Ritual Hindu Realizado no
Santuário de Fátima

Mais um ultrage inter-religioso
com a bênção do Reitor do Santuário

por John Vennari

"Todas as invocações dos pagãos são odiosas aos olhos de Deus, porque todos os seus deuses são demónios."1 São Francisco Xavier escreveu estas palavras a Santo Inácio [de Loyola] sobre a religião pagã do Hinduismo. Encontrando-se na Índia por essa altura, S. Francisco Xavier reafirma pura e simplesmente a Verdade infalível das Sagradas Escrituras: "Os deuses dos gentios são demónios". (Salmo 95:5)

No entanto, a 5 de Maio de 2004 — Festa do Papa São Pio V —, a Capelinha das Aparições, em Fátima, foi cedida para aí se realizar uma cerimónia pagã hindu. Esta capela pequenina (normalmente chamada a Capelinha) está construída precisamente no sítio onde a Nossa Mãe Santíssima apareceu aos 3 pastorinhos, em 1917.

A notícia do serviço de adoração hindu em Fátima foi transmitida nesse mesmo dia pela SIC, uma cadeia nacional de televisão portuguesa. A Catholic Family News (CFN) falou, em Portugal, com duas pessoas – que não eram da mesma família nem relacionadas entre si – que viram a reportagem televisiva. No dia 22 de Maio, o Portugal News noticiava também o evento.2

Segundo a reportagem, um grupo de hindus chegados de autocarro foi autorizado a entrar no recinto do Santuário e a utilizar o Altar Católico no interior da Capelinha para os seus rituais. O locutor da SIC comentou: "Este é um momento único e sem precedente na história do santuário. O "sacerdote" hindu, ou Shastri, recita no altar a Shanti Pa, a oração pela paz."

Acontece que semelhante ultrage aconteceu com a bênção de Mons. Luciano Guerra, Reitor do Santuário. Ninguém pode utilizar a Capelinha sem a sua autorização.

Os hindus vestiam os seus trajes tradicionais e o "sacerdote", usando também as vestes tradicionais hindus, dirigia a cerimónia que consistia na oferta de flores e alimentos. Tudo isto parece indicar que os hindus realizavam a puja, ritual pagão no qual a cerimónia central é a oferta de flores e de alimentos.

Depois do serviço de adoração pagã no Altar Católico, as autoridades do Santuário levaram os hindus a visitar a maquette da nova Basílica de Fátima – enorme, arredondada e de linhas modernistas –, actualmente em construção: um “monstro” de cinquenta milhões de dólares que é uma nódoa na paisagem das Aparições de Nossa Senhora.

Uma jovem hindu aparece na reportagem a dizer por que razão eles vão a Fátima: porque há muitos deuses, cada um deles com a sua esposa ou companheira – e é ela que traz a boa sorte. Ora isto é uma blasfémia contra a Rainha do Céu, porque a nossa Mãe Santíssima é colocada ao mesmo nível dos falsos deuses, como se fosse uma espécie de ‘esposa’ ou ‘companheira’ de algum deles!

Logo, os hindus não vieram a Fátima nem para tomarem parte numa oração católica, nem sequer para aprenderem da sua Mensagem.3 O que eles fizeram foi, antes, ‘revestir’ aquilo que de sagrado aconteceu em Fátima com as suas superstições e mitos pagãos.

Estes hindus, que pertencem a uma comunidade de poucas centenas, vivem em Lisboa, onde possuem um templo. A reportagem da SIC mostrou a sua casa de adoração, que continha as muitas estátuas dos seus deuses e deusas.

Diz-se também que os peregrinos que testemunharam este acontecimento em Fátima ficaram escandalizados; mas Mons. Guerra, Reitor do Santuário Mariano de Fátima, defendeu que o seu uso fosse aberto a cerimónias pagãs.

Ao aparecer na televisão portuguesa, Mons. Guerra repetiu o já estafado slogan ecuménico, de há muito desacreditado, de que as diferentes religiões devem concentrar-se naquilo que nós temos em comum e não no que nos separa. Acrescentou ainda que todas as religiões são boas, porque nos conduzem até Deus. Ora, como foi tratado em anteriores edições de Catholic Family News, o princípio de que "todas as religiões levam até Deus" é nada mais nada menos do que um dos princípios fundamentais da Maçonaria. O maçon francês, Yves Marsaudon, escreveu mesmo: "Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria".4

Continuação da Nova Orientação Ecuménica

Recordar-se-ão os leitores de que este Mons. Guerra foi o anfitrião do Congresso Interconfessional de Fátima, em Outubro de 2003. Eu viajei propositadamente até Fátima para assistir a esse evento e relatei-o em números recentes da CFN: tal Congresso teria horrorizado todos os Papas pré-Vaticano II, se acaso algum deles ali tivesse entrado.

Os primeiros dois dias do Congresso foram dedicados a alguns oradores "católicos" que promoviam a agenda ecuménica. No terceiro dia — Domingo —, representantes do Catolicismo, da Igreja Cismática Ortodoxa, do Anglicanismo, do Hinduísmo, do Islamismo e do Budismo deram, cada um, testemunho da importância do "santuário" dentro dos seus variados credos. No Congresso:

Estes e outros ultrages ali proclamados só provocaram louvores e aplausos por parte do auditório. Entre os que aplaudiam encontravam-se: o Reitor Guerra, do Santuário; o Bispo de Leiria-Fátima; e o Delegado Apostólico em Portugal.5 (Eu próprio fui uma testemunha visual da sua reacção). Quanto a D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, como ao Arcebispo Fitzgerald, do Conselho Pontifício do Vaticano para Promover a Unidade dos Cristãos, ambos se manifestaram de forma aprobatória em relação aos erros ecuménicos declarados no Congresso.6

Vieram também à superfície notícias de que Fátima iria tornar-se agora um "santuário interconfessional", no qual seria permitido que todas as religiões realizassem os seus rituais pagãos – anúncios sobre os quais o Arcebispo Fitzgerald e o Reitor Guerra produziram apenas desmentidos ‘deslavados’, ambíguos, que só vieram confirmar a actual orientação ecuménica e pan-religiosa que encobertamente vai progredindo em Fátima.7

Também por causa de tais desmentidos (mesmo não sendo convincentes), muitos indivíduos superficiais (mas que tinham obrigação de compreender melhor as coisas) logo exclamaram que, afinal, não há qualquer perigo de Fátima perder a sua identidade católica — e isto só porque as autoridades da Igreja nos disseram que Fátima não virá a ser um santuário interconfessional.

