Perspectivas sobre Fátima

Sobre a "cultura degradada do Vaticano"

por Christopher A. Ferrara
9 de Março de 2017

Adorado pelos poderes deste mundo, Francisco já apareceu na capa da revista Rolling Stone — a publicação mais importante da “cultura rock” degenerada — pela segunda vez. Desta vez foi na edição italiana, com uma história apropriada sob o título “Francesco — Papa Pop.”

O “Papa Pop” tem-se rodeado de um grupo de progressistas radicais cujas fotografias espontâneas nos dizem muito sobre o carácter da chefia da Igreja com Francisco à sua frente. Examinemos uma amostra desta estranha galeria de eclesiásticos poderosos:

Cardinal Francesco

Coccopalmerio

Cardinal Lorenzo

Baldisseri

Cardinal Christoph

Schönborn

Cardinal Reinhard Marx

Cardinal Walter Kasper

Cardinal Donald Wuerl

E depois ainda temos o Arcebispo Vincenzo Paglia, que está agora à frente do neutralizado Conselho Pontifício sobre a Vida, e que, como já referi aqui, encomendou um mural blasfemo e obsceno para a catedral da sua antiga diocese, obra horrível que representa a si próprio e um tal “Padre Fábio”:


Archbishop Vincenzo Paglia

Cada um destes prelados aqui representados, citando obrigatoriamente a Amoris Laetitia (AL) como a única autoridade, apoia a rejeição na prática dos ensinamentos de João Paulo II e de toda a Tradição sobre a impossibilidade de as pessoas que vivem em adultério receberem a Sagrada Comunhão. E todos eles foram elevados a um nível mais alto de proeminência e autoridade pelo mesmo “Papa Pop.”

Talvez baste olhar para as fotografias acima reproduzidas para compreender que a Igreja está agora em perigo grave, vindo de grande parte da sua própria direção, particularmente dentro do aparelho de Estado do Vaticano. Mas quanto a Paglia em particular, Maureen Mullarkey, sempre perspicaz, tira uma lição mais ampla do caso do mural. Escreveu ela:

“O narcisismo de Paglia — o ímpeto de pavonear a sua libertação das considerações morais que ele se comprometeu a honrar — é espantoso. É como meter um dedo nos olhos dos congregantes que confiam na fidelidade de um padre aos seus votos. Exteriorizá-lo numa casa de culto público é traição. É também uma declaração da confiança que Paglia tem na sua imunidade a ser repreendido...”

Note-se bem a frase: “imunidade a ser repreendido.” Paglia, com os seus óculos de cor de arco-íris e tudo, sabe muito bem que os seus ultrajes não terão consequências, mas, pelo contrário, serão recompensados com poder e influência. E isto, sublinha Mullarkey, indica um problema endémico muito mais profundo: “Em última análise, o núcleo deste problema não é de modo algum o mural. Não substancialmente. Nem sequer é o Arcebispo Paglia. É uma cultura degradada do Vaticano, que promove um homem como Paglia, conferindo-lhe autoridade quando ele devia ser mandado fazer penitência e colocado num eremitério.”

Neste momento preciso da história, estamos a assistir à crise sem paralelo que foi predita no Terceiro Segredo de Fátima, cuja parte ainda oculta foi parcialmente revelada por Bento XVI em resposta a uma pergunta sobre o Terceiro Segredo que ele próprio escolhera previamente:

“Quanto às coisas novas que podemos encontrar hoje nesta mensagem, há também o facto de que os ataques contra o Papa e a Igreja não vêm apenas de fora, mas que os sofrimentos da Igreja vêm precisamente de dentro da Igreja, do pecado que existe dentro da Igreja. Isto é também algo que sempre soubemos, mas que hoje estamos a ver de uma maneira realmente aterrorizante: que a maior perseguição da Igreja não vem dos seus inimigos exteriores, mas resulta do pecado dentro da Igreja…”