A Irmã Lúcia traída

de Christopher A. Ferrara, Esq.

No Século V, São Jerónimo foi enfrentado com um tratado crude escrito por um jovem obscuro e inculto chamado Helvídio, que renunciou a virginidade perpétua da Virgem Maria. Embora São Jerónimo finalmente respondesse a Helvídio, derrubando os seus argumentos frágeis, o grande santo havia hesitado ao princípio, "por medo de que ao responder admitisse que ele apresentava um perigo exigindo confutação".

Emerge o mesmo tipo de problema ao dirigir-nos a dois livretes de mau gosto produzidos em 1992-1993 por Carlos Evaristo, um jovem obscuro de Portugal que alega ter entrevistado a Irmã Lúcia em duas ocasiões diferentes no seu convento recluso. Segundo Evaristo, durante estas duas "entrevistas" a "Irmã Lúcia" retraiu essencialmente tudo o que tinha dito sobre a Mensagem de Fátima durante os últimos 75 anos.

Por quase cinco anos os livretes foram justamente ignorados pela prensa Católica e pela secular, tendo sido expostos imediatamente como bobagem por peritos de Fátima principais, inclusivo o conhecido "fatimista" francês Frère François de Marie des Anges. Em 1998, porém, os panfletes ressurgiram e receberam publicidade considerável.

Este acontecimento induziu-nos a autorizar o seguinte artigo sobre os livretes notórios do Sr. Evaristo. Apesar de que nós, como São Jerónimo, estávamos algo preocupados que ao responder ao Sr. Evaristo admitíssemos "que ele apresentava um perigo exigindo confutação", a publicidade recente dos seus panfletes requerem que respondamos às contradições espalhafatosas sobre a Mensagem de Fátima que Evaristo apresentou como as palavras da Irmã Lúcia.

A Irmã Lúcia repudiou todas as suas declarações anteriores sobre a consagração e a conversão da Rússia e o Terceiro Segredo de Fátima? Ou será o Sr. Evaristo o portador de uma "nova" Mensagem de Fátima, revisada convenientemente para responder às exigências da "ecumania" e da Nova Ordem Mundial formando-se à nossa volta? Leia as provas e os argumentos comandados pelo Sr. Ferrara e decida por si mesmo.

Introdução

Este artigo apresenta uma discussão detalhada e uma análise de duas supostas "entrevistas" com a Irmã Lúcia de Jesus (conhecida pelos católicos como a Irmã Lúcia), a última vidente sobrevivente das aparições de Nossa Senhora de Fátima, que agora vive como uma freira clausturada num convento Carmelita em Coimbra, Portugal. As supostas entrevistas foram feitas alegadamente no convento a 11 de outubro de 1992 e a 11 de outubro de 1993 por Carlos Evaristo, um "jornalista, historiador, e intérprete" auto-nomeado.

Evaristo publicou as entrevistas na forma de dois livretes, titulados Duas Horas Com a Irmã Lúcia e Tudo Começou com Duas Horas Com a Irmã Lúcia. Os panfletes têm incendiado uma controvérsia tremenda porque em eles se relata que a Irmã Lúcia contradiz completamente toda uma série de declarações que havia feito durante os 75 anos anteriores, sobre a Mensagem de Fátima e as suas implicações para a Igreja e para o Mundo.

Antes de discutir em detalhe as supostas entrevistas, seria melhor sumariar as circunstancias que rodeavam a sua produção e a sua publicação.

O Panflete original

A 11 de outubro de 1992, Carlos Evaristo emergiu do famoso convento em Coimbra, Portugal, para fazer uma alegação espantosa: que acabava de passar duas horas entrevistando a Irmã Lúcia, e que durante esta "entrevista" ela tinha contradito todas as suas declarações públicas e privadas dos últimos 75 anos que diziam respeito à Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, à conversão da Rússia, e ao Terceiro Segredo de Fátima.

Segundo Evaristo, a "nova" Irmã Lúcia, contrário a tudo o que tinha dito nums 75 anos de correspondência anterior, de conversas e observações publicadas, dizia agora que a Rússia havia sido consagrada ao Imaculado Coração de Maria (em 1984), que a Rússia se estava "convertendo", que a conversão não signivica adotar a fé católica, e que o Terceiro Segredo de Fátima não estava designado a ser revelado aos fieis em 1960.

Evaristo publicaria brevemente a sua primeira "entrevista" na forma de um livrete grosseiramente produzido titulado Duas Horas com a Irmã Lúcia. A credibilidade do livrete foi posta imediatamente em dúvida por um detalhe manifestadamente absurdo com o qual Evaristo adornou o seu relato:

"Carlos Evaristo, que estava sentado mais perto da Irmã Lúcia e mesmo à frente, segurou as mãos da Irmã Lúcia durante a maior parte da entrevista de duas horas".1

A Irmã Lúcia é uma freira clausturada que nem sequer está autorizada a ver a sós os seus familiares. A declaração que deu a mão por duas horas a um homem que não conheceu até esse dia era de caras ridícula e impossível de acreditar.

