições, escritas e não escritas, da Igreja", ao tentarem "mudar" a "maneira de ver" os não-Católicos que o Catolicismo sempre teve.

Já mencionámos um exemplo claro desta prática. No Congresso de Fátima, o Padre Jacques Dupuis chamou abertamente a um dogma definido do Concílio de Florença "texto horrível", que devia ser rejeitado para dar lugar à nova religião ecuménica. O Arcebispo Fitzgerald não só louvou o discurso de Dupuis, como mais tarde tratou com desdém os Católicos que, como é seu dever, seguem a Tradição, tal como foi definida pelo Papa S. Pio X e pelo Segundo Concílio de Nice. Vemos, assim, que são os próprios ecumenistas que "se agarram" à sua maneira modernista de "compreender a tradição".

"Diálogo" com o Cardeal

Antes de discutirmos como a Igreja postconciliar "mudou a sua maneira de ver" os não-Católicos, vejamos primeiro se é verdade o que disse o Arcebispo Fitzgerald, que os dirigentes da Igreja ecuménica estão abertos ao diálogo com os Católicos que desafiam a nova política ecuménica.

Temos, na verdade, uma amostra desse tal "diálogo".

Durante o Congresso, houve uma troca de impressões entre um grupo de jovens da Sociedade de S. Pio X e o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo. Os jovens estavam lá porque o Padre Danjou, Prior da Sociedade de S. Pio X em Portugal, organizou a distribuição de 35.000 panfletos em Fátima denunciando o acontecimento ecuménico.6 Também organizou duas cerimónias de reparação. Os jovens do M.J.C.F. (Movimento da Juventude Católica Francesa) vieram de propósito do sudeste de França para ajudar a distribuir os panfletos.

Alguns destes jovens asistiram ao Congresso. A entrevista que se segue, publicada pelo DICI,7 teve lugar entre membros do M.J.C.F. e o Cardeal Policarpo, a seguir ao discurso deste último no sábado à tarde.

M.J.C.F.: Eminência, gostaria de um esclarecimento. No seu discurso, disse que "cada religião, quando é praticada com sinceridade, leva a Deus". Mas a Irmã Lúcia de Fátima, em Os Apelos, ao comentar o Primeiro Mandamento, diz que "só há um Deus que merece a nossa adoração, as outras divindades não são nada, não valem nada e não podem fazer nada por nós". Como podemos reconciliar estas duas visões de Deus?

Card. P.: Mas, meu rapaz, essa visão está ultrapassada. Quais são essas divindades de que fala a Irmã Lúcia? Nós, Cristãos, os muçulmanos, os judeus, todos temos o mesmo Deus.

.J.C.F.: (Silencioso, pasmado, de olhos arregalados.)

Card. P.: Claro que a fé deve ser cristocêntrica, mas as outras religiões estão a progredir em direcção a Cristo, umas são mais avançadas, outras menos, é tudo!

M.J.C.F.: Mas nós não temos a mesma religião dos muçulmanos ou dos judeus. Assim, como se poded dizer que temos o mesmo Deus?

Card. P.: Sabe, eu estudei muito quando era jovem. Se for cristão, como diz que é, é uma questão de cultura, é porque foi ensinado assim. Para o muçulmano, é exactamente o mesmo.

M.J.C.F.: Mas, Eminência, até onde irá o ecumenismo?

Card. P.: Cada religião tem alguma coisa para nos ensinar. A experiência de outras religiões é muito importante, temos muito a aprender delas.

M.J.C.F.: Mas está escrito no Corão: "Não tomeis os cristãos ou os judeus para vossos amigos."

Card. P.: Alguma vez leu o Corão, meu rapaz?

M.J.C.F.: Sim, duas vezes!

Card. P.: Em árabe?

M.J.C.F.: Não, mas a nossa religião baseia-se na Revelação. Poderia o chamado profeta Maomé ter verdadeiramente recebido uma parte da Revelação?

Card. P.: Deve ter lido uma má tradução. O Islão tem muito para nos ensinar.

M.J.C.F.: No Apocalipse, o Apóstolo S. João avisa-nos para estarmos atentos aos falsos profetas. Maomé é ou não um falso profeta?

Card. P.: (começando a ficar nervoso) Jovem, deixo-lhe toda a responsabilidade da resposta!

