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Ao tentar negar, acabam por confirmar
O Reitor do Santuário
Confirma a Nova Orientação
Ecuménica em Fátima
por John Vennari
Após dois meses de silêncio,
as autoridades do Santuário de Fátima dirigiram-se finalmente
ao público a respeito do alegado projecto de transformar Fátima
num Santuário interconfessional. Chegaram-nos de Fátima
três notícias sobre este assunto. A primeira foi uma reportagem
da Zenit de 1 de Janeiro de 2004, baseada num comunicado do Reitor
do Santuário de Fátima, Monsenhor Guerra, datado de 28
de Dezembro de 2003; a segunda foi a afixação no site da
Internet do próprio Santuário do comunicado de 28 de Dezembro,
que era ligeiramente diferente do que a Zenit apresentou explicaremos
mais adiante as razões para isto.; a terceira foi uma breve entrevista
com o Reitor Guerra, apresentada numa página da Internet sibre
Medjugorje.
A reportagem da Zenit
A agência noticiosa Zenit divulgou
em 1 de Janeiro o artigo "O que está a acontecer em Fátima?",
em que se discutia o alegado projecto de transformar Fátima num
Santuário interconfessional. O artigo continha várias falsidades,
a maioria das quais proveniente do Reitor do Santuário, Monsenhor
Guerra.
A jornalista Delia Gallagher disse que
a Zenit recebera um fax de três páginas do Bispo
D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva escrito em português., com
data de 28 de Dezembro, em que o Reitor do Santuário de Fátima
alegava que o Padre Nicholas Gruner era responsável pela notícia
intitulada "Fátima irá ser um Santuário interconfessional",
publicada pelo jornal The Portugal News em 1 de Novembro.
"Estamos convencidos", disse o Reitor
do Santuário de Fátima, Monsenhor Guerra, "que o artigo
em The Portugal News foi conduzido por alguns membros do grupo
dirigido pelo Padre Nicholas Gruner". A suposição do Reitor
Guerra era completamente falsa. Posso afirmar categoricamente que o Padre
Gruner não tem absolutamente nada a ver com The Portugal News e
não é, de modo nenhum, responsável pela reportagem
de 1 de Novembro.
Assisti ao Congresso Interconfessional
de Fátima a pedido da organização do Padre Gruner,
e apresentei o meu relatório, "Fátima irá tornar-se
num Santuário interconfessional? Um relato de alguém que
esteve lá"1, que foi incluído no site da
Internet do Padre Gruner e também foi publicado no Nº 75
de The Fatima Crusader.
Nesse relatório, citei o artigo
do The Portugal News, assim como um jornal local, o Notícias
de Fátima, que apresentou o cabeçalho "Santuário
a vários credos". Mas absolutamente ninguém da organização
do Padre Gruner teve a ver com os artigos publicados no The Portugal
News ou no Notícias de Fátima.
A Zenit também pretendeu
que o Padre Gruner estava implicado na declaração "Resistir-vos-emos
frente a frente". Isto não é verdade. A declaração
de Resistência proveio da colaboração de Átila
Sinke Guimarães, Michael Matt, Marian Horvat e eu próprio.
O Padre Gruner não sabia da "Resistir-vos-emos frente a frente",
nem sequer a leu, até ser publicada no numero de 30 de Maio de
2000 do The Remnant.
É interessante notar que a Zenit foi
favorecida com uma resposta por fax das autoridades de Fátima,
enquanto que outros repórteres católicos nada receberam.
Christopher Ferrara, representando The Remnant, contactou com
o Santuário por fax em 23 de Novembro de 2003+, para
fazer algumas perguntas sobre a nova iniciativa pan-religiosa* de Fátima
e para pedir ao Reitor Guerra que confirmasse ou desmentisse as citações
que lhe tinham sido atribuídas por The Portugal News e Notícias
de Fátima. O Reitor Guerra não respondeu ao fax do
Sr. Ferrara de 23 de Novembro, nem ao seu email de 10 de Novembro, e
nenhuma outra pessoa do Santuário respondeu por ele. Na verdade,
o Monsenhor não negou as afirmações que lhe foram
atribuídas no fax de três páginas à Zenit,
tendo ele plena oportunidade de o fazer. A conclusão que se pode
razoavelmente tirar disto é
que o Monsenhor não nega a verdade das citações
que The Portugal News e Notícias de Fátima2 lhe
atribuíram.
+ Nota do Editor: Veja-se
a cópia do fax de 21 de Novembro, enviado com sucesso
em 23 de Novembro, a páginas 59-60.
* Pan-religioso: Algo
para todas as religiões que é tudo menos a única
religião verdadeira.
Um comunicado "revisto"
Escrevi o que está acima em 2
de Janeiro, em resposta
à reportagem da Zenit, e as minhas palavras apareceram
imediatamente em vários sites da Internet. Dez dias mais
tarde, soube que o Santuário de Fátima tinha colocado no
seu site da Internet o comunicado de 28 de Dezembro. Este, porém,
tinha sido alterado; todas as referências explícitas ao
Padre Gruner tinham sido apagadas, e este nem sequer era mencionado.