Igualmente impossível era a entrevista em si. De fato, era tão inacreditável que a única outra testemunha de fala portuguesa do relato alegado de Evaristo com a Irmã Lúcia, o Padre Francisco Pacheco (que é avogado e padre), repudiou o panflete inteiro:

Eu era o tradutor oficial de este encontro, que durou duas horas. Afirmo categòricamente que o livrete titulado Duas Horas com a Irmã Lúcia publicado por Carlos Evaristo contém metiras e meias-verdades e não deve ser acreditado. Cuando ao princípio me mostraram uma cópia em janeiro de 1993, entrei imediatamente em contato com Carlos Evaristo e disse-lhe pessoalmente que não publicasse este livrete por causa das mentiras graves que nele tinha posto Espero que isto ponha fim à confusão causada por Carlos Evaristo e o seu panflete notório".2

Para além do Padre Pacheco, estavam presentes duas testemunhas durante a alegada entrevista de 1992, mas nenhuma de elas fala português. O Cardeal Anthony Padiyara e o Bispo Francis Michaelappa, ambos da India, estavam em Fátima para atender uma conferência mariana, sendo convidados do Padre Nicholas Gruner e do seu apostolado de Fátima, e foram com Evaristo e com o Padre Pacheco ao convento em Coimbra. Mais tarde, o Cardeal Padiyara atestaria apenas que estava presente durante a "entrevista", que foir conduzida numa língua que ele não entendia. Enquanto ao Bispo Michaelappa, este não só se recusou a confirmar a autenticidade da "entrevista", mas juntou-se ao Padre Pacheco em exigir que Evaristo não o publicasse.

Por quê repudiou pùblicamente o Padre Pacheco Duas Horas com a Irmã Lúcia e porquê exigiram ele e o Bispo Michaelappa que Evaristo não o publicasse? A resposta foi fornecida por o próprio Evaristo: Numa transmissão de fax a Coralie Graham, a editora da Fatima Crusader, Evaristo admitiu que as declarações que ele atribuiu à Irmã Lúcia contêm: " coisas contraditórias e ilógicas que por vezes quase parecem loucura".3 (ver a fig. 1)

No mesmo fax, Evaristo prosegue a admitir: "O diálogo não foi gravado na altura. Não se tomaram apontamentos."4 (ver fig. 2) Como se fosse para derrubar qualquer vestígio de credibilidade na "entrevista", Evaristo até confessa que porque a sua memória não é fiável, a reprodução da entrevista não refletia a sua memória, mas estava "reconstruida" das memórias dos outros:

Embora eu tenha má memória, esta reconstrução do que foi dito em grande parte não foi feita por mim. Eu apenas escrevi à máquina. (ver fig. 3.)

Esta admissão é devastante, porque a "transcrição" não foi baseada na memória do próprio Evaristo do que a "Irmã Lúcia" alegadamente tinha dito, e se o Padre Pacheco, a única testemunha que falava português, repudiou a "transcrição" porque "contém mentiras e meias-verdades e não deve ser acreditada", então as únicas fontes possíveis são o Cardeal Padiyara e o Bispo Michaelappa-- e nenhum deles fala português.

Porém, em nenhum sítio em Duas Horas Com a Irmã Lúcia se diz ao público que "transcrição" da entrevista com a Irmã Lúcia não é realmente uma transcrição, mas uma reconstrução das memórias de pessoas que nem sequer podiam falar a língua da entrevistada!

Evaristo Tenta Outra Vez

Depois de uma enorme crítica pública das declarações ridículas atribuidas à Irmã Lúcia em Duas Horas Com a Irmã Lúcia, Evaristo produziu um segundo livrete, que titulou Tudo começou Com Duas Horas Com a Irmã Lúcia. A continuação volta apenas a publicar a transcrição original, mas esta vez tenta apoiá-la com outra suposta "entrevista", e ela não repete as suas declarações que o Terceiro Segredo de Fátima não era para os fieis.

Em contraste com o livrete original, que foi ignorado justamente por a prensa, a publicação de 1993 tem recebido publicidade considerável em 1998, incluso atenção num programa de televisão espanhol e artigos nos periódicos Christus (de Portugal) e Gente (de Itália). Que a segunda publicação conseguiu tal publicidade faz que refutar a sua credibilidade seja um assunto de urgência considerável.

Evaristo sustenta que a segunda entrevista foi gravada a audio e a video na presença dele e de oito testemunhas que supostamente atenderam, incluso um cardeal. As cassetes de audio e de vídeo, porém, não se fizeram assessiveis ao público.

