Perspectivas sobre Fátima

Atualização das "Loucuras Ecuménicas"

"Vésperas" anglicanas na Catedral de São Pedro:
Outra falsa exibição de uma "unidade" que não existe.

por Christopher A. Ferrara
13 de Março de 2017


Estão a rir-se da Igreja Católica

Estou aqui em Roma, para me juntar à Equipa de Resposta Rápida do Centro de Fátima e dar testemunho da última e infindável série de atrocidades ecuménicas que se seguiram ao Concílio Vaticano II e que introduziram na Igreja o vírus paralisante do “ecumenismo”.

Estou a referir-me ao evento que se realiza hoje — 13 de Março — no altar de S. Pedro, sob a Cadeira de Pedro, no coração da Igreja Católica visível: a Basílica de S. Pedro. Um grupo de ministros anglicanos vão profanar esse lugar sagrado, fazendo o seu equivalente das Vésperas Católicas (a que eles chamam Evensong). Isto, como se está a ver, é o que o Papa Bergoglio considera apropriado para o aniversário da sua eleição como sucessor de Pedro. O que é que S. Pedro pensaria disto? A pergunta responde-se por si própria.

Na altura em que esta coluna aparecer online, já terá sido perpetrado o sacrilégio, e eu relatarei o que tiver testemunhado na coluna de Terça-Feira. Por agora, dou-lhes um panorama do triste espetáculo:

Na foto acima vê-se o Papa Bergoglio à gargalhada com algumas Anglicanas na “Igreja” anglicana de Todos-os-Santos, em Roma, durante a sua visita em 26 de Fevereiro — a primeira que alguma vez fez um Papa a uma “paróquia” anglicana. O vídeo do evento, orgulhosamente posto à disposição pelo Centro Anglicano de Roma, mostra Bergoglio a participar numa liturgia conjunta com “padres” e “bispos” anglicanos.

As citações perturbantes no parágrafo anterior são feitas para sublinhar que os Anglicanos não têm uma Igreja, nem paróquias, nem padres, nem bispos. Tal como o Papa Leão XIII declarou infalivelmente na sua Apostolicae Curae, que foi misteriosamente omitida do arquivo das Bulas papais do Vaticano:

“Portanto, seguindo estritamente, nestes assuntos, os decretos dos Pontífices, Nossos Predecessores, e confirmando-os plenamente, e até mesmo renovando-os pela Nossa autoridade, pela Nossa própria iniciativa e conhecimento certo, Nós pronunciamos e declaramos que as ordenações feitas segundo o rito anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente não havidas.”

Como os Anglicanos não têm sacerdócio ou episcopado válidos, não podem ter uma Igreja propriamente dita, como até João Paulo II ensinou em Dominus Iesus: “as comunidades eclesiais que não conservaram o Episcopado válido e a substância genuína e integral do Mistério Eucarístico, não são Igrejas no sentido próprio…

O que os Anglicanos têm, de facto, é uma organização meramente humana, uma espécie de clube, fundado há 500 anos por um monarca rebelde que queria divorciar-se da sua primeira esposa e, para o conseguir, proclamou-se chefe do que é hoje chamada “Igreja de Inglaterra,” enviando assim toda a Inglaterra pelo caminho do cisma e da heresia, dos quais nunca recuperou. 

Atualmente, a “Comunhão Anglicana” exibe os destroços espirituais e morais de uma organização humana que andou à deriva segundo a maré da História, faltando-lhe a proteção do Espírito Santo contra o erro. O seu “Livro da Oração em Comum” original e os Trinta e Nove Artigos da Religião estão cheios de heresias, incluindo a negação da primazia papal e dos ensinamentos constantes do Magisterium como fonte de autoridade, a par da Bíblia, a negação da existência de sete Sacramentos, a negação da existência do Purgatório, e o erro luterano da sola fides­ — a salvação apenas pela fé fiducial, sem considerar as boas obras. O caminho inicial da heresia levou hoje, inevitavelmente, à suposta ordenação de mulheres e de homossexuais praticantes.

Os ensinamentos morais da “Comunhão Anglicana” troçam de Deus e da Sua lei: não só o erro original do divórcio como também a contraceção, o aborto, a sodomia e o “casamento gay” vieram a ser aceites pela “Comunhão Anglicana.”

A “Comunhão Anglicana” tem-se tornado tão decrépita que clérigos e leigos anglicanos têm-na abandonado em massa para se tornarem Católicos, juntando-se aos “ordinariatos” estabelecidos por Bento XVI, em que os antigos ministros anglicanos são instruídos na Fé Católica e em seguida ordenados validamente como padres (mostrando assim a falsa noção ecuménica de que eram ministros válidos de Cristo antes da sua conversão).

Porque é que o Papa Bergoglio — em linha com João Paulo II, diga-se de passagem — continua a sustentar a decadente e moribunda “Comunhão Anglicana,” emprestando a dignidade do cargo papal ao seu mero espetáculo litúrgico e aos seus falsos clérigos, ao mesmo tempo que ignora a sua grande heresia e imoralidade? Porque é que o elemento humano da Igreja abandonou abruptamente a doutrina constante da Igreja, que é como Pio XI declarou apenas 37 anos antes do Vaticano II: “a união dos Cristãos pode promover-se promovendo o regresso à única verdadeira Igreja de Cristo daqueles que estão separados dela, por, infelizmente,  a terem abandonado no passado”?

Considere-se este como um dos mistérios de iniquidade a que se referiu a Virgem Santíssima na Sua Mensagem/aviso, a que geralmente se chama o Terceiro Segredo de Fátima.

Amanhã contarei mais, diretamente de Roma.