Quando perguntei à Zenit se podiam explicar a discrepância,
responderam que, em 7 de Janeiro, o Santuário de Fátima
enviou-lhes por fax uma tradução para inglês da declaração
de 28 de Dezembro que continha algumas alterações, e da
qual desaparecera toda e qualquer menção explícita
do Padre Gruner. É
esta versão em inglês que agora aparece no site da
Internet do Santuário de Fátima.
O que é evidente, a partir das
duas declarações de "28 de Dezembro", seja a que foi difundida
pela Zenit ou a que se encontra no site da Internet do
Santuário, é que os responsáveis de Fátima
estão agora empenhados numa iniciativa postconciliar e pan-religiosa.
O Reitor Guerra sustenta que "as aparições de Fátima
foram uma exortação ao diálogo inter-religioso".
Isto é
um disparate. Nossa Senhora de Fátima pediu a conversão ao
Catolicismo na Rússia e o triunfo do Imaculado Coração
em todo o mundo. O ecumenismo e o "diálogo inter-religioso" praticado
desde o Concílio teriam horrorizado os Papas anteriores a 1958.
Estas novidades que incluem encontros de oração
com feiticeiros e sacerdotes de vudu em Assis veja as fotografias da
página 31.
afastarm-se claramente de 2.000 anos de ensinamentos e prática
católicos.
Além disso, em 1928, onze anos
depois das aparições de Fátima, o Papa Pio XI publicou
a encíclica Mortalium animos reproduzida a partir da página
24 deste número., que condena o mesmo ecumenismo que tem sido
acalentado desde o Vaticano II.
Nesta encíclica, o Papa Pio XI
escreve que a Santa Sé "sempre proibiu" os Católicos de
participar em assembleias inter-religiosas. Pio XI insistiu, e com muitoa
razão, que "a unidade só pode conseguir-se a partir de
uma autoridade de ensinamentos, de uma lei de crença, de uma fé de
Cristãos". Acrescentou que as
"palavras bonitas e sedutoras" da orientação pan-religiosa
"escondem um erro excepcionalmente mortal e subversivo da Fé
Católica".
Fátima "reinterpretada"
Todavia, para defender a alegação
de que a Mensagem de Nossa Senhora de Fátima era uma chamada ao
diálogo inter-religioso, o Reitor Guerra recorre a explicações
cheias de tolices. Escreve:
"Na Mensagem de Fátima,
os factos e as palavras parecem conter, pelo menos, duas chamadas
implícitas ao exercício deste espírito de
diálogo com pessoas de convicções diferentes.
Assim, nas aparições do Anjo da Paz encontramos
duas pistas importantes: o facto de o Anjo se ter prostrado no
chão enquanto orava, na primeira e na terceira aparições;
e o facto de, na terceira, ter dado a Comunhão sob a espécie
de pão
à vidente mais velha, que já tinha feito a Primeira
Comunhão, e sob a espécie de vinho a Francisco
e Jacinta, que ainda não a tinham feito. Se considerarmos
que ambas as práticas tinham caído em desuso há séculos
no Catolicismo latino, mantendo-se ainda vivas entre os Cristãos
orientais, é
aceitável parece mesmo ser obrigatório ver
nesto um convite para tentar ligar Fátima às igrejas
orientais, tanto católicas como ortodoxas. Por outras
palavras, a mensagem do Anjo da Paz contém um apelo ao
diálogo ecuménico com estas igrejas, separadas
de Roma há mais de mil anos. Diálogo que, graças
a Deus, está a avançar devagar mas com a determinação
de ambas as partes"3.
Comecemos por nos lembrar que, no Congresso
de Fátima organizado em 2003 pelo Reitor Guerra, tanto o Padre
Jacques Dupuis como o Arcebispo Michael Fitzgerald explicaram que o diálogo não significa
fazer por converter ao Catolicismo os que estão fora da Igreja
Católica. O diálogo seria antes um meio de todas as religiões
agirem juntas, em harmonia, para fazerem "de um Cristão um melhor
Cristão e de um Hindu um melhor Hindu", como disse Jacques Dupuis
na sua conferência, aplaudido pelo Reitor Guerra.
Contrastando com isto, Nossa Senhora
de Fátima disse que queria a consagração solene
da Rússia, citada pelo seu nome, ao Imaculado Coração
de Maria, consagração feita pelo Papa em união com
os Bispos do mundo, no mesmo dia, prometendo que, se tal se fizesse,
a Rússia converter-se-ia ou seja, converter-se-ia à Fé Católica.
Isto é apropriado, porque o dogma
infalível do Concílio de Florença ensina, em união
com os ensinamentos constantes dos Papas e dos Santos ao longo da história
da Igreja, que os membros da Igreja Ortodoxa devem converter-se à Igreja
Católica para alcançarem a salvação. Um diálogo
que nega a necessidade da conversão dos não-Católicos é
contrário à Mensagem de Fátima e contrário à
Fé Católica.
"Progresso" não existente
O diálogo que, segundo o Reitor
Guerra diz, está a
"progredir devagar" não está a progredir mesmo nada. E
isto porque o ecumenismo actual não é verdadeiramente uma
união de religiões, mas uma união pan-religiosa
dos liberais e dos esquerdistras das várias denominações.
Os
"Católicos ecuménicos" sabem muito bem que não conseguirão
nada dos membros de outras religiões que acreditem que a sua religião
possui a verdade. Por isso, ligam-se aos membros progressistas das várias
seitas, cuja preocupação dominante é de se darem
bem com todos.