25 de Abril, EWTN - Numa entrevista com o Padre Mitch Pacwa, o P.e Robert Fox garantiu aos espectadores que tudo o que se ouve dizer sobre o que se passa em Fátima é uma "mistificação", pois Fátima conservará a sua identidade católica. Porém, a recente cerimónia hindu que aí decorreu mostra bem a falsidade das declarações do P.e Fox. E dá também a entender que tanto o P.e Fox como a EWTN são culpados pela neutralização de uma saudável resistência por parte dos Católicos contra tais ultrages interconfessionais.

À frente de todos eles está o Padre Robert J. Fox que, numa recente edição do seu Immaculate Heart Messenger [Mensageiro do Coração Imaculado],8atacou aqueles que resistem à nova orientação ecuménica em Fátima e defendeu Mons. Guerra.9

Tudo isto significa que o Padre Robert J. Fox concorda com os ultrages perpetrados no Congresso de Monsenhor Guerra, em Outubro de 2003. E só podemos concluir que o P.e Fox:

Se assim não fosse, porque teria o P.e Fox defendido Mons. Guerra e o seu Congresso ecuménico onde ele, Guerra, aplaudiu todas estas excentricidades?

O P.e Fox garante aos seus leitores que "Fátima Conservará a Sua Identidade Católica" – coisa que voltou a dizer em Abril último, numa entrevista na EWTN, com o Padre Mitch Pacwa. Aí, o P.e Fox ridicularizou aqueles (de entre nós) que alertaram sobre a nova orientação interconfessional em Fátima, afirmando que as recentes histórias a respeito de Fátima não passavam de "mistificações" e garantindo aos telespectadores que, a despeito do que se ouve dizer sobre os acontecimentos em Fátima, não há qualquer motivo de preocupação.

Contudo, esta recente cerimónia hindu em Fátima demonstra bem como são fraudulentas as "garantias" do P.e Fox. (Para uma excelente resposta dada ao P.e Fox, leia-se Christopher Ferrara, "Father Fox’s Modernist Assault on Fatima").

Portanto, tanto o P.e Fox como o P.e Pacwa e a EWTN têm culpa, por neutralizarem a resistência saudável que milhares de Católicos deveriam organizar contra os ultrages que foram perpetrados em Fátima. Com efeito, eles colocaram-se ao lado daqueles que, de bom grado, permitiriam a realização de cerimónias pagãs no interior do Santuário Católico de Fátima. Como eu lamento aqueles que põem os olhos no P.e Fox e que sintonizam a EWTN confiados em que ouvirão a verdade!10

Igualmente, a Zenit News de 13 de Maio divulgou um artigo, regozijando-se com o facto de que a construção, em Fátima, do novo e futurista Santuário está a avançar, apesar da controvérsia em torno do alegado "santuário interconfessional"11.

Ora, nos meus artigos repetidas vezes chamei a atenção para este assunto (Veja-se a Nota 6 para obter links para estes artigos) –, não interessa se esse local é designado formalmente ou não como um "santuário interconfessional". Agora que a mentalidade ecuménica é aceite pelos responsáveis de Fátima (eu disse-o no artigo "O local das aparições de Fátima irá tornar_se uma instalação "interconfessional"?), "é só uma questão de tempo antes que uma tal blasfémia" – a realização de rituais pagãos em Santuários Católicos – "tenha lugar em Fátima".

Passados apenas cinco meses depois da publicação destas palavras, a blasfémia aconteceu. Agora, o Santuário de Nossa Senhora de Fátima — com a bênção do Reitor Guerra — foi usado para uma adoração pagã.

Tal blasfémia não incorrerá nas bênçãos de Deus, mas sim na Sua ira. O Senhor Deus diz-nos isso mesmo, de um modo solene, na Sagrada Escritura: "Porque Eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento…" (Deut. 5:9)

Imaginem por um momento como reagiria o Profeta Isaías, se soubesse que o Sumo Sacerdote do Templo de Jerusalém permitia que o Santo dos Santos fosse usado para adoração hindu ou cerimónias pagãs? Como Profeta que era do Único Deus Verdadeiro, seria possível que ele, esboçando um sorriso ecuménico, dissesse: "Oh que alegria! Porque todas as religiões nos levam até Deus!"? Seria possível?

Bem longe disso. Se tal blasfémia tivesse acontecido no Templo à época de Isaías, o seu resultado teria originado, muito provavelmente, a expulsão dos Israelitas para o exílio.

No Antigo Testamento, o Senhor Deus não disse aos Israelitas que "aquilo que os une aos pagãos é maior que aquilo que os separa". Na verdade, cada vez que os Israelitas tomavam parte em adorações — ou outros ‘deslizes ecuménicos’ — juntamente com religiões pagãs, o Senhor Deus olhava tais acções situando-as ao mesmo nível da prostituição; e a Sua Justiça inflingia-lhes severos castigos.12

O que era verdade para a única e verdadeira religião do Antigo Testamento é ainda mais Verdade para a Única e Verdadeira Religião do Novo Testamento (a Igreja Católica) – que veio substituir e aperfeiçoar os ritos e cerimónias do Antigo Testamento.

Por isso, o conteúdo do Primeiro Mandamento é: "Eu sou o Senhor teu Deus. Não terás deuses falsos perante Mim". Ora os ‘deuses’ do hinduismo são falsos, e toda a humanidade está proibida de os adorar. Como bem explicou São Francisco Xavier, "Todas as invocações dos pagãos são odiosas aos olhos de Deus, porque todos os seus deuses são demónios."