O Cardeal afastou-os para se ir embora, mas um dos jovens fê-lo deter-se um pouco.

M.J.C.F.: Eminência, não respondeu à minha pergunta, creio eu?

Card. P.: Pode dizer-se que, no tempo de Jeremias, Maomé seria considerado um falso profeta.

E o Cardeal retirou-se sem dizer adeus, e empurrando o grupo de jovens.

Note-se que estamos supostamente na época dos sorridentes prelados postconciliares que "amam os jovens". Todavia, estes jovens em Fátima não eram os roqueiros insípidos e iludidos que aparecem nos Dias Mundiais da Juventude, mas Católicos que conheciam a sua religião e que expuseram respeitosamente ao Cardeal que o ecumenismo de hoje está em desacordo com a doutrina e a prática católicas de sempre. Para este grupo de jovens, não houve sorrisos da parte do Cardeal, mas apenas desprezo, escárnio, e a recusa em responder directamente às perguntas que lhe faziam.

No dia seguinte, a entrada estava controlada por três pessoas, e os jovens do M.J.C.F. tiveram que se identificar por duas vezes para serem autorizados a entrar.

Nessa altura, um padre chamou-os à porta para lhes dizer: "Não podem entrar!"

M.J.C.F.: Mas temos autorização.

O padre: Está bem, mas então nem uma só pergunta!

O padre ficou atrás deles durante toda a conferência, para se certificar que estes jovens não iriam fazer alguma pergunta embaraçosa.

Ora estes jovens só estavam a ver se tinham um diálogo com o Cardeal. E no dia seguinte, só esperavam dialogar com outros membros do Congresso. Mas, porque faziam perguntas difíceis, baseadas na Verdade Católica de sempre, foram afastados, silenciados e policiados.

Esta troca de impressões demonstra que a nova religião ecuménica não pode enfrentar uma crítica honesta. É um castelo de cartas que vai abaixo ao ser confrontado com a Fé Católica de todos os tempos. Assim, quando o Arcebispo Fitzgerald diz que está pronto a "dialogar" com os que se opõem ao novo espírito ecuménico, a troca de palavras entre o M.J.C.F. e o Cardeal Policarpo, que acima reproduzimos, dá-nos uma ideia de como se processará este "diálogo".

Evangelização e Missão redefinidas

O Arcebispo Fitzgerald diz que o Catolicismo "mudou a sua maneira de ver" as religiões não-católicas. Também diz que a Igreja ainda "anuncia Jesus Cristo, mas a maneira como o fazemos é diferente."

Diferente, de que maneira? E como é que a "Igreja" mudou a sua "maneira de ver" os não-Católicos?

A resposta encontra-se na nova política de "Diálogo e Proclamação", que parece ser hoje parte do programa da Igreja de "Missão e Evangelização". "Evangelização" e "Missão" já não querem dizer que fazemos por converter os não-Católicos à única verdadeira Igreja. Como sucede com muitos outros elementos da Igreja postconciliar, os nossos dirigentes progressistas redefiniram a terminologia.

O significado autêntico da Evangelização e Missão deriva da ordem que Nosso Senhor deu aos Seus apóstolos: "Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." (Mat. 28:19) "Quem acreditar e for baptizado será salvo, mas quem não acreditar será condenado." (Marcos 15:16). Desde a fundação do Cristianismo, santos Missionários enfrentaram a morte para a conversão dos não-Católicos.

Mas hoje? Não! Já não fazemos tal coisa. Lemos antes o Cardeal Policarpo, que chamou a isto uma "visão ultrapassada" e disse que todos adoramos o mesmo "Deus". Portanto, não ousamos tentar converter os não-Católicos. Em vez disso, promovemos o diálogo pan-religioso com membros de religiões falsas; diálogo esse que diz aos não-Católicos que é perfeitamente aceitável a Deus eles manterem-se nas suas crenças de origem humana.

Esta é a nova noção de "Evangelização" e "Missão". É parte da nova política ecuménica de "Diálogo e Proclamação," que é o nome de um documento do Vaticano sobre o Diálogo Inter-religioso, datado de 1991. O novo sistema funciona assim: Nós proclamamos a Fé Católica aos não-Católicos, porque acreditamos que o Catolicismo é a melhor religião, porque tem a "plenitude da verdade". E esperamos que aqueles a quem nós a proclamamos acabarão por pensar da mesma maneira e decidirão também fazer-se Católicos.