Eis a razão por que o Vaticano
não conseguiu assinar um Acordo Luterano-Católico com os
Luteranos conservadores do Sínodo do Missouri, que denunciaram
o documento, e com razão, como sendo uma impostura. Não,
assinou o Acordo Luterano-Católico com os Luteranos pró-aborto
que "ordenam" mulheres-bispos. Apesar disto, continuam a falar-nos dos
grandes avanços do Vaticano II em prol da unidade ecuménica.
Mas este não é o caso.
Veja-se, por exemplo, o facto de o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa
não consentir que o Papa João Paulo II visite a Rússia,
chegando a denunciar a transmissão papal para o seu país,
por televisão de circuito fechado, como uma "invasão da
Rússia"4. Recordemo-nos também do protesto público
dos Ortodoxos gregos, em 4 de Maio de 2001, contra a visita do Papa a
Atenas. Foi nesta altura que padres cismáticos denunciaram o Papado
através de megafones; padres e monges tocaram os sinos das igrejas
e levaram balões negros para a praça de Atenas; e ergueram-se
cartazes a acusar o Papa de ser o Anticristo, ao mesmo tempo que se ouviam
gritos de "Papa, vai-te embora!"5
Houve um protesto semelhante quando o
Papa visitou a Ucrânia. Em 28 de Junho de 2001, fizeram-se grandes
manifestações, comandadas por padres ortodoxos cismáticos,
enquanto que freiras cismáticas levaram um cartaz a dizer que "Convidar
o Papa a visitar a Ucrânia é como espetar uma faca nas costas
do povo ortodoxo". Aqui também se denunciou o Papa como sendo
o Anticristo6.
Como se vê, o "progresso" ecuménico
de que fala o Reitor Guerra é praticamente inexistente.
Finalmente, é errado os Católicos
praticarem um diálogo sorridente que deixa os membros da religião
ortodoxa prisioneiros dos erros da sua religião. O Papa S. Pio
X fez notar que, na ordem objectiva, os membros da religião ortodoxa
não são apenas cismáticos, mas também hereges,
porque se recusam a aceitar 1. as processões das Pessoas da Santíssima
Trindade; 2. a Imaculada Conceição de Nossa Senhora; 3.
A infalibilidade papal, definida no Concílio Vaticano I; 4. A
primazia petrina7. Os membros da religião ortodoxa
devem abandonar estes erros e converter-se às verdades da Fé Católica
se quiserem alcançar a salvação. Isto está de
acordo com a Mensagem de Fátima, porque a conversão dos
Ortodoxos russos far-se-á milagrosamente e em grande escala quando
a Rússia for finalmente consagrada ao Imaculado Coração
de Maria.
Pois o Reitor Guerra tem a audácia
de pretender que a Mensagem de Fátima chama-nos a um "diálogo" que
denuncia a necessidade da conversão dos não-Católicos"!
Nossa Senhora disse que "Deus quer estabelecer
no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração",
e não que
"Deus quer estabelecer no mundo um diálogo ecuménico que
deixa as almas na escuridão da sua falsa religião". Mas
esta loucura
é precisamente o que o Reitor Guerra sustenta.
Fátima: Um apelo ao diálogo
entre Católicos e Muçulmanos?
A seguir, o Reitor Guerra afirma que
a Mensagem de Fátima
é um apelo a um diálogo semelhante com os Maometanos. Escreveu
o seguinte:
"Um ano depois das aparições
do Anjo, Nossa Senhora escolheu a Cova da Iria como o lugar onde
ia aparecer. Sabia de antemão que aquele lugar desconhecido
viria a chamar-se mais facilmente Fátima, porque estava
perto da única paróquia, da única aldeia,
que em Portugal tem o nome da filha de Maomé, fundador
do Islão. Junto a Fátima havia outras aldeias com
nomes cristãos, que Nossa Senhora podia ter escolhido.
Mas Ela sabia de antemão que, em tais circunstâncias,
a Sua escolha lembrar-nos-ia muitas vezes da religião
muçulmana, que os árabes certamente aqui praticaram
antes da reconquista cristã. Nossa Senhora sabia que o
ser humano presta muita atenção às coincidências,
e que por isso, mais tarde ou mais cedo, iria reflectir nesta
coincidência das Suas aparições com o nome
da filha de Maomé".
O Reitor Guerra continua, sugerindo que
esta é a maneira que o Céu escolheu para nos dizer que
devemos encetar o diálogo com os muçulmanos. Mas, ao contrário
da afirmação do Reitor Guerra, Christopher Ferrara explica:
"A aldeia de Fátima foi
assim chamada por causa de uma princesa muçulmana que,
a seguir à sua captura por forças cristãs
durante a ocupação de Portugal pelos Mouros, enamorou-se
do Conde de Ourém, converteu-se ao Catolicismo,
e foi baptizada antes de se casar com o Conde em 1158. O seu
nome de baptismo era Oureana, mas o nome de nascença era
Fátima, como o da filha de Maomé. O nome da aldeia
de Fátima é, portanto, um testemunho, não
de diálogo inter-religioso, mas do triunfo
da Cristandade sobre os ocupantes muçulmanos de Portugal
um processo que levou mais um século até ser completado."8.
