Perspectivas sobre Fátima

“Papa Emérito” Bento XVI Administra Bênção Conjunta
aos Novos Cardeais criados por Francisco
-O Que estará aqui a acontecer?

por Christopher A. Ferrara
24 de Novembro de 2016

Mais outro estranho espetáculo no reino do Papa Bergoglio. A seguir à elevação a Cardeais de 17 novos progressistas da sua confiança, Francisco enfiou-os em dois mini-austocarros para o pequeno percurso até ao convento onde está a residir o “Papa Emérito” Bento XVI. Ali chegados, Bento XVI administrou com Francisco uma bênção conjunta aos dezassete, dando assim maior crédito à grande novidade que é haver dois Papas vivos ao mesmo tempo: Um, o Papa ativo, e o outro, uma espécie de Papa passivo, auxiliar, que aparece em ocasiões especiais, inclusive nos dois anteriores Consistórios a que Francisco presidiu.

A este respeito, Antonio Socci chamou recentemente a atenção para uma entrevista do Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a respeito de um seu opúsculo acabado de publicar e que tem este estranho título: “Bento XVI e Francisco, sucessores de Pedro, ao serviço da Igreja”. Durante a entrevista, Müller deixou bem claro que ele pensa que, de facto, há — de qualquer maneira que seja — dois Papas a residirem atualmente no Vaticano: 

“Na verdade, estamos agora a atravessar uma fase muito especial na História da Igreja: Temos o Papa, mas temos também o Papa Emérito… Bento XVI e Francisco são dois homens de Deus que, por isso, não pensam em tirar benefícios nem sequer em pensar nos seus interesses pessoais, mas estão totalmente dedicados à missão de sucessores de Pedro; e isso é uma grande riqueza para a Igreja.”

-Estão dedicados? De que modo, exatamente, estará agora Bento XVI dedicado à “missão dos sucessores de Pedro” se, de facto, ele renunciou totalmente ao Papado? E, se não renunciou totalmente a esse Ministério, como poderia ele ter renunciado fosse ao que fosse?  -Porque é que será, exatamente, uma “grande riqueza” para a Igreja nós termos um Papa que abdicou do Papado, mas resolveu que ficaria com o título de “Papa Emérito”, coisa inaudita na Igreja durante os últimos 2.000 anos?  -Estará Müller a sugerir que essa “riqueza” consiste em haver mais do que um Papa ao mesmo tempo? Mas como é que pode haver dois Papas vivos ao mesmo tempo?

Socci observa muito adequadamente: “…. [A]té agora se disse que o Papado não podia ser um ‘ministério partilhado’ por dois Papas; nem o Papa Bergoglio aceitou essa ‘partilha’…. E o enredo adensa-se, até porque ele [Müller] volta novamente o holofote para a estranha ‘renúncia’ de Bento XVI. -Querenúncia é essa, se ele continua a ser Papa, e um Papa que continua a realizar ‘plenamente’ o Ministério Petrino?”  Socci fartou-se deste disparate, e eu junto-me a ele, que também estou farto.  Veja-se o título da sua coluna sobre os comentários de Müller: “Por mais quanto tempo conseguirá ele fingir que não compreende a situação? E porque não esclarecerá o estado das coisas?” 

Passados quase três anos sob o Pontificado de Bergoglio, tudo é confusão; e a confusão aprofunda-se a cada semana que passa. Tem-se a impressão de que a Igreja e o Mundo se acotovelam, precipitando-se para aquele cenário apocaliptico representado na visão que aparece no Terceiro Segredo de Fátima, onde se vê “um Bispo vestido de Branco”, que os Pastorinhos apenas tiveram “o pressentimento de que era o Santo Padre”.  Porque terão eles tido só o pressentimento? -Porquê esta incerteza? -Como terá Nossa Senhora de Fátima esclarecido esse pressentimento, acabando assim com a incerteza? -Quem será ao certo o “Bispo vestido de Branco”, uma vez que agora há dois a viver no Vaticano?

Só o texto do Terceiro Segredo que nos falta conhecer contém a resposta a estas perguntas. Na ausência dele, nós só podemos especular: -Que estará aqui a acontecer?