Perspectivas sobre Fátima

O chefe da Academia Pontifícia "Pró-Vida" bergoglianizada
elogia um chefe da Cultura da Morte

por Christopher A. Ferrara
28 de Fevereiro de 2017

Um dia destes, em breve — prometo-lhes — esta coluna abordará boas notícias sobre a Igreja Católica, como fiz no passado. No entanto, o problema temporário é que a torrente de más notícias epocais que emanam do Vaticano bergogliano não dá sinais de diminuir. Desta perspetiva de Fátima, resta-nos o dever de informar os nossos Leitores sobre o ultimo desenvolvimento espantoso, em linha com a profecia do Terceiro Segredo, para melhor confirmar a correção da profecia para os que ainda possam duvidar.

Os Leitores desta coluna lembrar-se-ão de que o Papa Bergoglio destruiu na sua essência a Academia Pontifícia Pró-Vida, eliminando o requerimento de um juramento pró-vida, re-escrevendo os seus estatutos de modo a converter a Academia num grupo de discussão de “desenvolvimento integral” que envolve não-Católicos e mesmo ateus, e destituindo todos os membros anteriormente indigitados. 

O Arcebispo Vincenzo Paglia, novo chefe da Academia agora neutralizada, faz parte do quadro de progressistas pseudo-intelectuais indigitados por Francisco para levarem a cabo o seu programa, e assim é naturalmente pró-‘gay’ e apoiante da Sagrada Comunhão para os adúlteros em “segundos casamentos.” O modo como este homem se comporta é o que seria de esperar:

Com uma forma de atuar que até faz tédio, Paglia afirmou a reviravolta destrutiva da Academia fazendo o que não passava de um elogio aberto a um grande “herói” da Cultura da Morte em Itália. Hoje mesmo (27 de Fevereiro), o LifeSiteNews noticiava que, neste mês, Paglia fez um panegírico de 20 minutos a nada menos que ao falecido Marco Pannella, fundador do Partido Radical de Itália, durante um debate sobre uma sua biografia, recentemente publicada.

Como o LifeSite faz notar, este Pannella:

“chefiou a Liga Italiana pelo divórcio, usando com sucesso um agitprop do estilo leninista para o fazer legalizar em 1970. Pannella tomou parte em todas as iniciativas da Cultura da Morte – com sucesso ou não – como a legalização do aborto, o ‘casamento’ gay, a blasfémia, o amor livre, os direitos transgénero, e assim por diante. Queria acabar com a proibição do exibicionismo e do uso de drogas, e sonhava esvaziar as prisões de Itália por meio de uma amnistia geral. Pannella era um proponente da não-violência e do socialismo, do nudismo e da abolição da Concordata entre a Itália e a Igreja Católica. O seu Partido Radical defendia tudo isto e ainda mais.”

Este Marco Pannella, que revelara ser “bissexual,” parece que não podia errar, na opinião de Paglia. O elogio de Paglia louvava o político perverso — que morreu sem se reconciliar com a Igreja — como “homem de grande espiritualidade,” cuja morte foi “uma grande perda, não só para a gente do Partido Radical, mas também para o nosso país.”

Mas o que teria a Itália exatamente perdido com a morte deste ideólogo, que promoveu o mal radical em todas as frentes? Isto é diletantismo intelectual da pior espécie: apreciar os artifícios do “pensamento radical” como uma construção intelectual, cuja “ousadia” e “convicção” ganham a estima do diletante sem considerações de bem e de mal.

E o que queria dizer o Paglia com “espiritualidade”? Nada, além daquele disparate pseudo-intelectual do costume: que Pannella acreditava fervorosamente nos seus “valores”, o que faz dele uma “pessoa espiritual”. Veja-se como Paglia o apresenta: “A sua história mostra como um homem pode ajudar a história a avançar no sentido da defesa da dignidade de todos e de cada uma das pessoas, especialmente dos que estão marginalizados… Tenho grande prazer em dizer que Marco era um homem verdadeiramente espiritual, que lutou e teve esperança para além da esperança…”

A “defesa da dignidade de todos e de cada uma das pessoas” é, evidentemente, impossível de reconciliar com o assassínio de crianças no ventre materno, o ‘casamento’ gay, a blasfémia, o amor livre e o abuso de drogas. Mas não para um prelado completamente moderno como Paglia. Para Paglia, a defesa da dignidade humana não significa a defesa da ordem moral, ou até mesmo da santidade da vida, mas antes da “liberdade” no sentido moderno e totalmente corrupto da palavra. Assim, o facto de Pannella ter lutado­ “para além da esperança” — ou seja, contra as regras morais e legais que restringem a “liberdade” — significa ipso facto que estava a lutar pela “dignidade humana”.