Vemos, pois, que este aspecto de Fátima
põe em destaque a conversão, e nada mais. Não
pode ser interpretado para justificar um diálogo que
faz reverência aos Muçulmanos, embora corrompam a Verdade
divina; que honra a sua religião, embora rejeite a Divindade de
Cristo; que lhes sorri enquanto eles negam a Santíssima Trindade
no seu Corão; que lhes assegura que não é preciso
converterem-se à
única Igreja verdadeira para se salvarem; e que os convida a juntarem-se
aos Católicos, hindus, judeus, budistas e animistas para construirem
uma
"Civilização do Amor" pan-religiosa.
Não esqueçamos que o Reitor
Guerra é o mesmo que aplaudiu o Padre modernista Jacques Dupuis,
que, no recente Congresso de Fátima, disse: "Não é necessário
invocar aqui aquele texto horrível do Concílio de Florença",
que afirmava não haver salvação fora da Igreja Católica.
Dupuis, com a aprovação de Guerra, exortou os presentes
a rejeitar um dogma católico definido. Não admira que o
Reitor Guerra tente agora subverter a Mensagem de Fátima para
integrar a sua visão distorcida pan-religiosa.
"Estamos ainda muito longe?"
Como responderia, se lhe perguntassem
se alguma vez se faria orações pan-religiosas juntamente
com os hindus? Se é um Católico autêntico, fiel ao
ensino perene e à
prática da Igreja, a sua resposta seria "Nunca". E seria uma resposta
apropriada, porque as Escrituras dizem-nos que "os deuses dos pagãos
são demónios" Salmo 95:5.. Se lhe perguntassem se a sua
casa alguma vez seria usada para o culto hindu, responderia de novo "Nunca"!
Ou talvez exclamasse, para sublinhar a impossibilidade de tal coisa, "Só
por cima do meu cadáver".
Mas não foi assim que o Reitor
Guerra respondeu, quando discutiu o alegado Santuário pan-religioso
com o Spirit Daily, uma página da Internet dedicada às
falsas aparições de Medjugorje9.
Nesta entrevista, o Reitor Guerra disse: "O
nosso ecumenismo está apenas a começar. É guiado
por directivas das autoridades da Igreja". Também afirmou que "o
ecumenismo não tem nada a ver com o desenho da nova basílica",
que ficará separada da presente Basílica de Fátima. Spirit
Daily perguntou ao Reitor se tinha receio de que o ecumenismo levasse
a um compromisso ou a um toque de New Age. Perguntou também
como é que os hindus, muçulmanos, etc. iriam lá rezar.
Monsenhor Guerra respondeu:
"Não temos receio de nenhum ecumenismo da iniciativa da Igreja.
Estamos muito longe de vermos hindus ou muçulmanos a rezar em
Fátima, a não ser que o façam em particular não
nas liturgias públicas ou noutras cerimónias".
Estaremos "muito longe" de ver hindus
ou muçulmanos a rezar em Fátima?
Por que razão é que ele
respondeu assim? Porque
é que não declarou sem rodeios o que qualquer verdadeiro
Católico diria: "Nunca! Nunca se lhes permitirá praticarem
rituais pagãos em terreno católico sob a minha direcção"10.
Saberemos a resposta se lermos com atenção
a declaração do Reitor Guerra.
Em primeiro lugar, diz que "o nosso ecumenismo
está apenas a começar". Isto era mais que evidente no Congresso
pan-religioso de Fátima a que assisti em 2003. E pelo que vi,
começam bem. Porque foi ali que representantes ortodoxos, protestantes,
muçulmanos, budistas e hindus foram convidados a explicar à assistência
a importância dos seus "santuários" religiosos. Foi ali
que se disse aos não-Católicos que não era necessário
converterem-se
à Igreja Católica para se salvarem11.
Disse ainda o Reitor Guerra que "o ecumenismo
não tem nada a ver com o desenho da nova basílica". Talvez,
mas não há
garantias de que não se façam lá encontros pan-religiosos.
A igreja de San Pietro em Assis não foi "desenhada para o ecumenismo",
mas foi lá que, num encontro pan-religioso efectuado em 27 de
Outubro de 198612, "budistas, chefiados pelo Dalai Lama, transformaram
rapidamente o altar da igreja de San Pietro, colocando uma pequena estátua
de Buda em cima do sacrário e pondo rolos de orações
e queimadores de incenso à volta dela"13.
Outras igrejas e locais sagrados de Assis
foram também entregues ao uso dos muçulmanos, hindus, zoroastrianos
e adoradores de cobras africanos para lá fazerem os seus rituais
falsos e idolátricos. O ecumenismo "não teve nada a ver
com o desenho"
destas igrejas quando foram construídas, mas foram todas requisitadas
para uso pan-religioso.
Da mesma maneira, temos visto, desde
o acontecimento de Assis, cada vez mais situações de igrejas
católicas profanadas por encontros pan-religiosos. Eis apenas
dois exemplos:
* Em 28 de Outubro de 1987, cinquenta
representantes das religiões do mundo encontraram-se numa igreja
de Roma para rezarem pela paz. O encontro marcou o primeiro aniversário
do Dia Mundial da Paz de 1986 em Assis. Judeus, sikhs, muçulmanos,
Ortodoxos gregos, Católicos Romanos e várias denominações
protestantes encontraram-se na igreja de Santa Maria, construída
no século XII14.