Fidelidade à Tradição Católica vista como "Talibanismo"

Foi então, em 7 de Maio de 2004, que o Notícias de Fátima, um jornal local em Fátima em boas relações com o Santuário, publicou uma defesa da nova orientação ecuménica. Continha um artigo intitulado "Movimentos radicais contra ecumenismo" que se atirava à "Carta aberta aos fiéis de Portugal sobre o escândalo no Santuário de Fátima" que a organização do Padre Nicholas Gruner tinha publicado em três jornais portugueses.13

Nesse artigo de 7 de Maio, Mons. Guerra defendia a iniciativa ecuménica, dizendo que o Santuário “está aberto à universalidade e para diálogo com as outras práticas de fé, segundo a já longa prática da Igreja."

Ora o "longo tempo" a que Guerra se refere não são mais do que os caóticos 40 anos pós-Vaticano II, um tempo de novidades sem precedente que geraram a maior crise de Fé na história da Igreja. Durante os mil novecentos e sessenta e dois anos antes do Concílio Vaticano II — ou seja, desde que Jesus Cristo fundou a Sua Igreja —, todos os Papas condenaram unanimemente o tipo de ecumenismo e de diálogo inter-religioso praticados a seguir ao Concílio, como sendo graves pecados contra a Fé.

O Notícias de Fátima citava então frei Fernando Valente, dos Capuchinhos, que dizia: "São movimentos com uma posição tradicionalista e fundamentalista que pararam no tempo e estão teológica e mentalmente ao nível dos Taliban."

Continua o Notícias de Fátima, comentando: "Considerando este ‘talibalismo católico’ nada saudável, o frei Valente lembra que ‘É possível pôr a bíblia a dizer qualquer coisa.’ É o que fazem esses movimentos radicais, acrescenta, lembrando que ‘é preciso ler a bíblia com o espírito com que foi escrita’."

Portanto, os Católicos fiéis à Tradição são comparados aos "Talibans" – nome calculado para nos fazer parecer gente de má-fé, maus, bárbaros e, se possível, desprovidos de qualquer razão. Assim, de acordo com o Frei Valente e com Mons. Guerra, agora é considerado crime ser-se Fiel à Verdade Católica, tal como Ela foi sempre ensinada pela Igreja através dos séculos, e pelos consistentes ensinamentos dos Papas.

Vivemos, de facto, uma situação semelhante à do Século IV da era Cristã, quando perto de 80% dos bispos do mundo caíram na heresia do Arianismo. Nesse tempo, São Basílio lamentava: "Só um delito é agora vigorosamente castigado: a observância estrita às tradições dos nossos Pais."14 Do mesmo modo, a história do Catolicismo condena a maioria dos que aceitam novos ensinamentos e louva a minoria daqueles que conservam a Tradição. Isto é uma lição para todos nós.

Frei Valente orienta erradamente o leitor ao dizer-lhe que “É possível pôr a bíblia a dizer qualquer coisa.”, e ainda que "É o que fazem esses movimentos radicais".

Porque a oposição católica ao ecumenismo não tem nada a ver com uma interpretação subjectiva das Escrituras; tem a ver, sim, com uma fidelidade objectiva ao dogma católico. É a própria Igreja Quem nos ensina a interpretar diversos pontos das Escrituras, ao definir solenemente uma Verdade – esteja Ela nas Escrituras ou na Tradição.

Uma vez que a Igreja pronuncie uma definição solene, não é permitido aos Fiéis interpretarem as Escrituras diferentemente dessa infalível Verdade Católica (muito menos contra Ela).15 Isto, porque tal definição solene da Igreja nos ensina o "espírito no qual está escrita" esta ou aquela passagem do Evangelho; deste modo, os Fiéis não podem afastar-se d’Ele em nome de um delírio de novidade ecuménica.

Ao lamentar os Católicos que "pararam no tempo", Frei Valente revela-se a si mesmo como modernista: é o modernismo que diz que as Verdades religiosas de ontem devem ser descartáveis, para dar lugar a novas "verdades" religiosas de hoje.16 

Frei Valente, que rejeita a tradição de um modo tão leviano e insta os outros a que façam o mesmo, esquece-se da solene condenação infalível tal como é ensinada pelo Segundo Concílio de Niceia:

"Quem quer que rejeite alguma tradição da Igreja, seja ela escrita ou não, seja esse considerado anátema."17

É por isso que ninguém – nem todos os Reitores Guerra nem os P.es Fox nem os Freis Valente do mundo inteiro, por muito que gritem e por muito que reprovem os Fiéis Católicos — pode mudar este dogma católico infalível de que "fora da Igreja Católica não há salvação".

A 7 de Maio de 2004, o Notícias de Fátima, um jornal local em boas relações com o Santuário de Fátima, publicou uma defesa (fraca) da nova orientação ecuménica: tratava como "Talibans" os Católicos que resistem ao ecumenismo.

O Concílio de Florença definiu como infalível que "não só pagãos como também judeus, heréticos e cismáticos" estão "fora da Igreja Católica" e que, como tal, nenhum desses "poderá ter parte na vida eterna" – a não ser que, "antes de morrer", se una à Única e Verdadeira Igreja de Jesus Cristo: a Igreja Católica.18 No entanto, o Padre Jacques Dupuis – que chama a este dogma definido no Concílio de Florença um "texto horrível" que se deve atirar para o lixo – é aplaudido por Monsenhor Guerra.