A “espiritualidade” de Pannella, segundo afirma este Paglia, incluía o seu sonho de “um convento que não fosse estabelecido segundo as regras dos outros, mas segundo as suas, as regras do pensamento radicalEle era contra a transcendência, dizia que as regras não descem do Céu, é o homem que as cria e faz com que sejam aplicadas. Se pela palavra transcendência ele estava a designer algo que é exterior, longínquo ou platónico, é evidente que temos de concordar com Marco, porque as ideias deviam ser incarnadas na nossa própria carne!”

Mais conversa pseudo-intelectual que se resume na proposição absurda de que alguém que nega a existência de um reino espiritual transcendental é um homem espiritual.  Mas as asserções incoerentes são típicas do pensamento modernista, que suspende o princípio da não-contradição para negar continuamente o que é afirmado ou afirmar o que é negado.

Rir é a única resposta apropriada à declaração de Paglia de que “hoje, Marco, que está cheio do espírito, continua a soprar e a pedir-nos que ajudemos o espírito cujo sopro movimenta a História... Alegro-me por o espírito de Marco que nos pode ajudar a viver na mesma direção!” Exatamente para onde é que Paglia pensa que Pannella foi? Para algum universo alternativo onde poderá dedicar-se à agitação da Esquerda radical por toda a eternidade? Será que ele imagina que o “espírito” de Paglia continua ainda do Além a dirigir os assuntos da Esquerda radical italiana? Será que este Paglia acredita nos Novíssimos do Homem? Ou já pôs de lado a Morte, Juízo, Paraíso e Inferno, em favor de alguma vaga noção de um mundo inferior habitado por almas que partiram e que continuam a ser tal como eram em vida?

Não se pense que este tributo ridículo ao “espírito de Marco” era algum devaneio pessoal de Paglia. Pannella, como o LifeSite sublinha, “recebeu vários telefonemas do Papa Francisco”; e quando ele estava a morrer, Francisco disse a Paglia: “Vai lá imediatamente e cumprimenta-o por mim…” E se mandasse um padre para o pé do leito fúnebre de Pannella, como um esforço para lhe salvar a alma? Não há qualquer menção de tal. O importante, aparentemente, era uma “saudação” de Francisco.

Mas “Marco,” disse Paglia, “viveu como um crente, disposto a pagar o preço com o seu próprio ser por aquilo em que acreditava.” O facto de aquilo em que acreditava era totalmente mau, incluindo a crença em que as crianças podem ser assassinadas no próprio seio materno, parece que não tem importância para o novo chefe do que já foi a Academia Pontifícia Pró-Vida.

Porém, sublinhe-se, isto não era um simples devaneio pessoal de Paglia. Recorda o LifeSite: “A atuação do Arcebispo assemelhava-se muito ao elogio do Papa Francisco por Emma Bonino, outro membro preeminente e histórico do Partido Radical. Ela é um dos ‘grandes esquecidos’ do país, disse Francisco sobre a maior defensora do aborto na Itália em Fevereiro de 2016.”

A notícia do LifeSite conclui, sublinhando que “Riccardo Cascioli, editor de La nuova Bussola Quotidiana, um dos jornais mais conservadores da Itália, chamou ao autor [Paglia] deste elogio desconcertante: Presidente da ‘Academia Pontifícia Pró-Morte.’”  Neste ponto do pontificado bergogliano, poder-se-á dizer que o comentário de Cascioli era irónico em vez de literalmente verdadeiro?

-Nossa Senhora de Fátima, salvai a Vossa Igreja!