* Em 9 de Setembro de 1998, o Cardeal
de Nova York, John OConnor, presidiu a um serviço inter-religioso
na catedral de S. Patrício, "para rezar para que os pobres e os
sem-abrigo consigam lares decentes". No altar, num grande semi-círculo,
estavam representantes do Catolicismo, do Protestantismo, da Ortodoxia,
do Islão e do Judaísmo. Os dirigentes religiosos foram
convidados pelo Cardeal OConnor para o serviço de oração,
a que estiveram presentes cerca de 2.500 pessoas. Neste acontecimento,
o Cardeal pregou, um rabino rezou em hebraico, uma jovem de mini-saia
cantou "Esta luzinha que
é minha". Acenderam-se velas por toda a congregação,
velas estas que foram "dramaticamente" erguidas depois de vários
coros pouco brilhantes de "We shall overcome" uma canção
de protesto.. A
"bênção" final foi dada por um Presbiteriano irlandês15.
Podíamos encher as próximas
cinco páginas desta revista com exemplos deste género,
sem sequer esgotar o tema. Mas onde queremos chegar é que estas
e outras igrejas foram usadas e são usadas para
desordens pan-religiosas, embora o ecumenismo "não tivesse nada
a ver com o desenho" da sua construção.
Só há uma garantia que
as autoridades de Fátima podem dar de que este género
de incidentes pan-religiosos não terão lugar no
Santuário, e esta é uma garantia pública
de que toda a actividade ecuménica em Fátima terminará por
completo. Ora isto não querem eles fazer.
Pelo contrário, o Reitor Guerra
gaba-se de que a iniciativa ecuménica em Fátima já começou,
que o ecumenismo "é guiado por directivas das autoridades da Igreja",
e que
"não temos receio de nenhum ecumenismo da iniciativa da Igreja".
Vejamos, pois, as "directivas" ecuménicas
emanadas das autoridades da Igreja de hoje, para vermos se há ou
não algum motivo para medo. Vejamos o que é que os dirigentes
da Igreja de hoje promovem sob o rótulo de ecumenismo, e perguntemos
a nós mesmos se temos razão para nos regozijarmos de acontecerem
tais exibições em Fátima.
Absurdos "aprovados"
O ecumenismo promovido pelos dirigentes
post-conciliares de hoje, como já dissemos, teria horrorizado
qualquer Papa de antes do Concílio Vaticano II. Tomemos como exemplo
o Directório para a aplicação do princípio
e normas do ecumenismo, publicado no Vaticano em 1993 pelo Concelho
Pontifício para Promover a Unidade dos Cristãos.
Este Directório "determina" a
presença do ecumenismo em todos os aspectos da vida da Igreja,
e encoraja a prática de numerosos actos interconfessionais sem
precedentes que sempre foram condenados pela Igreja como pecados graves
contra a Fé.
O Directório:
* permite que os Protestantes façam as leituras com a excepção
do Evangelho. numa igreja católica Nº
133.;
* encoraja "exercícios espirituais" e "retiros" comuns entre Católicos
e Protestantes Nº 114.;
* permite que os não-Católicos ensinem nos seminários
Nº 81.;
* ordena que se ensine o ecumenismo às crianças nas escolas
Nº 68.;
* impõe o ecumenismo aos sacerdotes e religiosos nos seus anos de formação
Nºs 51, 70.;
* ordena que os sacerdotes tomem parte no "aggiornamento contínuo" do
ensino e prática do ecumenismo Nº 91.;
* encoraja os Bispos diocesanos a emprestarem as igrejas paroquiais a não-Católicos para
os seus serviços de oração Nº 137.;
* promove serviços de oração interdenominacionais entre
Católicos e Protestantes nas suas respectivas igrejas Nº 112.;
* encoraja a publicação deuma Bíblia interdenominacional
para Católicos e Protestantes Nº 185.;
* desaconselha os Católicos a tentarem converter os não-Católicos
Nº 23, 79, 81, 125.;
* encoraja os Católicos a "alegrarem-se na graça de Deus" [sic]
com os Protestantes Nº 206.;
* recomenda a construção de uma igreja comum, para uso conjunto
de Católicos e não-Católicos Nº
138.;
* mais recomenda que, nestas igrejas comuns, o Santíssimo Sacramento
seja colocado numa capela à parte, ou numa sala, para não
ofender os não-crentes Nº 139..
Este documento foi produzido sob a orientação
do Cardeal Edward Idris Cassidy, que era na altura Prefeito do Conselho
Pontifício para Promover a Unidade dos Cristãos. O sucessor
do Cardeal Cassidy é o Cardeal Walter Kasper, que podia muito
bem descrever-se como o típico clérigo modernista lunático
um homem que parece não acreditar em coisa nenhuma.
O Cardeal Kasper ficou na história
ao dizer aos Judeus que a Velha Aliança ainda é válida,
e que não precisam de converter-se à Igreja Católica
para obterem a salvação16. O Cardeal Cassidy,
assim como o Cardeal Keeler, de Baltimore, disseram a mesma coisa17,
embora a Escritura e a doutrina definida pela Igreja ensinem infalivelmente
que a Velha Aliança já não é válida,
desde que foi substituída pela Nova18.