O Catecismo do Concílio de Trento, fiel à Verdade perene, ensina que os "infiéis, hereges, cismáticos e pessoas excomungadas" estão "excluídos do seio da Igreja".19 Por outras palavras: protestantes, judeus, maometanos, hindus, budistas, etc., não pertencem à Igreja Católica, que é o Reino de Deus na terra.20

Quantas vezes será necessário repetir o imutável ensinamento dos Papas acerca deste dogma – ensinamento fundamental contra os ecumenistas de hoje, que afirmam que a salvação se pode encontrar em qualquer religião? Vejamos só alguns exemplos:

-Papa São Gregório Magno (590-604): "Ora a Santa Igreja Universal proclama que Deus não pode ser verdadeiramente adorado senão no seio da própria Igreja, sublinhando deste modo que todos aqueles que estão fora d’Ela nunca hão-de ser salvos."21

-Papa Pio VIII (1829-1831): "(...) Nós professamos que fora da Igreja Católica não há Salvação (...) a Igreja é a ‘coluna e sustentáculo da Verdade’, como ensina o Apóstolo S. Paulo (Epís. 1 Tim. 3,15). É referindo-se a estas palavras que Santo Agostinho diz: ‘Quem quer que esteja fora da Igreja não fará parte do número dos Seus filhos; assim, quem não quiser ter a Igreja por Mãe também não há-de ter a Deus por Pai’."22

-Papa Gregório XVI (1831-1846): "Não é possível adorar a Deus verdadeiramente a não ser n’Ela (a Igreja Católica); todos os que se encontram fora d’Ela não se salvarão."23

-Bem-Aventurado Papa Pio IX (1846-1878): "Deve sustentar-se como matéria de Fé que, fora da Igreja [Católica] Apostólica Romana, ninguém pode salvar-se; que é esta a única Arca da Salvação; que todo aquele que n’Ela não tiver entrado perecerá no dilúvio."24

-Papa Pio XI (1922-1939): "Só a Igreja Católica detém a verdadeira adoração. Ela é a fonte da Verdade, Ela é a Casa da Fé, Ela é o Templo de Deus; se alguém não entrar n’Ela, ou se alguém d’Ela se afastar, ficará como um estranho fora da esperança da vida e da Salvação."25

- E o Papa Pio XII queixava-se em 1950, na Encíclica Humani Generis: "Alguns reduzem a uma fórmula sem sentido a necessidade de pertencer à Verdadeira Igreja, em ordem a ganharem a eterna Salvação."

Esta queixa, expressa por Pio XII, bem poderia acertar no alvo se se dirigisse aos Reitores Guerra, aos P.es Fox, aos Freis Valente e a todos os que, estando em postos elevados, não só abandonaram este dogma infalível, como censuram severa e publicamente os Católicos que defendem esta Verdade Divinamente Revelada.

Um dogma definido não pode mudar

Note-se ainda que o Concílio Vaticano Primeiro definiu solenemente que não é permitido, nem sequer a um Papa, ensinar uma doutrina nova, mudar a doutrina ou interpretar o dogma católico de um modo diferente daquele segundo o qual ele foi sempre ensinado. Os próprios Papas estão limitados pelas definições dogmáticas e pelo ensinamento, imutável e consistente, destas doutrinas através dos séculos.26

A este propósito, o eminente Cardeal John Henry Newman (do séc. XIX) citou, num sermão, uma Carta Pastoral dos Bispos da Suíça referindo-se à Infalibilidade Pontifícia, e àquilo que um Papa pode ou não pode ensinar. Nesta Carta Pastoral, que recebeu a aprovação do Bem-aventurado Pio IX, os Bispos Suíços afirmaram claramente qual é a Doutrina Católica sobre este assunto:

"De modo algum depende do capricho do Papa, ou do seu bel-prazer, fazer desta ou daquela doutrina o objecto de uma definição dogmática. Ele está ligado e limitado à Revelação Divina e às Verdades que essa revelação contém. Ele está ligado e limitado pelos Credos já existentes, e pelas definições anteriores da Igreja. Ele está ligado e limitado pela Lei Divina, e pela constituição da Igreja ..."27

Mas o ecumenismo de hoje é uma nova doutrina que afirma 1) que os não-Católicos não precisam de se converter à Igreja Católica para atingirem a unidade e obterem a sua própria Salvação, e 2) que as falsas religiões, com os seus deuses pagãos, são "parceiros iguais no diálogo" com a Única e Verdadeira Igreja fundada por Cristo. E isto é contrário à Revelação Divina, contrário aos Credos já existentes, contrário às definições anteriores da Igreja. Nenhuma autoridade da Igreja pode forçar um Católico a abandonar o Seu ensino tradicional, para adoptar esta novidade.28

Com efeito, em 1928, na sua Encíclica Mortalium Animos, o Papa Pio XI condenou este tipo de ecumenismo que tem vindo a ser alimentado desde o Concílio, dizendo que a Santa Sé "nunca permitiu" aos seus súbditos que tomassem parte em assembleias ecuménicas, "nem é lícito que os Católicos apoiem ou trabalhem em tais iniciativas (ecuménicas), pois, se assim fizerem, estarão a dar expressão a um falso Cristianismo, completamente alheio à Igreja Una de Cristo".

O Santo Padre Pio XI estatuiu que "A Unidade só pode existir quando deriva de uma só autoridade de ensino, de uma só Lei de Crença, de uma só Fé dos Cristãos", e reiterou a Verdade de que a única e verdadeira unidade só pode advir do regresso dos não-Católicos à Única e Verdadeira Igreja de Cristo.

Disse ainda que tais iniciativas ecuménicas são cheias de "belas e apelativas palavras, para encobrirem um erro extremamente grave, subversivo à Fé Católica".29

Bispos Holandeses contra o Ecumenismo

Vinte anos depois de Pio XI ter dito estas palavras, é-nos dado ver um exemplo magnífico de fidelidade a este ensinamento, vindo do episcopado de uma nação.

Foi em 1948 que os Bispos Católicos da Holanda publicaram uma Carta Pastoral, demonstrando as razões pelas quais os Católicos não podiam ter nada a ver com a "Assembleia de Amsterdão", que era uma reunião ecuménica do Conselho Mundial das Igrejas.