Mas se não se fizerem Católicos, tudo bem. São perfeitamente aceitáveis a Deus na sua falsa religião, porque — como disse o Padre Dupuis no seu discurso — os Católicos e os não-Católicos são "co-membros do Reino de Deus". Por isso, nós simplesmente dialogamos com eles, e todos trabalhamos juntos em coexistência pacífica. Ou, para usar as palavras do Arcebispo Fitzgerald, trabalhamos uns com os outros "para enfrentar a secularização do mundo" e para "atingir uma maior paz e harmonia entre os povos de outras religiões."

É este o novo construto do "Diálogo e Proclamação" que constitui a noção que a Igreja postconciliar tem de "Evangelização" e de "Missão". É por isso que o Padre Jacques Dupuis, no seu discurso, definiu a prática pan-religiosa e o diálogo inter-religioso como parte da "Missão de Evangelização" da Igreja, citando um documento de 1984 do Conselho para o Diálogo Inter-religioso para apoiar a sua afirmação.

Da mesma maneira, o documento do Vaticano de 1991 "Diálogo e Proclamação" coloca "proclamar a Cristo" em pé de igualdade com o "diálogo" com as falsas religiões. Diz o documento: "Assim como o diálogo inter-religioso é um elemento da missão da Igreja, a proclamação da obra salvífica de Deus em Nosso Senhor é outro... Está fora de questão escolher um e ignorar ou rejeitar o outro."8 Segundo este documento do Vaticano de 1991, não podemos apenas proclamar a Cristo, mas devemos também "dialogar" com os não-Católicos que não têm intenção de se converterem à única Igreja verdadeira, e reconhecer a sua religião falsa como um caminho válido para Deus.

Portanto, não nos iludamos quando os responsáveis mais elevados da Igreja usarem termos católicos, como "Missão" e "Evangelização", a que deram significados não-católicos.

Desprezo pelo Dogma

O novo programa de "Diálogo e Proclamação" opõe-se claramente ao que a Igreja ensinou ao longo dos séculos.

O Concílio de Florença definiu infalivelmente que os "pagãos, judeus, hereges e cismáticos" estão "fora da Igreja Católica," e, portanto, "nunca poderão partilhar da vida eterna," a menos que, "antes de morrerem", se juntem à única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo, a Igreja Católica.9

Fiel a esta verdade, o Catecismo do Concílio de Trento, ensina que "os infiéis, hereges, cismáticos e excomungados" são "excluídos do seio da Igreja".10 Por outras palavras, os protestantes, judeus, muçulmanos, hindus, budistas, etc., não fazem parte da Igreja Católica, que é o Reino de Deus na terra.11

Séculos mais tarde, o Catecismo do Papa S. Pio X apresenta a mesma verdade sem alteração. Ensina que "Fora da verdadeira Igreja estão: infiéis, judeus, hereges, apóstatas, cismáticos e excomungados". E acrescenta: "Ninguém pode salvar-se fora da Igreja Católica, Apostólica e Romana, assim como ninguém se pôde salvar fora da Arca de Noé, que era uma figuração da Igreja."12

O Papa Pio XI corporizou esta doutrina na sua Consagração da Humanidade ao Sagrado Coração de Jesus. Esta oração, que fez parte da liturgia oficial da Igreja até ao Vaticano II, é a seguinte: "Sede Rei de todos os que foram enganados por opiniões falsas e que a discórdia mantém à parte, e chamai-os de volta para o porto da Verdade e para a unidade da Fé, para que em breve haja um só rebanho e um só Pastor. Sede o Rei de todos os que ainda estão envolvidos pela escuridão da idolatria ou do Islamismo, e não deixeis de os atrair a todos para a Luz e o Reino de Deus."13

Esta oração, que é fiel à doutrina católica de sempre, revela que os membros de grupos heréticos e cismáticos, como o Protestantismo e a Ortodoxia Oriental, não são membros da Igreja. E que quem estiver ainda na escuridão da idolatria, como os hindus e os budistas, e também os muçulmanos, não fazem parte do Reino de Deus.