O Cardeal Kasper é o homem-chave
do Vaticano para o diálogo com os Protestantes, Ortodoxos e Judeus. É ele
quem dá a "orientação" ecuménica, a tal em
que, segundo o Reitor Guerra, devemos confiar cegamente.
Sente-se seguro ao ser guiado pelo ecumenismo
destes homens que desafiam a Escritura e o dogma? O Reitor Guerra sente-se,
mas eu não.
O Cardeal Kasper também disse
recentemente que o Vaticano II e a encíclica Ut Unum Sint "reconhecem
explicitamente que o Espírito Santo opera nas outras Igrejas e
comunidades eclesiásticas. Por conseguinte, está fora de
questão arrogarmo-nos o monopólio da salvação".
E agravou o ultraje, dizendo:
"Vários aspectos de ser
igreja realizam-se melhor noutras igrejas. Por isso, o ecumenismo
não funciona num só sentido, mas
é um processo recíproco de aprendizagem, ou, como
se lê na Ut Unum Sint, uma troca de presentes. O
caminho para a unidade não é, pois, o regresso
dos outros ao seio da Igreja Católica"19.
É trágico que o Cardeal
Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé,
tenha a mesma opinião herética. Em 1966, desafiando o dogma,
três vezes definido, de que "fora da Igreja não há salvação",
o Padre Ratzinger alegrou-se com o facto de, graças ao Vaticano
II, a ideia da conversão dos não-Católicos
ter sido substituída pelo conceito de convergência com
os não-Católicos20. Isto dá uma indicação
do pensamento actual do Cardeal Ratzinger, porque tem tido repetidas
vezes que as suas ideias "não mudaram" desdo o tempo do Concílio.21
Nenhum pai católico digno desse
nome consentiria que os seus filhos fossem guiados por tais homens. Mas
o Reitor Guerra não tem semelhantes reservas; antes diz que não
temos "nada a recear" de responsáveis mal formados, que de repente
começam a abençoar o que a Igreja sempre condenou.
Inculturação pagã
"aprovada"
Se nos debruçarmos mais sobre
o "ecumenismo guiado" pelas directivas progressistas actuais, contemplamos
os horrores continuados dos rituais religiosos pagãos incorporados
nas cerimónias católicas. Assisti pessoalmente, no Dia
Mundial da Juventude de 2002, a um ritual pagão dos índios
americanos, com gritaria e batuque, que abriu a missa papal do Domingo22!
Temos depois a inculturação das práticas do vudu
na Igreja Católica em África23. E ainda a dança
hindu do arati e puja uma dança aos deuses-demónios
do Hinduísmo que foi executada durante a missa de beatificação
da Madre Teresa de Calcutá em 19 de Outubro de 200324.
Podíamos dar dúzias de exemplos semelhantes.
Vemos, assim, o aspecto deste "ecumenismo
guiado". É
realmente guiado; não pelos ensinamentos e prática constantes
da Igreja Católica, mas por progressistas bem colocados que estão
determinados a refazer a Igreja à sua própria imagem e
semelhança liberais. É este "ecumenismo" que o Reitor Guerra
se gaba de "estar a começar" em Fátima.
Compreendemos agora por que razão
o Reitor Guerra não afirma categoricamente que os Hindus, Budistas
e Muçulmanos nunca serão autorizados a fazer os
seus rituais religiosos em locais da Igreja em Fátima. Se o fizesse,
estaria a contradizer o novo programa ecuménico. Estaria a desafiar
a horrível política de inculturação e a fechar
os portões de Fátima ao
"Espírito de Assis", revolucionário e pan-religioso, que
tem sido imposto aos Católicos desde o Concílio. Por isso,
deixa os portões abertos com a declaração de "estarmos
muito longe"
disso.
Conclusão
Observamos, a partir das palavras do
Reitor Guerra, que a orientação ecuménica está nitidamente
a avançar em Fátima. Se ele até faz por acomodar
a Mensagem de Fátima a este molde ecuménico distorcido!
Para ele, os Católicos que se opõem ao ecumenismo não
têm razão para o fazer.
Assim, como disse em artigos anteriores,
não interessa se a grotesca basílica modernista que vai
ser construída em Fátima se chama oficialmente "Santuário
Interconfessional" ou não. Enquanto as autoridades de Fátima
aceitarem a nova orientação ecuménica e abrirem
as portas de par em par ao
"Espírito de Assis" como já fizeram no Congresso
de Fátima de 2003 é só uma questão
de tempo até se fazerem cerimónias pan-religiosas em Fátima.
O Reitor Guerra falhou no seu dever quando
promoveu o Congresso de Fátima, quando louvou os seus ultrages,
e quando criticou os Católicos que resistem à horrenda
novidade do ecumenismo pan-religioso. Aplaudiu quando o Padre Arul Irudayam,
da Índia, contou
à assistência que os Hindus agora fazem os seus rituais
pagãos dentro da Basílica do Santuário Católico
Mariano de Vailankanni25. Também aplaudiu as denúncias
que Jacques Dupuis fez do dogma definido, e nunca pediu desculpa por
permitir que se ensinasse uma heresia descarada em Fátima.
O Reitor Guerra é cúmplice
na vandalização da Doutrina Sagrada. Não lhe serve
de nada apresentar-se ao mundo, como fez no seu Comunicado recente, como
um inocente caluniado.