"Não se põe sequer a questão" – disse a hierarquia holandesa – "de a Santa Igreja Católica vir a tomar parte no Congresso de Amsterdão."

E os Bispos holandeses explicaram porquê:

"Tal distanciamento não se baseia em qualquer receio de perder prestígio ou em qualquer outra consideração meramente táctica. Esta atitude procede unicamente da convicção que a Igreja possui de que Ela deve permanecer inabalavelmente fiel à missão que Lhe foi confiada por Jesus Cristo. Porque Ela é a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica que foi fundada por Jesus Cristo, a fim de que, através d’Ela, a Sua obra de Salvação pudesse ser continuada até ao fim dos tempos; Ela é o Corpo Místico de Cristo; Ela é a Esposa de Cristo. E é n’Ela que essa unidade existe de modo imperecível; pois Cristo prometeu-Lhe que ‘as portas do inferno não prevalecerão contra Ela’ (Matt. 16:18).

"Por isso é que só pode pôr-se um fim às divisões entre Cristãos de um único modo: regressando a Ela; regressando ao seio da unidade que Ela sempre preservou no seu interior. Mas se, acaso, a Igreja Católica fosse participar nesse esforço comum para uma nova unidade religiosa – e isto em pé de igualdade com as outras [igrejas] –, então, ao fazer isso, Ela estaria a admitir que a unidade, desejada por Cristo, já não continua no seu seio e que, por essa razão, Ela já deixou de ser a verdadeira Igreja de Cristo. Com efeito, é precisamente pelo seu distanciamento que Ela não cessa de manifestar que, no seu seio, a unidade – tal como Cristo a desejou – tem sido sempre preservada e que, no seu seio, a unidade permanece acessível a todos."30

E os bispos holandeses continuam a afirmar que não pode haver unidade sem unidade de Fé, ou seja, unidade de crença nas Verdades ensinadas pela Igreja e reveladas por Deus.

É esta a Verdade ensinada através dos séculos: que a Igreja Católica é a Única Verdadeira Igreja estabelecida por Cristo, e que Ela não se deve pôr ao lado das falsas religiões "em busca da unidade" — essa unidade, já a Igreja Católica a possui.

Mais tarde, foi o Papa Leão XIII quem, com verdade, ensinou que tratar todas as religiões no mesmo plano de igualdade é "adoptar uma linha de acção que conduz ao abandono de Deus", por dar a impressão de que todas as religiões são verdadeiras, apesar das suas doutrinas contraditórias. Ora isto é não só falho de razão, como também, do ponto de vista prático, conduz ao ateísmo os homens que ainda não rejeitaram o princípio da contradição. Porque acabariam por acreditar que, se todas as religiões são [tidas como] verdadeiras, então é porque nenhuma delas o é, uma vez que tais religiões "verdadeiras" se contradizem umas às outras!

Este ecumenismo põe ainda à mercê do acaso a salvação de milhões de almas, quando membros influentes da Única Verdadeira Igreja, a única Arca da Salvação, vêm agora dar a impressão, pelas suas palavras e obras, que os não-Católicos podem encontrar a salvação na escuridão do paganismo, ou na falsidade de crenças feitas pelo homem. Deste modo estão a escandalizar os não-Católicos, fazendo-lhes crer que é desnecessário converterem-se à Única Verdadeira Igreja de Cristo para obterem a Salvação. Mais ainda: é uma traição que fazem ao Divino Mandato de Cristo. Nosso Senhor disse aos Seus Apóstolos "Ide e ensinai"; não disse: "Ide e dialogai".

Claro que Mons. Guerra ignora estas verdades católicas básicas e abre o Santuário de Fátima à realização de rituais hindus num altar católico. Esta blasfémia torna necessária a reconciliação da Capelinha das Aparições, por ela ter sido agora profanada pela adoração pagã de falsos deuses.

Deve também notar-se que o Bispo de Leiria-Fátima proíbe a Missa Tridentina em Latim na sua diocese – o que significa que o Santuário de Fátima pode ser usado para cerimónias hindus, mas não para a Missa Católica de todos os tempos. A "desorientação diabólica" destes homens nunca se revelou tão diabólica: por aqui podemos ver a dimensão do seu ódio à verdadeira Fé Católica e, pelo contrário, o amor que devotam a rituais pagãos de uma religião cujos "deuses são demónios".

Capelinha das Aparições em ruínas
Em 1922, os maçons portugueses colocaram quatro bombas na Capelinha, a primeira a ser construída no sítio onde Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos. A explosão, de 5 para 6 de Março, danificou muito a pequena capela, abrindo-lhe um buraco mesmo por cima, no telhado (foto acima). Agora, em Maio de 2004, a Capelinha é de novo profanada. Só que, em vez das bombas da Maçonaria, a arma usada foi a religião ecuménica da Maçonaria – que leva hindus a realizarem cerimónias pagãs em Santuários Católicos e proclama a mentira de que "todas as religiões conduzem a Deus".

Uma Segunda Profanação

Em 1922, a Maçonaria portuguesa colocou quatro bombas na primeira Capelinha, construída no sítio onde Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos. Foram detonadas de 5 para 6 de Março, e danificaram seriamente a capela, abrindo-lhe um buraco mesmo por cima, no telhado. A 13 de Maio do mesmo ano celebrou-se uma Missa de Reparação, a que assistiram vinte mil pessoas. No dia 13 de Outubro seguinte, eram já quarenta mil almas a assistirem à Missa. Pelo final desse ano de 1922, a Capelinha foi reconstruída.31

Agora, em Maio de 2004, a Capelinha é de novo profanada. Só que, desta vez, usaram outra arma: não foram as bombas da Maçonaria, mas a religião ecuménica da Maçonaria, que autoriza hindus a realizarem cerimónias pagãs em capelas católicas, e que proclama a mentira de que "todas as religiões conduzem a Deus". E desta vez não haverá nem Missa de Reparação por este sacrilégio, nem procissões públicas pedindo perdão a Deus, nem reconciliação imediata da Capela. Pelo contrário: o P.e Guerra, Reitor do Santuário, o P.e Robert J. Fox e os diversos apologistas da "Nova Fátima" continuarão a atacar todos os que defendem a perene Verdade Católica contra tais blasfémias que bradam aos Céus por vingança.