Podíamos dar muitos outros exemplos, mas estas citações chegam para demonstrar a doutrina da Igreja, invariável através dos tempos, com respeito a membros de religiões falsas. Mas é este ensinamento que é hoje ilegalmente rejeitado, posto de lado, desprezado e subvertido pelos Católicos da "Civilização do Amor", que constroem uma nova teologia ecuménica que abandona a doutrina tradicional por causa do seu sonho modernista.

A nova religião

Em 1963, o eminente teólogo Monsenhor David Greenstock avisou que, durante o Vaticano II, houve certos teólogos que tentaram inventar uma nova teologia ecuménica para o que consideravam as "necessidades modernas". Avisou que não pode haver uma "nova teologia" de unidade que rejeite, de qualquer maneira que for, a verdade de que os não-Católicos devem converter-se à Igreja Católica para a unidade e a sua salvação. E escreveu: "Não devia haver qualquer tentativa de criar uma nova teologia ecuménica para se adaptar à situação ecuménica."14

Ora foi precisamente isto que aconteceu no Concílio Vaticano II e no que se lhe seguiu. A "nova maneira" de ver os não-Católicos do Arcebispo Fitzgerald é precisamente a "nova teologia ecuménica" contra a qual Monsenhor Greenstock nos pôs de sobreaviso, por constituir uma traição dos Concílios de Trento e do Vaticano I.

De facto, o Concílio Vaticano I ensinou infalivelmente que nem sequer o Papa pode alterar um dogma definido (tal como "fora da Igreja Católica não há salvação").

Sobre esta matéria, o ensinamento do Vaticano I é: "O Espírito Santo não foi prometido ao sucessor de Pedro para que possa ensinar doutrinas novas por revelação do Espírito Santo, mas para que, por Sua ajuda, possa guardar a sagrada revelação transmitida pelos Apóstolos e o depósito da Fé, e para que a possa transmitir fielmente."15

O teólogo distinto Monsenhor Joseph Clifford Fenton empregou este texto para explicar: "O dogma católico é imutável... as mesmas verdades idênticas são sempre apresentadas ao povo como foram reveladas por Deus. O seu significado nunca muda."16

Portanto, nem sequer o Papa pode mudar a doutrina, ensinar doutrinas novas, ou interpretar a doutrina católica de maneira diferente da que foi ensinada nos últimos 2000 anos.

Acrescente-se a isto o Juramento contra o Modernismo que estes homens — o Reitor do Santuário de Fátima Monsenhor Guerra, o Cardeal Policarpo, o Padre Jacques Dupuis, e até os jovens diáconos dos anos 40 e 50 chamados Ratzinger, Kasper e Wojtyla — juraram perante Deus antes da sua ordenação. Parte desse Juramento é o seguinte:

"Professo sinceramente a doutrina da Fé que chegou até nós desde os Apóstolos, através dos Padres da ortodoxia, exactamente com o mesmo sentido e sempre com a mesma substância. Por isso, eu rejeito completamente a deturpação herética de que os dogmas evoluem e mudam de um sentido para outro, diferente do que a Igreja até então ensinava."

No fim, juram perante Deus:

"Prometo que conservarei fielmente estes artigos, inteira e sinceramente, e que os guardarei inviolados, não me desviando deles por qualquer modo que seja, tanto no que ensinar como no que disser ou escrever. Assim prometo, assim eu juro, pedindo o auxílio de Deus e destes Santos Evangelhos de Deus, eu que ponho a mão."17

Já Monsenhor Fenton sublinhou em 1960 que um sacerdote que promova o Modernismo depois de ter prestado o Juramento contra o Modernismo classifica-sea si próprio como um "pecador contra a Fé Católica e um vulgar perjuro".18

É trágico notar que os homens presentes neste Congresso pan-religioso em Fátima, assim como os clérigos e os prelados nos postos mais elevados em Roma, que prestaram o Juramento contra o Modernismo e que agora promovem a nova religião ecuménica, segundo a qual as verdades católicas de ontem devem ser postas de lado ou adaptadas para se encaixarem na nova religião ecuménica de hoje, violaram o Juramento que prestaram. Eles são, nas palavras de Monsenhor Joseph Clifford Fenton, "pecadores contra a Fé Católica e vulgares perjuros".

Juraram solenemente perante Deus que não mudariam a religião católica, e mudaram-na.