Evaristo declara também que a sua segunda entrevista foi realizada apenas com uma hora de aviso à Madre Priora do Convento, depois de decidir o cardeal (a Sua Eminência, o Cardeal Ricardo Vidal, de Cebu, nas Filipinas) que um grupo de nove pessoas, incluso Evaristo, deviam entrar em automóveis e visitar a Irmã Lúcia de noite com uma câmara de vídeo e um gravador de cassetes. Contam-nos que este equipagem rápidamente montado foi admitido num convento clausturado às 10h30 da noite para entrevistar uma freira de 86 anos que normalmente estaria a dormir a essa hora.

Tal como na primeira entrevista, pede-se ao leitor que acredite que a Irmã Lúcia agora contradiz tudo o que tinha dito pública e privadamente sobre a mensagem de Fátima durante mais de 75 anos antes de ter falado com o Sr. Evaristo e as suas testemunhas.

Curiosamente, embora assistissem um cardeal e outras sete testemunhas à entrevista noturna espontânea com a Irmã Lúcia, a seqüela de Evaristo não contém quaisquer atestações por estas alegadas testemunhas que a "transcrição" da entrevista de1993 reflete realmente o que disse a "Irmã Lúcia" nessa ocasião.

O propósito deste artigo não é tirar conclusões finais sobre qual das teorias explica melhor as retrações incriveis contidas nestas duas "entrevistas" da "Irmã Lúcia". Não é necessário, para os nossos propósitos, determinar se a repudiação da Irmã Lúcia das suas próprias reclamações se atribui a traição da parte de Evaristo, ou se a mulher vestida de freira que ele alegadamente entrevistou no convento em Coimbra era uma impostora (como têm teorizado algums), ou se foi efetivamente a Irmã Lúcia que disse estas coisas a ela atribuidas, mas apenas como resultado de compulsão, obediência às sugestões dos seus superiores, ou aos efeitos de uma acuidade mental em decadência combindada com a persuasão dos outros.

Seja qual for o escenário, a conclusão é a mesma: A Irmã Lúcia foi traída por aqueles que promovem as suas "retrações".

Este artigo não procura establecer como fato um escenário particular para esta traição, mas apenas demostrar que teve que ocurrer uma traição porque as declarações atribuidas à Irmã Lúcia de Jesus, tanto na "entrevista" de 1992 como na de 1993, são obviamente indignas de serem acreditadas, por estas razões:

Em primeiro lugar, contradizem a Mensagem de Fátima em si, a qual, como notou o Cardeal Ratzinger, "já três papas reconheceram na maneira mais solene possível e têm sinceramente tomado parte nesta devoção";6

Em segundo, contradizem as declarações repetidas da própria Irmã Lúcia sobre a mensagem e o seu siginificado, de um periodo de setenta e cinco anos antes das "entrevistas" de Evaristo;

Em terceiro, contradizem as provas dos nossos própios sentidos no que diz respeito à detereorização drástica moral e espiritual do mundo desde a consagração papal do mundo (mas não da Rússia especìficamente) em 1984, e a suposta "queda do comunismo" depois.

A Primeira Entrevista:
Duas Horas com a Irmã Lúcia

Como vimos, o problema mais óbvio do livrete Duas Horas Com a Irmã Lúcia é que apresenta deceptivamente como uma transcrição de palavra por palavra o que não passa de uma

"reconstrução" do que disse alegadamente a Irmã Lúcia, uma "reconstrução que não está baseada na memória do próprio Evaristo, mas sim na memória de "testemunhas que nem sequer falam português. O livrete original nunca menciona este fato decisivo, mas leva o leitor a pensar que a "Irmã Lúcia" está sendo citada palavra por palavra.

Só no segundo livrete, Tudo Começou Com Duas Horas Com a Irmã Lúcia, admitiu finalmente Evaristo que o que tinha apresentado originalmente ao público como uma transcrição literária era uma reconstrução fictícia:

Esta (a primeira entrevista) não é uma tradução literal. É uma tradução conceptual. A linguagem usada neste documento está baseada no verdadeiro diálogo português?7

Que quer dizer Evaristo com "uma tradução conceptual? Que quer dizer quando diz que a tradução está "baseada" no diálogo português verdadeiro? E porque não informou Evaristo o público, em primeiro lugar, que a sua muito gabada "entrevista" com a "Irmã Lúcia", que causou tanta controvérsia e até ultraje pelo mundo fora, contém apenas conceitos e não as verdadeiras palavras dela?

Que uma reconstrução “conceptual” de uma conversa fosse apresentada ao público como uma transcrição verbal deve ser o suficiente para desacreditar completamente o primeiro livrete, tal como quaisquer produtos adicionais do seu autor. A nova publicação da entrevista admitidamente fabricada no segundo livrete não faz nada para melhorar a sua credibilidade hoje, mais de cinco anos depois de ter lugar a alegada "entrevista" com a "Irmã Lúcia".

Pondo de lado, por um momento, os problemas óbvios con a credibilidade da "entrevista" original, o leitor está agora simplesmente convidado a considerar, por si, as palavras que Evaristo atribui à sua versão da "Irmã Lúcia" de 1992.