Não nos ocupemos com estes guias cegos – e oremos para que eles se convertam, voltando ao Catolicismo da sua juventude. Eles abandonaram a Fé Católica de São Francisco Xavier, dos Papas Pio IX, Pio X, Pio XI e Pio XII. Eles promoveram uma nova religião modernista que pretende que as Verdades Católicas de ontem têm de ser espezinhadas para se abrir caminho para as novas "verdades" ecuménicas de hoje. Eles violaram o seu Juramento Contra o Modernismo e, como tal, nas palavras de Mons. Joseph Clifford Fenton — na ordem objectiva — eles não passam de "pecadores contra a Fé Católica e vulgares perjuros."32

Quanto a nós, permaneceremos firmes na nossa pública resistência à nova orientação ecuménica. Continuemos a oferecer Missas, Terços e Orações de Reparação pelas blasfémias contra o Imaculado Coração de Maria que agora, em Fátima, são perpetradas por aqueles mesmos homens que deveriam ser os Seus defensores.

-Nossa Senhora, Vencedora de todas as Heresias, rogai por nós.

Notas:
  1. James Brodrick, S.J., Saint Francis Xavier (New York: Wicklow Press, 1952), p. 135.


  2. "Hindus Worship at Fatima Altar" ["Hindus Rezam no Altar de Fátima"], Portugal News, 22 de Maio de 2004.


  3. Não há nenhum mal em que pessoas não-Católicas visitem um Santuário Católico, tanto para a) saberem a Quem é devotado aquele Santuário, como para b) conhecerem algo mais sobre a oração ou a devoção católicas, ou para c) pedirem ao Verdadeiro Deus que as ilumine e conduza até à Verdade. E isto deve ser dito, pois a nossa oposição ao Santuário Interconfessional tem sido falsamente interpretada como significando que nós defendemos que nunca deveria ser permitido aos não-Católicos entrarem num Santuário Católico. Ora não é nada disso! Por exemplo, o Judeu Alphonsus Ratisbonne, acérrimo anti-católico, foi miraculosamente convertido à Fé Católica quando visitou a Igreja de Sant’Andrea delle Fratte, em Roma. Também o anti-católico Dr. Félix Leseur foi miraculosamente convertido ao Catolicismo, quando visitou o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes. O que é profundamente errado na orientação actual da Igreja é ser agora permitido aos não-Católicos (conservando eles a sua condição de não-católicos) realizarem os seus ritos no Santuário: 1) é-lhes permitido celebrar os seus rituais pagãos (e invocar os seus falsos deuses) no interior da Igreja Católica; e 2) foi-lhes dito que não havia qualquer necessidade de se converterem à Única e Verdadeira Igreja de Cristo para obterem a eterna Salvação.


  4. São da autoria do maçon francês Yves Marsaudon estas palavras de aprovação: "Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria (…) No nosso tempo, o nosso irmão Franklin Roosevelt exigiu para todos eles a possibilidade de ‘adorarem a Deus, seguindo os seus princípios e as suas convicções.’ A isto chama-se tolerância, e é também ecumenismo. Nós, os Maçons tradicionais, permitimo-nos parafrasear e transpor esta frase de um famoso homem de estado, adaptando-a às circunstâncias: Para nós, dizer Católicos – ou Ortodoxos, Protestantes, Judeus, Muçulmanos, Hindus, Budistas, livres-pensadores, livres-crentes – é dizer, tão somente, o primeiro nome de cada um; o apelido, o nome da nossa família é Maçonaria." – Cf. Yves Marsaudon, Oecumènisme vu par un Maçon de Tradition (pp. 119-120). A tradução para Inglês é citada de Peter, Lovest Thou Me? [-Pedro, tu amas-Me?] (Instauratio Press, 1988), p. 170; excepção feita à primeira linha – "Pode-se dizer ..." – que foi traduzida para Inglês por S.M. Rini.


  5. Deve notar-se que o Delegado Apostólico só esteve presente nas sessões de Sábado – o que incluíu o ultrajante discurso do Padre Jacques Dupuis. Portanto, já não foi em presença do Delegado Apostólico que, na sessão de Domingo, as diversas religiões deram testemunho da importância de um "santuário".


  6. As minhas três anteriores comunicações ao Congresso de Fátima are: "Fátima vai ser um santuário interconfessional. Relato de alguém que esteve lá", Catholic Family News, Dezembro de 2003; "Mais notícias sobre o Programa Interconfessional em Fátima", Catholic Family News, Janeiro de 2004; "O Reitor do Santuário confirma a nova orientação ecuménica em Fátima", Catholic Family News, Fevereiro, 2004.


  7. Por exemplo, o Comunicado do Santuário de Fátima de 28 de Dezembro diz que a única vez que o Reitor do Santuário falou no Congresso foi na Sessão de Encerramento, e transcreve o seguinte do seu discurso: "É verdade que (...) estamos todos ainda muito longe de caminhar para uma única, ou por uma única ponte. E poderíamos, por isso, tranquilizar-nos, uma vez que, se a ponte de um estiver a ruir, pode ser que a ponte do lado não esteja. Mas também é verdade que uma doença epidémica parece ter ameaçado a fé de todas as religiões, de todas as confissões, de todas as tradições, nestas últimas décadas. E por isso regozijamo-nos pela presença fraterna dos representantes de várias correntes espirituais e estamos certos de que a sua presença veio abrir um caminho para maior abertura futura deste Santuário, que parece já, por providência divinia, vocacionado para contactos e para o diálogo (…) quase explícitamente, com as igrejas orientais, ortodoxas e católicas, na mensagem do Anjo da Paz; e com a religião islâmica, pelo próprio nome que Deus quis escolher para a terra onde havia de aparecer Maria: Fátima.” (ênfase acrescentada). Tais palavras confirmam nitidamente a nova orientação ecuménica em Fátima.


