Perspectivas sobre Fátima

Um muçulmano diz a verdade
que os responsáveis da Igreja escondem

por Christopher A. Ferrara
14 de Julho de 2017

O Corrispondenza Romana  republicou uma editorial notável de Fael Farouq, que é muçulmano e professor de Linguística na Universidade Católica de Milão. Ao contrário dos politicos ocidentais e dos prelados católicos liberais (o que é praticamente uma tautologia), Farouq diz a verdade sobre o Islão: que os seus seguidores radicais são motivados precisamente por uma doutrina que tem tudo a ver com a sua religião:

“Quem mata a si próprio e a outros acredita numa doutrina precisa [a conquista do mundo pelo Islão, seguindo o modelo do próprio Maomé]. E os massacres continuam a multiplicar-se, desde o coração da Europa até aos muitos corações feridos da Ásia e da África. Portanto, se se quiser deter este rio de sangue, a referida doutrina deve ser purificada das interpretações que levam as pessoas da fé muçulmana a abraçar o terrorismo.”

No que toca aos chamados regimes muçulmanos “moderados”, Farouq observa — os muftis sauditas, por exemplo — que, enquanto condenam o terrorismo com as suas bocas, apesar disso “recusam... os direitos humanos [por exemplo, às mulheres e aos não-muçulmanos] e isto é uma contradição irremediável.”

Além disso, até os regimes muçulmanos “moderados,” como o do Egipto, que professam o pluralismo, fazem-no através da “instrumentalização política,” advogando uma “reforma” do Islão que está sempre “ao serviço do poder, usado para negar a democracia. Se assim não fosse, por que razão o Estado do Egipto permitiria, em violação aberta da constituição [egípcia], a existência do partido político Salafa al-Nour, que advoga não querer bem aos Cristãos nem sequer os saudar?”

A seguir, Farouq refere-se aos regimes liberais do Ocidente, que pretendem “fazer tudo para impedir a violência sem violar os direitos dos cidadãos muçulmanos,” e professam que, ao garantir os “direitos humanos,” podem “distinguir entre terroristas bárbaros e a sua fé.” Mas estes regimes, faz notar:

“[C]ombatem apenas os sintomas da doença, deixando que a doença se agrave. Quantos destes países acolheram terroristas fugidos de países de maioria muçulmana? Quantos acolhem organizações do Islão político, especialmente a Fraternidade Muçulmana, que são fontes desta ideologia violenta?

“Quantos se abstêm de condenar os regimes wahhabistas, mas, pelo contrário, apertam-lhes as mãos num gesto de amizade e vendem-lhes armas que — como os mesmos Governos reconheceram — vão parar às mãos de terroristas?

“Não seria possível isolar os regimes que adoptam esta interpretação malévola do Islão, como se fez com o Governo sul-africano do apartheid? O racism será pior do que derramar o sangue do “outro” e não respeitar de modo algum a sua vida?”

Mas o ponto alto desta peça notável é uma análise brilhante da natureza auto-destruidora do pluralismo ocidental, que merece ser citada em pormenor:

“O pluralismo das sociedades ocidentais é hoje um pluralismo que exclui [!] agir contra o fim para que foi concebido. Não favorece a pessoa, mas antes estereótipos e ideologias.

“Na Grã-Bretanha, por exemplo, a ‘integração’ significa o reconhecimento de tribunais da Sharia, que violam os direitos das mulheres, e o fluir de milhões de libras e euros dos extremistas dos Estados do Golfo para os cofres das organizações islâmicas de base ideológica, sem controlos nem restrições.

“O Ocidente consagrou-se ao pluralismo e aos direitos humanos para não repetir as experiências dolorosas do Nazismo e do Fascismo, mas não podemos deixar de pensar: O Nazismo e o Fascismo não seriam talvez a supremacia do estereótipo da pessoa? Não acreditariam em algo superior à pessoa humana, por quem fosse justificado morrer e matar? E hoje, não há o risco de até o ‘multiculturalismo’ se tornar um estereótipo mais importante da pessoa do que os seus verdadeiros direitos fundamentais?”

É surpreendente verificar que este editorial apareceu primeiro no Avvenire, o jornal, sempre inclinado para os liberais, da Conferência Episcopal italiana. Já não é tão surpreendente, como apontou a Corrispondenza Romana, notar que foi atacado na mesma edição com um artigo do Cardeal Gualtiero Bassetti. Papagueando a linha liberal da Igreja do pós-Vaticano II, que é infalivelmente sincronizado com o pluralismo ocidental, Bassetti diz “precisamente o contrário do que Farouq afirma” — ou seja, o branqueamento do costume daquilo que Pio XI chamava, e com verdade, “a escuridão do Islão.”

Disse o Cardeal politicamente correcto: “Fala-se de terroristas islâmicos, mas eles não são islâmicos, mesmo quando matam ou causam explosões pronunciando o nome de Allah. Não são islâmicos; são umas pobres criaturas enlouquecidas pela fúria, levadas à loucura pelo ódio.” O facto de estarem enlouquecidos e cheios de ódio pelas afirmações radicais da sua própria religião nunca parece ocorrer aos infantigáveis branqueadores católicos da má invenção de Maomé, incluindo o actual ocupante da Cadeira de Pedro.

Que amargamente irónico é, para citar o cabeçalho da Corrispondenza Romana, que “É preciso que um muçulmano diga o que é tabu para o Papa e os Bispos.” Mas este é o problema dos “guias cegos” (Mt. 23:24) de quem Nosso Senhor nos avisou — os actuais Fariseus que chamam Fariseus aos outros, quando são eles que coam um mosquito por causa da correcção política enquanto engolem o camelo do mal radical.