Sobre a Consagração da Rússia

"Irmã Lúcia":

Sim, sim, sim A consagração da Rússia já estava parcialmente feita. O Papa Pío XII fê-la em 1942 a 31 de outubro, mas faltava a união com todos os bispos do mundo, que o Papa João Paulo conseguiu por fim unir em 1984.

Evaristo:

Então esta consagração [1984] foi aceite por nossa Senhora?

"Irmã Lúcia":

Sim!8 Como é que podemos reconciliar o que Evaristo agora admite ser uma transcrição fabricada com todas as declarações anteriores da Irmã Lúcia que nem a consagração de 1984 nem a de 1982 satisfaziam o pedido de Nossa Senhora?

Por exemplo, aqui está a entrevista de setembro de 1985 com a Irmã Lúcia no Sol de Fátima, a publicação do Exército Azul em Espanha: Pregunta:

João Paulo II tinha convidado todos os bispos a juntarem-se à consagraçào da Rússia, que ele ia fazer em Fátima a 13 de maio de 1982, e que ele ia renovar ao fim do Ano Santo em Roma a 25 de maio de 1984, ante a estátua original de Nossa Senhora de Fátima. Sendo assim, não fez ele o que foi pedido em Tuy?

“Irmã Lúcia”:

Não houve participação de todos os bispos e não se mencionou a Rússia.

Pregunta:

Então a consagração não foi feita como pediu Nossa Senhora?

“Irmã Lúcia”:

Não. Muitos bispos não deram importância a ese ato.

As afirmações da Imã Lúcia no Sol de Fátima são completamente congruentes com todas as suas afirmações anteriores sobre condições essenciais para uma consagração válida da Rússia ao Imaculado Coração de Maria: (1 ) que seja feita solene e públicamente pelo Papa, (2 ) em união com todos os bispos do mundo, e (3 ) mencionando a Rússia específicamente.

Isto é precisamente o que disse a Irmã Lúcia ao Núncio Papal de Portugal, o Reverendíssimo Sante Portalupe, quando se conheceram a 21 de março de 1982, para discutir como deveria de ser realizada a consagração que o Papa havia planeado para 13 de maio de esse ano:

"A Irmã Lúcia explicou que o Papa deve escolher uma data em que a Sua Santidade comanda os bispos do mundo para fazer, cada um na sua catedral e ao mesmo tempo que o Papa, uma cerimónia solene e pública da Reparação e da Consagração da Rússia."9

Como se isso não fosse o suficiente, a 12 de maio de 1982, o dia antes da tentativa de consagração de 1982, L'Osservatore Romano, (edição italiana) publicou uma entrevista de 1978 com a Irmã Lúcia pelo Padre Umberto Maria Pasquale, um sacerdote salesiano, que era "o confidente da Irmã Lúcia desde 1939".10 Durante a sua entrevista a 5 de agosto de 1978, ela disse ao Padre Umberto em termos claros que Nossa Senhora não tinha pedido a consagração do mundo em geral, mas da Rússia específicamente, e só da Rússia: Num momento eu disse-lhe: "Irmã, eu gostaria de lhe fazer uma pregunta. Se não me pode responder, deixá-lo. Mas se pode responder, estaria-lhe bastante grato Nossa Senhora alguma vez lhe falou sobre a consagração do mundo ao seu Imaculado Coração?" "Não, Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria em 1917 Nossa Senhora prometeu: virei a pedir a consagração da Rússia Em 1929, em Tuy, como tinha prometido, Nossa Senhora voltou para me dizer que tinha chegado o momento para pedir ao Santo Padre a consagração de esse país (Rússia)".11

Depois de esta conversa, o Padre Umberto pediu à Irmã Lúcia para deixar esta clarificação por escrito. A sua nota, escrita à mão, foi publicada num livrete em 1980 produzido por Cavaleiro do Imaculado, establecendo para além da dúvida que a consagração "do mundo" não bastou para sastifazer o pedido de Nossa Senhora em Fátima, como a própria Irmã Lúcia diria depois de ambas as cerimónias de consagração, a de 1982 e a de 1984. O seguinte é a carta escrita por a Irmã Lúcia ao Padre Umberto a 13 de abril de 1980.

