Perspectivas sobre Fátima

Não há ninguém que nos defenda?

por Christopher A. Ferrara
16 de Março de 2017

O que terá acontecido à “correção formal” dos erros da Amoris Laetitia (AL), em especial do Capítulo VIII, n.º 300-305, que devia seguir-se aos 5 dubia publicados pelos Cardeais Brandmüller, Burke, Caffarra and Meisner? Relatos de imprensa posteriores à publicação dos dubia noticiavam que a “correção formal” tinha sido reduzida a uma desaprovação privada com o Papa Bergoglio — o que é manifestamente um absurdo, uma vez que os próprios dubia foram tornados públicos precisamente porque o Papa já os tinha ignorado, quando lhes foram apresentados em intervenção privada. Assim sendo, para que serviria uma nova intervenção privada?

Basta vermos o 4.º e o 5.º dubium para nos apercebermos da magnitude dos erros da AL a que os dubia se referem:

“Depois das afirmações da Amoris Laetitia (nº 302) sobre ‘circunstâncias que mitigam a responsabilidade moral’, é ainda necessário considerar como válido o ensino da encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II, nº 81, que está baseado nas Sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja, segundo o qual ‘as circunstâncias ou intenções nunca podem transformar um ato que é intrinsecamente mau, devido ao seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ bom ou defensável como uma escolha?’

“Depois da Amoris Laetitia (nº 303) é ainda necessário considerar como válido o ensino da encíclica Vertitatis Splendor de São João Paulo II, nº 56, que está baseado nas Sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja, que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e que enfatiza que a consciência nunca pode ser autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus em virtude do seu objeto?”

Essencialmente, o que os Cardeais perguntam ao Papa Bergoglio é isto: Vossa Santidade tem a intenção de invalidar toda a ordem moral no âmbito da sexualidade humana, reduzindo os princípios morais absolutos que não admitem qualquer exceção a simples regras para as quais pode haver “exceções”, de acordo com a “consciência” de cada qual? Um erro de semelhante gravidade num documento papal, e promulgado para toda a Igreja, exige uma correção pública.

No entanto, como relata o Canon212.com,  já passaram 177 dias após o Papa ter recebido os dubia, e  também não há ainda sinal de que os Quatro Cardeais tencionem cumprir a sua determinação de corrigir de um modo decisivo os erros da AL.

E agora lemos no blog Anonimo della Croce, da autoria de “Fra Cristoforo” — um padre com uma fonte importante na Casa Santa Marta — que os Quatro Cardeais “já não irão fazer a correção pública que tinham anunciado”, e “que eles se reuniram novamente há uns 20 dias, tendo optado por esta atitude.”  Aparentemente, o motivo para isso é que “eles não se sentiram apoiados a nível oficial pelos outros Cardeais, e resolveram desistir.”

Faço minhas as palavras de “Fra Cristoforo”, que acrescento em tradução minha:

“Não nos deixem sós! Não nos abandonem! Não podem deixar a Igreja numa tal confusão! Assim, perder-se-ão muitas almas. E, nesse caso, o que hão-de depois dizer perante Deus, Nosso Senhor?”

Não se vê vir nenhum auxílio. Humanamente falando, estamos entregues a nós próprios. Quando até os Cardeais perdem a coragem, só a mais drástica intervenção do Alto nos poderá resgatar do tumulto bergogliano — que é, claramente, um castigo dado à Igreja!

-Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!