Perspectivas sobre Fátima

Cardeais contra Cardeais,
Bispos contra Bispos, Papas contra Papas

por Christopher A. Ferrara
2 de Dezembro de 2016

 “A obra do demónio infiltrar-se-á no interior da Igreja, de modo que se verão Cardeais contra Cardeais, Bispos contra Bispos. Os sacerdotes que Me venerarem serão desprezados e contestados pelos sacerdotes seus irmãos. As igrejas e altares serão saqueados. A Igreja encher-se-á daqueles que aceitam transigir, e o demónio fará que muitos sacerdotes e almas consagradas abandonem o serviço do Senhor.”

Deste modo nos avisou Nossa Senhora de Akita em 1973, fazendo-Se sem dúvida eco do Seu aviso no Terceiro Segredo de Fátima na íntegra, cuja explicação, na Própria voz de Maria Santíssima, foi suprimida em favor daquela “interpretação” absurda do Cardeal Angelo Sodano, alvo frequente de escândalos, amigo e protetor do eclesiástico criminoso Marcial Maciel Degollado.

E agora a profecia está a realizar-se. Na sequência da Amoris Laetitia, há Bispos em Buenos Aires, na Alemanha, na Itália e em outras partes que agora admitem à Sagrada Comunhão, após “discernimento”, Católicos divorciados e “recasados”, enquanto os Bispos da Polónia, de algumas regiões do Canadá e de certas Dioceses americanas, entre outros locais, mantêm a disciplina bimilenar da Igreja, ao mesmo tempo que há outros Bispos no Canadá e nos Estados Unidos que a abandonam. Aquilo que é um pecado mortal e um sacrilégio em algumas Dioceses será agora proclamado noutras um ato de “misericórdia”. É só preciso fazer um pequeno percurso de automóvel, para cada qual encontrar o resultado que preferir. Como se vê, a Igreja Católica está transformada numa escolha de fóruns.

Com o caos a alastrar, quatro Cardeais apresentaram publicamente dubia que questionam o Papa sobre se, ao promulgar a Amoris Laetitia, ele tencionava derrubar o ensinamento da Santa Igreja sobre a indissolubilidade do Matrimónio e a existência de uma Moral de excepção em vez de uma Moral absoluta.  O Cardeal Pell apoia-os numa entrevista em que ele lança esta pergunta: “-Como é que se pode estar em desacordo com uma simples pergunta?”  O Bispo Athanasius Schneider também apoia os quatro Cardeais, tal como um Bispo Polaco que reflete o ponto de vista da hierarquia da Polónia quando diz:

“Os quatro Cardeais fizeram bem ao pedirem esclarecimentos sobre a Amoris Laetitia. Evidentemente é necessário, dar-lhes uma resposta… Eles fizeram bem e exerceram corretamente aquilo que a Lei Canónica prescreve. E penso que não é apenas um direito; é, além disso, um dever.”

Opondo-se aos quatro Cardeais está o Cardeal Joseph Tobin, um dos Bergoglianos progressistas de confiança que recentemente emergiram do último Consistório; declarou ele à imprensa que essas dubia dos Cardeais são “perturbadoras” e que “O Santo Padre está a empreender o trabalho de dois Sínodos.  Portanto, se os quatro Cardeais dizem que os dois Sínodos estão no erro, ou que, de qualquer maneira, o Santo Padre não estava a refletir o que foi dito nesses Sínodos, penso que tal afirmação deveria ser posta em dúvida.”

O Cardeal Schönborn, a quem Francisco dirige aqueles que procuraram obter a “interpretação definitiva” da Amoris, chegou ao ponto de afirmar que a carta dos quatro Cardeais é “um ataque ao Papa” e que eles “têm de obedecer ao Papa”, aceitando a Amoris sem a questionar. Ou seja: Schönborn exige que os quatro Cardeais “obedeçam” à admissão de adúlteros públicos à Sagrada Comunhão.

O ultra-progressista Cardeal Cupich, outro purpurado escolhido por Bergoglio, ofendido, comentou que “se se começar a questionar a legitimidade ou o conteúdo de um tal documento [a Amoris Laetitia], então estão a ser postos em questão todos os outros documentos que foram anteriormente enunciados pelos outros Papas? Por isso, penso que não compete ao Papa responder a isto; para quem tiver dúvidas é um momento para examinar como chegaram a essa posição, porque é um documento do Magistério da Igreja Católica.”

Faltou a Cupich mencionar que a Amoris Laetitia em si, parece questionar o ensino de “todos os outros documentos que foram anteriormente enunciados pelos outros Papas” e sumariados no documento emitido pela Congregação para a Doutrina da Fé no Reinado de João Paulo II, que dizia o seguinte sobre a admissão à Sagrada Comunhão de adúlteros públicos em pretensos segundos casamentos: “Por outras palavras: Se for válido o casamento anterior de dois fiéis divorciados e recasados, a sua nova união em circunstância alguma se pode considerar legítima; logo, é intrinsecamente impossível receber os Sacramentos. A consciência do indivíduo está obrigada a esta norma, sem excepção.”

Portanto, não só vemos Cardeais contra Cardeais e Bispos contra Bispos, mas também um Papa que se opõe aos seus próprios antecessores.  Em Fátima, Akita e outros lugares, a Virgem Santíssima avisou-nos de que estes tempos estavam a chegar.  Mas os Seus avisos não foram escutados. Pior do que isso! Foram até desprezados por aqueles “iluminados” que os relegaram para a posição de “revelações privadas.”

“Não desprezeis as profecias. Mas examinai tudo, mantendo o que é bom.” (1 Tess. 5:20-21). A liderança da Igreja desprezou as profecias da Mãe de Deus e, com isso, faltou-lhe manter o que é bom. E agora a Igreja está cheia “daqueles que aceitam transigir” enquanto nós colhemos as tempestades, das quais, ao que parece, só uma intervenção divina muito radical nos poderá libertar!