Reverendo Padre Umberto:

Respondendo à sua pregunta, clarificarei: Nossa Senhora de Fátima, no Seu pedido, referiu-se só à consagração da Rússia na carta que eu escrevi ao Santo Padre o Papa Pío XII--baixo a direção do meu confessor--Pedi a consagração do mundo mencionando esplicitamente a Rússia. Vossa devota e na união das orações. Coimbra, 13 de abril de 1980. (assinada) Irmã Lúcia. (ver fig. 4 na outra página)

Aqui a Irmã Lúcia confirma para toda a Igreja que a consagração do mundo é secundária à Mensagem de Fátima, e representa, quando muito, a sugestão do seu confessor. Esta sugestão parece ter sido o resultado de um mandato do Bispo de Gurza que a Irmã Lúcia faça ao Papa Pío XII um pedido pela consagração do mundo (além da Rússia), na sua carta de 2 de dezembro de 1940.12

Precisamente porque na tentativa de consagração de 1982 não se mencionou a Rússia (e os bispos não participaram), a Irmã Lúcia disse ao Núncio Papal a 19 de março de 1983 que:

"A consagração da Rússia não foi feita como pediu Nossa Senhora. Não pude fazer esta declaração antes porque não tinha a autorização da Santa Sé".13

Até Evaristo concede no seu segundo livrete que a Consagração de 1982 foi insuficiente porque "não houve participação dos bispos, tornado-a inválida".14

Efetivamente, como podia o Papa consagrar a Rússia sem sequer mencionar a Rússia? A noção ofende a lógica simples e o senso comum. Contudo, a "Irmã Lúcia" que falou alegadamente com o Carlos Evaristo em outubro de 1992 ofreceu esta explicação curiosa, que contradiz tudo o que ela tinha dito anteriormente.

 

Evaristo:

Mas a Rússia não tem que ser mencionada específicamente, e Nossa Senhora não disse assim?

"Irmã Lúcia":

A intenção do Papa era a Rússia quando ele disse "esses povos " no texto da consagração de 1984 Deus sabia que a intenção do Papa era a Rússia e ele queria dizer a “Rússia” na consagração. O que importa é a sua intenção, como quando um padre tem a intenção de consagrar uma Hóstia.

Mas como se espera que a Irmã Lúcia saiba, a mera intenção não pronunciada de consagrar uma Hóstia não basta para realizar a transubstanciação do mero pão no Corpo de Cristo. Esse é precisamente o ponto principal: o padre deve dizer por alto certas palavras específicas-- "Este é o Meu Corpo"--para realizar a ordem de Nosso Senhor na Última Ceia. Nenhumas outras palavras servem no seu lugar.

No seu livrete original Evaristo evita mencionar um fato crítico que arrasa qualquer pretensão que as palavras "esses povos" servem tam bem como a palavra crucial, "Rússia": Depois de dizer o Papa João Paulo as palavras "esses povos" ao recitar a Consagração de 1984 na Praça de São Pedro, acrescentou espontâneamente as seguintes palavras ao texto preparado: " que Vós Mesma esperais a nossa consagração e confiança".

Enquanto que a frase acrescentada não aparece no texto preparado imprimido antes da Consagração do mundo de 1984, aparece sim na reportagem de o que o Papa realmente disse em L'Osservatore Romano.15 Como establece o acrescentamento espontâneo do Papa, "esses povos"--os povos de Rússia-- continuavam esperando a Consagração ao Imaculado Coração a 25 de março de 1984. A Rússia não foi consagrada na Praça de São Pedro nessa data porque, por qualquer razão, o Papa determinou que uma Consagração da Rússia por nome não era conveniente.

Isto está confirmado para além da dúvida por uma reportagem em Avvenire, o jornal dos bispos católicos italianos, que nota que várias horas após recitar o ato de consagração, a Sua Santidade voltou a dirigir-se a Nossa Senhora de Fátima, esta vez na Basílica de São Pedro, declarando na presença de 10,000 testemunhas:

"Quisemos escolher este domingo para o ato de confiar a consagração do mundo de todos os povos, especialmente aqueles que têm grande necessidade de esta consagração e confiança, essas pessoas pelas quais Vós esperais o nosso ato de consagração". 16

Então, horas depois de recitar a Sua Santidade o Ato de Consagração na Praça de São Pedro, ele entendia claramente que a Rússia ("esses povos") continuava esperando a consagração ao Imaculado Coração de Maria, e que ele ainda não tinha efetuado o ato. E, como demostramos na cita acima, em setembro de 1985 a Irmã Lúcia declarou pùblicamene na revista Sol de Fátima que a consagração de 1984 não satisfez o pedido de Nossa Senhora.

Em todo caso, deve ser óbvio que quando Deus manda a consagração pública de uma coisa particular, significa que esta coisa particular deve ser mencionada ao público. Uma consagração pública da Rússia que nem sequer menciona a Rússia não é, portanto, uma consagração pública, mas um mero desejo privado e não pronunciado. Tanto vale afirmar que o Papa poderia consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria apenas pensando para si --"Consagro a Rússia."--passeando pelos jardins do Vaticano! A noção é ridícula.

 

Porém, é precisamente esta noção ridícula que agora está adotada por a “nova” Irmã Lúcia, que contradiz hoje tudo o que disse nas sete últimas décadas sobre os pedidos específicos da Consagração da Rússia:

Evaristo:

Mas Nossa Senhora não quere que a Rússia seja mencionada específicamente?