  8. Immaculate Heart Messenger, April-June, 2004. Nestes artigos patéticos, o P.e Fox fez uma série de ataques ad hominum (ataques pessoais) contra o Padre Nicholas Gruner. Mas até agora o P.e Fox não se queixou com respeito a Mons. Guerra – mesmo tendo lido os meus artigos, onde eu explicava que tinha sido testemunha ocular dos ultrages ecuménicos no Congresso de Mons. Guerra, incluindo o discurso do P.e Dupuis e a Comunicação do P.e Irudayam (na qual ele anunciou que agora os hindus fazem os seus rituais dentro do Santuário). E como eu também dizia no meu artigo (de onde o P.e Fox tirou citações para a sua revista) que tinha gravado todas aquelas conferências, o P.e Fox bem sabe que estou a dizer a verdade acerca do que ali aconteceu. Portanto, ele concorda, obviamente, que os ultrages ecuménicos perpetrados no Congresso de Mons. Luciano Guerra são algo de bom e digno de louvor.


  9. Além disso, o P.e Fox defende também a opinião de que Fátima precisa de um Santuário maior. Mas ninguém diz o contrário! Eu próprio, que estive em Fátima, tenho consciência de que a actual Basílica não comporta grandes multidões. Mas isso não obriga as autoridades de Fátima a construírem uma estrutura neo-modernista horrenda, que parece um hangar futurista para alguma nave espacial. Porque não erigir uma igreja maior que seja bela e majestosa, e que reflicta o glorioso património da arquitectura católica que infunde reverência e edificação? Ora aquilo que está a ser construído não inspira nada disto. Recordo o eminente teólogo Mons. Rudolph Bandas, citando o Cardeal Constantini, Presidente da Academia Pontifícia de Arte, que, com exactidão, classificou a arte e a arquitectura modernas aplicadas a igrejas católicas como "blasfémias visuais". Cf. Mons. Rudolph Bandas, "Modernistic Art and Divine Worship" ["Arte Moderna e Adoração Divina"], Outubro de 1960. Reimpr. in Catholic Family News, Abril de 2004 (Separata Nº 930, disponível na CFN por US$1.75).


  10. O Padre Mitch Pacwa disse aos telespectadores, no seu programa, que a EWTN tinha chamado o P.e Fox para lhes contar o que se passava em Fátima – embora este não tivesse estado presente no Congresso de Outubro. “Curiosamente”, a EWTN nunca contactou a CFN, para investigar a verdade daquilo que nós dizíamos – embora nos meus relatórios eu tivesse publicado que 1) tinha assistido, em Fátima, ao Congresso Inter-religioso; e que 2) eu era uma testemunha presencial de tudo o que tinha ocorrido, inclusive as afirmações heterodoxas do Padre Jacques Dupuis.


  11. "Fatima’s New Church Moves Ahead" ["A Nova Basílica de Fátima Avança"], in Zenit News, 13 de Maio de 2004.


  12. Veja-se, por exemplo, Ezequiel, Capítulo 15, especialmente os vers. 35 e ss.; Salmo 105, vers. 28-43; Oseias, Capítulo 3, vers. 1, e Capítulo 4, vers. 12-14.


  13. Esta "Carta Aberta", publicada na edição de Maio de 2004 de Catholic Family News, encontra-se também na página web (ver artigos relacionados).
  14. S. Basílio Magno (ca. 330-ca. 379), Epistulae, numa carta dirigida aos bispos de Itália e da Gália (em 376).


  15. Nem nós tãopouco podemos interpretar as Escrituras livremente, indo contra os ensinamentos consistentes do Magistério Ordinário através dos séculos: ou seja, qualquer doutrina católica que a Igreja sempre ensinou, mesmo que não tenha sido objecto de uma definição dogmática.


  16. Ensinou o Papa São Pio X in Pascendi, a sua Encíclica Contra o Modernismo: "Mas para os Católicos nada retirará a autoridade do Segundo Concílio de Niceia, onde se condenam aqueles ‘que, seguindo a moda ímpia dos hereges, ousam troçar das tradições eclesiásticas, inventar novidades de qualquer natureza… ou tentar, por malícia ou engenho, afastar quem quer que seja das legítimas tradições da Igreja Católica.’ … Razão pela qual os Romanos Pontífices Pio IV e Pio IX ordenaram que fosse inserida na Profissão de Fé a seguinte declaração: ‘Eu aceito e creio firmemente nas tradições apostólicas e eclesiásticas bem como noutras observâncias e constituições da Igreja’."


  17. Citado de The Great Façade: Vatican II and the Regime of Novelty in the Roman Catholic Church, por Christopher A. Ferrara e Thomas E. Woods Jr. (Wyoming, MN: Remnant Press, 2002), p. 28.


  18. O dogma "Fora da Igreja não há salvação" foi infalivelmente definido por três vezes. A definição mais enérgica e explícita deste dogma foi pronunciado de fide pelo Concílio de Florença: "A Santíssima Igreja Romana crê firmemente, professa e ensina que nenhum dos que existem fora da Igreja Católica, sejam pagãos, judeus, heréticos ou cismáticos, poderá ter parte na vida eterna; mas que irão para o fogo eterno ‘que foi preparado para o demónio e os seus anjos’ (Mt. 25:41), a não ser que a Ela se unam antes de morrer; e que a unidade deste Corpo Eclesiástico é tão importante que só aqueles que se conservarem dentro desta unidade podem tirar proveito dos Sacramentos da Igreja para a sua salvação, e só eles poderão receber uma recompensa eterna pelos seus jejuns, pelas suas esmolas, pelas suas outras obras de piedade cristã, pelos deveres de um soldado cristão. Ninguém, por mais esmolas que dê, ninguém, mesmo que derrame o seu sangue pelo Nome de Cristo, pode salvar-se, a não ser que permaneça no seio e na unidade da Igreja Católica." [Papa Eugénio IV, Concílio de Florença, 4 de Fevereiro de 1442.]