Notas:
-
Cf. http://www.fatima.org/news/newsviews/sprep111303.asp,
e também The Fatima Crusader, Nº 75, pp. 16
e seguintes.
- O Notícias de Fátima de
24 de Outubro recorde-se que é um jornal local
com boas relações com o Santuário de Fátima citou
os objectivos interconfessionais do Reitor Guerra: "Esta proposta
de coexistência também em Fátima de
um pluralismo religioso é ainda embrionária", disse
ele. "É
um primeiro passo. Somos como os engenheiros em Portugal que começam
por examinar as estruturas das pontes, para ver se podemos confiar nelas
no futuro". Os comunicados do Santuário de Fátima de 28
de Dezembro dizem que a única vez que o Reitor falou no Congresso
foi na sessão final, e apresentam a seguinte citação
do discurso:
"É verdade que .... estamos todos ainda muito longe de caminhar
para uma única, ou por uma única, ponte. E poderíamos,
por isso, tranquilizar-nos, uma vez que, se a ponte de um estiver a ruir,
pode ser que a ponte do lado não esteja. Mas também é verdade
que uma doença epidémica parece ter ameaçado a fé de
todas as religiões, de todas as conões, de todas as tradições,
nestas últimas décadas. E por isso regozijamo-nos pela
presença fraterna dos representantes das várias correntes
espirituais, e estamos certos de que a sua presença veio abrir
um caminho para maior abertura futura deste Santuário, que parece
já, por providência divina, vocacionado para contactos e
para o diálogo .... quase explicitamente, com as igrejas orientais,
ortodoxas e católicas, na mensagem do Anjo da Paz; e com a religião
islâmica, pelo próprio nome que Deus quis escolher para
a terra onde havia de aparecer Maria: Fátima".
- "Shrine of all religions: Communiqué
from the Rectory of the Shrine at Fatima", fiquei a saber que,
actualmente, o Reitor Guerra limita-se a indicar esta página da
Internet
às pessoas que pedem informações sobre o "Santuário
Interconfessional".
- "Russian Patriarch slams Popes video
link-up as invasion", BBC News, 2 de Março
de 2002.
- Fotografia documentada em Previews of
the new Papacy, de Átila Sinke Guimarães
e Marian Horvat Los Angeles: Tradition in Action, 2001.,
p. 146.
- Ibid., pp. 160-161.
- Cf. Ex quo, do Papa S. Pio X, 26
de Dezembro de 1910.
- "Uma nova Fátima para uma nova Igreja",
1ª Parte, Christopher Ferrara, The Fatima Crusader,
Nº 75. O Reitor Guerra admite-o, mais ou menos, ao dizer
no comunicado de 28 de Dezembro: "E isto, mesmo que, como alguns
acham verosímil, o nome da aldeia de Fátima não
tenha tido origem na filha do fundador do Islamismo". Mas apesar
disto, o Reitor Guerra continua a insistir na sua interpretação
do "diálogo inter-religioso".
- Uma análise mais completa de Medjugorje,
que inclui provas de como os pretensos "videntes" mentiram ao
seu Bispo sob juramento, encontra-se na conferência de
John Vennari "Flights of Fancy to Great Apostasy: Medjugorje
and more" "Das fantasias à Grande Apostasia: Medjugorje
e mais ainda". disponível por $6.00, portes de correio
incluídos, de Oltyn Library Services, 2316 Delaware Ave.,
PMB 325, Buffalo, NY 14216, Estados Unidos.
- Nota: Se um muçulmano ou um hindu
for ao Santuário, por sua conta, para rezar em silêncio,
não pode ser impedido de o fazer, nem devia ser. Um não-Católico
que se deslocar a um Santuário Mariano, como o de Fátima,
pode até, ao fazê-lo, obter a graça da conversão,
se estiver a procurar Deus com um coração puro.
- Cf. "Fátima irá tormar-se
num santuário interconfessional? Um relato de alguém
que esteve lá", e a nota 1.
- Em 27 de Outubro de 1986, a convite de
João Paulo II, 160 dirigentes das religiões do
mundo reuniram-se em Assis, na Itália, para rezar pela
paz. Foi um acontecimento sem precedentes, que contrariou 2.000
anos de doutrina e prática católicas. Sobre este
encontro de oração de Assis, o porta-voz principal
do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, exclamou com aparente
aprovação: "Nada como isto aconteceu alguma vez
na história da humanidade". As 12 religiões representadas
no encontro de oração de Assis foram: animistas
africanos,
índios americanos, Bahais, Budistas, "Cristãos", Jains,
Judeus, Hindus, Muçulmanos, Shintoístas, Sikhs e Zoroastrianos.
- Robert Suro, "12 faiths join Pope to pray
for peace", New York Times, 28 de Outubro de 1986.
- "50 world religious leaders meet in Rome
and pray for peace", Reuters, 4 de Agosto de 1987.
- Fontes: Charles Bell, "Invited by OConnor
to pray for the poor", New York Daily News, 4 de Setembro
de 1998; "Lift up the poor with the voices of faith" programa
de um serviço interconfessional de oração
na catedral de S. Patrício.; "Do we care?", Catholic
New York, 17 de Setembro de 1998. E ainda um relatório
de uma testemunha ocular, enviado ao Catholic Family News por
um amigo que esteve presente ao acontecimento como observador.