"Irmã Lúcia":

Nossa Senhora nunca pediu que a Rússia fosse nomeada específicamente(!). Nessa altura, eu nem sabia o que era a Rússia. Nós [os três videntes de Fátima] pensávamos que era uma mulher muito má. (!) Devemos acreditar agora, depois de todos estes anos, que quando Nossa Senhora veio a Fátima a pedir a Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, nem sequer lhe importava que a Rússia fosse mencionada? Parece plausível que a Rainha dos Céus esqueceria esclarecer aos videntes de Fátima que a Rússia é uma nação, e não uma "mulher muito má"?

Sabemos que isto não pode ser verdade baseando-nos simplesmente nas declarações da Irmã Lúcia ao Padre Fuentes, o Vice-postulador da causa de Jacinta e Francisco, a 26 de dezembro de 1957:

"Padre, a Santíssima Virgem está muito triste porque ninguém presta atenção à sua mensagem, nem os bons nem os maus. Os bons continuam no seu caminho, mas sem dar importância à sua mensagem. Diga-lhes, Padre, que muitas vezes a Santíssima Virgem disse aos meus primos, Francisco e Jacinta, tal como a mim mesmo, que vão desaparecer muitas nações da face da terra. Ela disse que a Rússia será o instrumento de castigo escolhido pelo Céu para punir o mundo inteiro se não conseguimos com antecedência obter a conversão de essa pobre nação " 17

Esta afirmação establece por si, para além de qual quer disputa, que os videntes entenderam desde o princípio que a própria essência da Mensagem de Fátima exige a conversão da nação da Rússia como sinal da Graça de Deus funcionando nos nossos tempos.

Além disso, no percurso de quatro autobiografias detalhadas sobre as aparições de Fátima, a Irmã Lúcia nunca indicou a mais mínima confusão sobre o significado da palavra "Rússia". Também não se consegue encontrar nada que a Irmã Lúcia escrevesse ou dissesse a qualquer pessoa antes da entrevista de 1992 de Evaristo que sugeriria que os videntes de Fátima não entenderam, desde o princípio, que a Rússia era uma nação escolhida por Deus para um ato especial de consagração que realizaria a conversão de essa nação e a paz no mundo.

Mas a nova “Irma Lúcia” afirma agora que os videntes de Fátima todos ignorvam o significado mais básico do que lhes disse Nossa Senhora, e que o próprio Céu não fez nada para clarificar-o. Isto é naturalmente, completemente imposivel. Portanto há alguma coisa sériosamente extraviada no convento em Coimbra.

Em todo caso, é absurdo que um ato tão importante como a Consegração de Rússia ao Imaculado Coração de Maria — um ato especificamente comandado por Nossa Senhor através de Sua Santa Mãe — agora se faça o assunto de um jogo mundial de adivinhas, em que os fieis se sujeitam a discutir sobre o significado da frase vaga "esses povos". É assim que a Igreja de Deus executa um mandato de Deus? Com uma equivocação? Com certeza se permite que preguntemos a nós próprios, e uns aos outros, por quê em nome dos Céus a Rússia não foi mencionada específicamente em 1984 para por fim a toda a dúvida sobre o assunto? Que impedimento podia ter havido à pronunciação de uma palavra--"Rússia"?

Não é sorpresa nenhuma que o próprio Evaristo admitiu que há "coisas contraditórias e ilógicas que parecem quase loucura" nestas "duas horas com a Irmã Lúcia"--duas horas que ele mesmo concedeu (por muito tarde que fosse) que foram "reconstruidas" da "memória" de duas testemunhas que nem sequer falam a língua da Irmã Lúcia!
 

Sobre a conversão da Rússia

Agora, se os católicos acreditam em alguma coisa, acreditam que a sua Igreja é a única arca da salvação e que (ignorância invencível à parte) a conversão à única e verdadeira religião é objetivamente necessária para a salvação das almas. Como nos avisou Nosso Senhor imediatamente antes de subir ao Céu:

"Quem acredita em mim e é batizado será salvo: mas quem não acredita será condenado”. [Marco 16:16]"

Quando Nossa Senhora veio a Fátima trouxe com Ela um aviso divino e uma promessa divina, a promessa sendo contingente da conversão à única e verdadeira religião:

"Viram o inferno, aonde vão as almas dos pobres pecadores. Para os salvar, Deus deseja establecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração se o que vos digo fôr feito, serão salvas muitas almas, e haverá paz No fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrará a Rússia a mim, e esta será convertida".