  19. Catechism of the Council of Trent [Catecismo do Concílio de Trento], McHugh & Callan Translation, (Rockford: Tan, Reprinted 1982), p. 101.


  20. O eminente teólogo Mons. Joseph Clifford Fenton explica que a palavra "Igreja" possui um significado muito preciso. Significa o Reino de Deus na terra, o Povo da Divina Aliança, a única unidade social fora da qual ninguém se pode salvar. Veja-se "The Meaning of the Word ‘Church’", Msgr. Fenton, American Ecclesiastical Review, Outubro, 1954, republicado na edição de Novembro de 2000 de Catholic Family News. (Separata Nº 519, disponível na CFN por US$1.75).


  21. Moralia, XIV: 5.


  22. Ubi Primam, Encíclica Inaugural do Papa Leão XII, 5 de Maio de 1824.


  23. Encíclica Summo Jugiter, 27 de Maio de 1832.


  24. Denzinger 1647.


  25. Mortalium Animos, 6 de Janeiro de 1928.


  26. É definição dogmática que o Papa não pode ensinar uma doutrina nova e que essa doutrina não pode mudar. É também necessário acentuar repetidamente que nem mesmo o Papa pode alterar uma definição dogmática, ou interpretar um dogma católico de modo diferente daquele que, desde sempre, foi ensinado. Isto foi solenemente definido. Quando o Concílio Vaticano I definiu a infalibilidade papal, isso mesmo o ensinou com igual infalibilidade: "O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que, por revelação do Espírito Santo, eles pudessem revelar uma nova doutrina, mas antes para que, com o Seu auxílio, pudessem guardar de modo sagrado a revelação transmitida pelos Apóstolos e ser o depósito da Fé, e para que os pudessem fielmente perpetuar ao longo dos tempos." (Vaticano I, Sessão IV, Capítulo IV. Pastor Aeternus.) Além disso, o Concílio Vaticano I também ensinou que "O sentido dos Sagrados Dogmas, que sempre se deve ter por verdadeiro, é aquele que a nossa Santa Madre Igreja uma vez tenha declarado; não sendo jamais permitido, nem a título de uma inteligência mais elevada, afastar-se deste sentido." (Vaticano I, Sessão III, Cap. IV, Dei Filius). O eminente teólogo Mons. Fenton serve-se deste texto para explicar que "O dogma católico é imutável (...) as mesmas verdades são sempre identicamente apresentadas ao povo, tal como foram reveladas por Deus. O seu significado nunca muda." We Stand With Christ [Nós ficamos com Cristo],Mons. Joseph Clifford Fenton, (Bruce, 1942) p. 2. Por consequência, é dogma definido que um Papa não pode ensinar doutrina nova (como o ecumenismo) e que a doutrina não pode mudar. Muito simplesmente porque é o que se ajusta à própria natureza da verdade – a Verdade é inalterável. De facto, se esta ou aquela "verdade" católica pode mudar, então é porque nunca foi verdade. Nisto verificamos que os modernistas não só destroem toda a ideia de Religião, como também toda a ideia da própria Verdade.


  27. Extracto de um sermão do Cardinal Newman, publicado em Michael Davies, Lead Kindly Light. The Life of John Henry Newman. Neumann Press, Long Prairie, 2001, p. 184. (ênfase acrescentada.)


  28. Quer isto dizer que os Católicos devem oferecer resistência ao ecumenismo, mesmo se ele vem de um Papa. Diz o grande teólogo Suárez: "Se (o Papa) promulgasse uma ordem contrária aos costumes, não lhe seria devida obediência, se ele tentasse fazer qualquer coisa manifestamente oposta à justiça e ao bem comum, seria lícito resistir-lhe, se ele atacasse pela força, poderia ser repelido pela força, com a moderação característica da boa defesa." (De Fide, disp. X. Sec. VI, n. 16. Citado de Michael Davies, Pope Paul’s New Mass [A Nova Missa do Papa Paulo], Angelus Press, p. 602).


  29. Cf. Mortalium Animos, "On Fostering True Christian Unity" [“Sobre a Promoção da Verdadeira Unidade Cristã”], Papa Pio XI, 6 de Janeiro de 1928.


  30. "The Pastoral Letter of the Dutch Hierarchy About the Amsterdam Assembly of 1948" ["A Carta Pastoral da Hierarquia holandesa sobre a Assembleia de Amsterdão de 1948"], publicada em The Church and the Churches, Westminster: Newman Press, 1960, pp. 290-294. (ênfase acrescentada.)


  31. Cf. Mark Fellows, Fatima in Twilight, Niagara Falls: Marmion Publishing, 2003, Capítulo 4, pp. 45-46.


  32. Tanto Monsenhor Guerra como o P.e Fr. Robert J. Fox fizeram o Juramento Contra o Modernismo, visto que o Juramento só foi "retirado" em 1967. Tanto Guerra como Fox promovem a nova religião ecuménica, e atacam quem insistir que a Verdade Católica não pode mudar. Monsenhor Fenton escreveu no seu artigo de 1960 que um sacerdote que promova o Modernismo depois de ter feito o Juramento Contra o Modernismo ficaria marcado como "pecador contra a Fé Católica e como um vulgar perjuro". (Cf. "The Sacrorum Antistitum and the Background of the Oath Against Modernism," [“A Sacrorum Antistitum e os Antecedentes do Juramento Contra o Modernismo”] de Monsenhor Joseph Clifford Fenton, The American Ecclesiastical Review, Outubro de 1960, pp. 259-260.) Eis porque exortamos os nossos leitores a rezarem por estes homens, e a não os seguirem nem os apoiarem.

Este artigo foi reproduzido, com a devida autorização, do número de Junho de 2004 da Catholic Family News — periódico católico publicado mensalmente.