Perspectivas sobre Fátima

O Papa Bento XVI também tem um amigo ateu,
E ele não é amigo de Francisco

por Christopher A. Ferrara
12 de Julho de 2017

O indispensável Life Site News acabou de relatar a notícia explosiva de que Marcello Pera, “filósofo ateu e amigo de Bento XVI, criticou fortemente o Papa Francisco, acusando o Santo Padre de não pregar o Evangelho mas política, fomentando o cisma, e fazendo declarações secularistas com o intuito de destruir o Ocidente.”

Uma vista de olhos ao original italiano da entrevista de Pera in Il Mattino revela uma bomba a seguir a outra. Pera, que foi coautor, com o então Cardeal Ratzinger, do célebre livro Sem raízes, diz do Papa Bergoglio que “a sua visão política e social, e a sua opinião sobre os migrantes, são o mesmo justicialismo peronista [um termo para a filosofia política de Perón que combina populismo e nacionalismo] que não tem nada a ver com a tradição ocidental de liberdade política e a sua matriz cristã.”

“Essencialmente,” Pera continua, “sugere que os nossos Estados se suicidem, convida a Europa a deixar de ser o que é: o Papa reflecte todos os preconceitos da América do Sul sobre a América do Norte, sobre o mercado, a liberdade, o capitalismo.”

Ora bem, o mercado, e a noção moderna da liberdade e do capitalismo merecem certamente uma crítica católica profunda, que de facto receberam nas encíclicas sociais dos grandes Papas de antes do Vaticano II.  Mas a crítica que o Papa Bergoglio apresenta, como Pera observa, não é a do Magisterium, enraizada na lei do Evangelho. É antes, diz ele, “não é o Evangelho, mas apenas política. Francisco tem pouco ou nenhum interesse no Cristianismo como doutrina, do ponto de vista da teologia… As suas afirmações parecem basear-se nas Escrituras, mas na realidade são fortemente secularistas.”

E assim esta análise do pontificado bergogliano, devastadora porque vem de um observador externo que vê a realidade da nossa situação, apesar de não ter a Fé: “Está em marcha um cisma oculto no mundo católico, que é prosseguido por Bergoglio com obstinação e determinação.” 

Observando na perspectiva de Fátima o que há muito tem sido evidente, mas cujo reconhecimento por um ateu é especialmente notável, Pera declara que, com o Papa Bergoglio, “o Concílio Vaticano explodiu finalmente em todo o seu radicalismo revolucionário… Aquele aggiornamento do Cristianismo laicizou a Igreja, desencadeando uma mudança que foi muito profunda e que, com muita probabilidade, poderia levar ao cisma, embora isto tivesse sido controlado nos anos seguintes.” Mas só relativamente falando!

Mas agora, com o Papa Bergoglio, conclui Pera, “Os direitos do homem, totalmente e sem exclusão, tornaram-se o ponto de referência ideal para a Igreja; para os direitos de Deus e da Tradição quase não há espaço.” Isto faz-me lembrar o protesto do Papa Leão XIII na sua encíclica Tametsi Futura Prospicientibus (Uma visão sobre o futuro): “O mundo tem ouvido bastante sobre os chamados ‘direitos do homem.’ Ouçamos algo sobre os direitos de Deus.”

O facto de até mesmo um ateu se sentir compelido a fazer esta avaliação do pontificado bergogliano devia indicar ao observador católico imparcial que alguma coisa está a passar-se de terrivelmente errado com este papado. O Papa Bergoglio não é o primeiro Papa transviado que a Igreja teve de suportar. Mas é certamente razoável concluir que, no ponto em que as coisas estão agora, os seus desvios do caminho da Tradição enquadram-se numa classe própria. E esta situação sui generis sugere uma intervenção única do próprio Céu para pôr um fim a este desastre continuado.