No contexto da Mensagem de Fátima, a conversão pode significar só uma coisa: aceitar a fé católica. A Igreja Católica definiu ex catedra, três vezes, como que fora da Igreja não há salvação:

Ex Cathedra: Existe só uma Igreja universal dos fieis, fora da qual ninguém se salva. (o Papa Inocente III, o Quarto Conselho Laterano, 1215)

Ex Cathedra: Declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário par a salvação de cada creatura humana ser sujeito do Pôntife Romano. (Papa Boniface VIII, o Bula Unam Sanctam, 1302)

Ex Cathedra: A Santíssima Igreja Católica Romana acredita, professa e prega firmemente que ninguém que existe fora da Igreja Católica, não só os paganos, mas também os judeus, herejes e cismáticos pode compartilhar na vida eterna; mas que entrarão no fogo eterno que foi preparado para o demónio e para os seus anjos, a não ser que antes da morte se juntem a Ela; e que tão importante é a unidade de este corpo eclesiástico que só os que permanecem dentro da sua unidade podem receber uma recompensa eterna por os seus jejuns, os seus atos de caridade, as suas outras obras de piedade cristã e os deveres de um soldado cristão. Ninguém, por muito grande que seja a sua obra de caridade, ninguém, mesmo se derramar o seu sangue em nome de Cristo, pode ser salvo, a menos que permaneça no abraço e na unidade da Igreja Católica. (Papa Eugene IV, o Bula Cantate Domino, 1441).

Dados estes pronunciamentos, quem disser que existe a salvação fora da Igreja Católica nega a fé católica. De uma maneira ou de outra, todas as almas no Céu entram como membros da Igreja Católica. 18

Por conseguinte, quando Nossa Senhora disse que a Rússia seria convertida, Ela só pode ter querido dizer uma conversão ao Catolicismo. Nada menos do que tornar-se católico poderia constituir uma verdadeira conversão, porque a religião católica é a religião establecida por Deus mesmo.

Deus não estableceu a Igreja Russa Ortodoxa, cujas doutrinas diferem muito significativamente da doutrina da religião que estableceu Deus. Por exemplo, a Igreja Russa Ortodoxa rejeita: a primazia papal; o ensino da Igreja Católica sobe o divórcio e o novo matrimónio; o ensino católico que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho juntos, e não apenas do Pai; a doutrina católica sobre o purgatório; e o dogma católico da Imaculada Concepção de Maria.

Neste último ponto de doutrina, Deus decretou que as almas devem ser salvas pela devoção ao Imaculado Coração de Maria. Evidentemente, essas almas devem primeiro acreditar no Imaculado Coração de Maria como objeto de fé -- é dizer, têm que ser católicos, visto que a doutrina da Imaculada Concepção de Maria é única na Igreja Católica, que é a única e verdadeira Igreja de Deus.

Além disso, se "por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará", como profetizou Nossa Senhora em Fátima, então Nossa Senhora tem que ser reconhecida por as nações do mundo por o que Ela é -- e primeiro que tudo pela Rússia. Portanto a conversão da Rússia só pode significar que a Rússia tornar-se-á uma nação católica, porque a religião russa ortodoxa não admite como doutrina que Maria foi concebida imaculadamente e que estava completamente livre de pecado durante a sua vida jovem.

Portanto, sem uma conversão da Rússia à fé católica, a Mensagem de Fátima está completamente sem sentido.

De fato, se a Ortodoxia Russa fosse aceite por Deus, por quê enviaria Ele a sua Mãe a Fátima em 1917 para falar da conversão da Rússia, quando já era Ortodoxa?

Mas que tem esta nova e estranha "Irmã Lúcia", que aparece nas páginas da “transcrição” fabricada de Evaristo, a dizer sobre o assunto importantíssimo da conversão da Rússia através da devoção ao Imaculado Coração? Desafia a credibilidade.

Evaristo:

A conversão da Rússia teve lugar?

"Irmã Lúcia":

Sim. As notícias falam por si mesmo.

Sim, as “notícias” falam por si mesmo; mas as notícias não nos dizem que a Rússia se está convertendo. Pelo contrário, as “notícias” dizem-nos que a Rússia acaba de decretar uma nova lei

que discrimina contra a Igreja Católica e a favor da ortoxia russa, do judaísmo, do budismo, e do ilamismo. Esta lei nova requere que as poucas paróquias católicas que existem na Rússia solicitem uma registração anual, como outras "fações estrangeiras"--registração que pode ser revocada à vontade por qualquer burocrata russo local em qualquer freguesia na Rússia. A mesma lei proíbe a Santa Igreja de "fazer prosélitos" entre não-católicos na Rússia. É dizer, a Rússia acaba de tornar ilegal que a Igreja Católica procure a conversão da Rússia! Porém, a nova "Irmã Lúcia" diz-nos que a Rússia se está "convertendo"!

Ha mais "notícias" que a "Irmã Lúcia" de Evaristo parece haver perdido: a educação sexual acaba de ser introduzida nas aulas da Rússia apesar de protestas de sicólogos não-católicos, enquanto a Polónia--o país natal do Papa -- aprovou a educação sexual nas aulas e “legalizou” o aborto desde a "consagração" da Rússia em 1984.