- O Cardeal Walter Kasper, falando como
Presidente do Conselho Pontifício para as Relações
Religiosas com os Judeus, cargo para o qual foi nomeado pelo
Papa, declarou que
"a velha teoria da substituição desapareceu a partir
do Concílio Vaticano II. Hoje, para nós, Cristãos,
a aliança com o povo judeu é um património vivo,
uma realidade viva... Portanto, a Igreja acredita que o Judaísmo,
ou seja, a resposta fiel do povo judeu à aliança irrevogável
de Deus, é salvífica para eles, porque Deus é fiel às
Suas promessas Discurso no 17º encontro da Comissão
Internacional de Ligação Católicos-Judeus, Nova
York, 1 de Maio de 2001.
- Cf. "Interview with Robert Sungenis", Catholic
Family News, Novembro de 2002.
- Cf. Hebreus 8:13. A suplantação
do Velho Testamento pelo Novo é doutrina definida da Fé
Católica. Na Profissão de Fé solene do Concílio
Ecuménico de Florença, sendo Papa Eugénio IV, lê-se:
"A sacrossanta Igreja Romana... acredita, professa e ensina firmemente
que a matéria relativa ao Velho Testamento, ou Lei Mosaica, que
se divide em cerimónias, ritos sagrados, sacrifícios
e sacramentos, porque foram estabelecidos para significar alguma
coisa no futuro, embora fossem adequados ao culto divino naquele
tempo, depois da vinda de Nosso Senhor, significada por eles, cessaram,
e começaram
os sacramentos do Novo Testamento... Portanto, [a Igreja Romana] declara
que todos os que, depois daquele tempo, observam a circuncisão
e o dia de Sábado e as outras exigências da lei, são
estranhos à Fé
Cristã e não estão, de modo algum, aptos a participar
na salvação eterna, a menos que algum dia rejeitem esses
erros D.S. 1348..
- Citado de Paul A. Crow, "Fanfare, Tillard,
and Ecumenism in Rome", Ecumenical Trends publicado pelos
Frades de Graymoor., Setembro de 2003, p. 15 ênfase acrescentado..
- O Padre Ratzinger disse: "A Igreja Católica
não tem o direito de absorver as outras Igrejas... [Uma]
unidade básica de Igrejas que continuam a ser Igrejas,
mas formam ao mesmo tempo uma Igreja deve substituir
a ideia de conversão, embora a conversão mantenha
o seu significado para quem seja motivado pela sua consciência
a procurá-la"
ênfase acrescentado.. Joseph Ratzinger, Theological Highlights
of Vatican II [Paulist Press, New York, 1966], pp.
65-66. Esta secção
do livro concentra-se na fundamentação ecuménica
deliberada em que se baseia o documento conciliar Lumen Gentium.
Para uma discussão mais completa do livro do Padre Ratzinger,
cf. J. Vennari, "Vatican II vs. the unity willed by Christ", Catholic
Family News, Dezembro de 2000 [Reimpressão Nº 537, que
pode obter-se da CFN por $1.75, incluindo portes de correio].
- Vittorio Messori escreveu o seguinte na
revista Jesus: "Talvez o mais incómodo é o facto
de o suposto
guardião da fé ser na verdade não só um
grande teólogo... mas também um teólogo
aberto e moderno, aberto aos sinais dos tempos. Perito do
episcopado alemão
no Vaticano II, encontramo-lo mais tarde entre os fundadores
do Concilium,
uma revista internacional que congrega a chamada ala progressista
da teologia católica.Foi um pecado da juventude, Eminência,
a colaboração com o Concilium?, perguntei-lhe
por brincadeira. De modo nenhum, respondeu. Não
mudei; eles é que mudaram". J. Ratzinger, entrevista com
Vittorio Messori, "Ecco perchè la fede è in crisi", Jesus,
Novembro de 1984, p. 69.. Além disso, durante uma visita ao Brasil
em 1990, o Cardeal Ratzinger falou à imprensa sobre o
mesmo tema. Pergunta:
"Quais são as maiores diferenças entre o Ratzinger
do Vaticano II e o Ratzinger de hoje? Quem mudou mais, foi Ratzinger
ou a Igreja? Resposta:
Não vejo uma diferença verdadeira, profunda entre o meu
trabalho no Concílio Vaticano II e o meu trabalho actual"
entrevista com Walter Falceta, "Ratzinger reafirma identidade católica",
in O Estado de São Paulo, 29 de Julho de 1990..
Estas e outras citações do mesmo género
encontram-se compiladas em In the Murky Waters of Vatican II "Nas águas turvas
do Vaticano II"., de Átila Sinke Guimarães Metairie: Maeta,
1997., pp. 121-122.
- J. Vennari, "The World Youth Day Sleep-Over", Catholic
Family News, Outubro de 2002.
- Craig Heimbichner, "Dancing with the devil:
The New Evangelization in Africa", Catholic Family News,
Dezembro de 2003.
- Cf. Cornélia Ferreira, "Mother
Teresa
beatified with idolatrous rites", Catholic Family News,
Janeiro de 2004.
- Este assunto é tratado em pormenor
no artigo de John Vennari "Fátima irá tormar-se
num santuário interconfessional? Um relato de alguém
que esteve lá", The Fatima Crusader, Nº 75,
p. 16. Ver também a nota 1.
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