Rezemos por estes homens, mas livremo-nos de seguir o seu mau exemplo. E não estejamos parados enquanto eles subvertem o Santuário de Fátima, local santificado pelas aparições de Nossa Senhora, com a sua nova religião interconfessional. Por causa destes homens e dos seus delírios ecuménicos, o "Espírito de Assis," cujos erros pan-religiosos profanam tudo quanto é Católico, está à solta em Fátima.

É tempo de dizer "basta"! Não podemos estar indiferentes ao ultrage que está presentemente a decorrer em Fátima. Se não protestarmos, se não resistirmos, se não construirmos uma oposição vigorosa a esta vlasfêmia contra a Nossa Bem-Aventurada Mãe, não merecemos ser chamados filhos de Nossa Senhora.

Notas:

1. "Fatima to Become an Interfaith Shrine? An Account from One Who Was There," J. Vennari, Catholic Family News, Dezembro de 2003. Também na Internet em http://www.fatima.org/news/newsviews/sprep111303.asp. A tradução para português deste artigo ("Fátima irá tornar-se num santuário interconfessional? Um relato de alguém que esteve lá.") encontra-se neste site da Internet.

2. Ambos os artigos da Voz de Fátima foram traduzidos para inglês por Joseph Cain.

3. Pascendi; o sublinhado é nosso.

4. Citado de The Great Facade, p. 28. O sublinhado é nosso.

5. Em 398 AD, o Concílio de Cartago ensinou: "Ninguém deve rezar ou cantar salmos juntamente com hereges; e quem quer que comunique com os que foram desligados da Comunhão da Igreja, sejam eles clérigos ou leigos, que seja excomungado." Conc. Carth. iv. 72 e 73. Citado em The Sincere Christian, do Bispo George Hay, (James Duffy & Sons, Dublin - Imprimatur de G. J. Walsh, Arcebispo de Dublin) p. 555.

6. Na mesma altura, voluntários da Fatima Crusader do Padre Gruner estiveram também em Fátima para distribuir os folhetos Cronologia de um Encobrimento.

7. Documentation Information Catholiques Internationales, 29 de Novembro de 2003. (www.dici.org).

8. "Diálogo e Proclamação," Nº 6. Tirado do site da Internet do Vaticano.

9. Bula Cantate Domino, promulgada pelo Papa Eugénio IV no Concílio de Florença, 4 de Fevereiro de 1442.

10. Catechism of the Council of Trent, tradução de McHugh & Callan, (Rockford: Tan, nova edição de 1982), p. 101.

11. Monsenhor Joseph Clifford Fenton explica que a palavra "Igreja" tem um significado muito definido. Significa o Reino de Deus na terra, o povo da Aliança Divina, a única unidade social fora da qual não há salvação. Cf. "The Meaning of the Word ‘Church’," de Monsenhor Fenton, American Ecclesiastical Review, Outubro de 1954, reproduzido no Catholic Family News de Novembro de 2000 (Separata #519, que pode ser pedida ao CFN por $1.75.)

12. The Catechism of Pope Saint Pius X, (Primeira edição de 1910, re-editado pela Instauratio Press, Austrália), pp. 31 e 41.

13. Sobre os judeus, diz esta Consagração: "Volvei os Vossos olhos de misericórdia para os filhos daquela raça, que outrora foi o Vosso povo escolhido. Quiseram outrora que o Sangue do Salvador caísse sobre eles. Possa agora descer sobre eles para lhes dar a redenção e a vida."

14. "Unity: Special Problems, Dogmatic and Moral," do Padre David Greenstock, The Thomist, 1963. Cf. o comentário recente sobre este artigo, "Vatican II vs. the Unity Willed by Christ," de J. Vennari, Catholic Family News, Dezembro de 2000.

15. Vaticano I, Sessão III, Cap. IV, Dei Filius.

16. We Stand With Christ, Joseph Clifford Fenton, (Bruce, 1942), p. 2.

17. Juramento contra o Modernismo, promulgado pelo Papa S. Pio X em 1 de Setembro de 1910.

18. "The Sacrorum Antistitum and the Background of the Oath Against Modernism," de Monsenhor Joseph Clifford Fenton, The American Ecclesiastical Review, Outubro de 1960, pp. 259-260.




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