No entanto, pelo mundo fora foram mortos 600 milhões de crianças no ventre desde a "conversão da Rússia” em 1984. Que tipo de "conversão" resulta na morte de 600 milhões de crianças no ventre? Só uma conversão a Satanás. E é precisamente o que temos visto na Rússia e pelo mundo fora desde a "consagração” de 1984.

Faltam outros pontos importantes das "notícias" que se estão filtrando para dentro do convento que aloja a nova "Irmã Lúcia": as notícias que a eutanásia se está legalizando pelo mundo fora, e que fazer clones humanos se seguirá brevemente. As notícias que todas as nações do mundo se estão deslocando para uma "Nova Ordem Mundial" em que a contracepção, o aborto à vontade, o divórcio e as relações homosexuais estão vistos como "direitos", enquanto o ensino moral da Igreja está desafiado pelos políticos e zombado por a prensa. A nova "Irmã Lúcia" também parece ignorar as notícias que as guerras e as perseguições no mundo, sobretudo na Rússia e na China, têm aumentado desde 1984.

Tomando em conta o seguinte ponto na entrevista "conceptual" de Evaristo de 1982 com a "Irmã Lúcia", bem podemos querer saber se é "notícia" ou pura fantasia o que a "Irmã Lúcia" está a receber no convento em Coimbra:

Irmã Lúcia":

esse homem na Rússia, sem saber era um instrumento de Deus na conversão

Evaristo:

Que homem? Gorbachev?

"Irmã Lúcia:"

Sim, e quando ele visitou o Santo Padre em Roma, ajoelhou-se aos seus pés e pediu-lhe perdão por todos os crimes que tinha cometido na sua vida.

Há um pequeno problema com este pedacinho de "notícia". O Vaticano nega que tivesse acontecido. Comentando numa reportagem num noticiário espanhol sobre esta suposta afirmação da Irmã Lúcia, o porta-voz do Papa, Joaquin Navarro-Valls, declarou o seguinte:

"Gorbachev não pediu o perdão do Papa...Mikhail Gorbachev não se ajoelhou ante o Papa e não pediu perdão por os seus pecados, como supostamente afirmou a Irmã Lúcia Nem é verdade nem é plausível "19

Aquí o conceito "uma vez falso, sempre falso" parece aplicar-se. Se se pode demostrar que a nova "Irmã Lúcia" pronunciou uma coisa que "nem é verdade nem é plausível", com afirma o próprio Vaticano, então a entrevista inteira de Evaristo com esta nova "Irmã Lúcia" deve, em prudência, ser rejeitada. Mais ainda, vista a confessada técnica de Evaristo de presentar traduções "conceptuais" fabricadas como transcrições literais.

Em qualquer caso, a verdade do assunto é que depois do seu encontro com o Papa no Vaticano, durante o qual ele não se arrependeu de absolutamente nada, o Sr. Gorbachev voltou à sua presidência na Fundação Gorbachev global, que promove ativamente a redução da população do mundo por vários bilhões de pessoas através de um regime estrito de contracepção e aborto. De tais horrores está feita a "conversão da Rússia", segundo o que diz a nova "Irmã Lúcia".
 

O Novo Significado da Conversão

Como podemos ver, a nova "Irmã Lúcia" tem uma ideia completamente nova do que realmente significa a “conversão”. Vai com a sua ideia completamente nova do que significa realmente a “consagração da Rússia”. Aqui está o que a “Irmã Lúcia” tem a dizer sobre o novo significado da conversão:

Evaristo:

Mas a conversão da Rússia não se interpreta como a conversão do povo russo ao catolicismo?

"Irmã Lúcia":

Nossa Senhora nunca disse isso. Ha muitas más interpretações por aí. O fato é que a Rússia, o poder comunista e ateu, impedia o povo de realizar a sua fé. As pessoas agora têm a opção individual de permanecer como estão ou de converter. Agora são livres de o fazer, e de fato têm lugar muitas conversões

Nossa Senhora nunca disse isso? Aqui a nova "Irmã Lúcia" espeta um punhal no coração da fé. Diz-nos que Nossa Senhora não veio à terra em Fátima para procurar almas para a Igreja de que Ela é Mãe, mas para "a opção individual de permanecer como estão ou de converter"!

Então, o milagre a ser produzido por a consagração da Rússia e o triunfo do Imaculado Coração de Maria não é a salvação de milhões de almas através do acolhimento do dom precioso da fé católica, mas apenas uma "opção individual"! Nenhum católico sério poderia acreditar este parlatório pluralístico atribuido à Irmã Lúcia, que realmente viu a Mãe de Deus seis vezes em Fátima, e que ficou tão terrorizada de ver as almas ardendo no inferno por causa da sua "opção individual".

Não consideou a nova "Irmã Lúcia" que muito antes da "consagração" de 1984 todo o mundo ocidental tinha uma "opção individual"? A "opção individual" de matar bebés no útero; a "opção individual" de usar contracepção; a "opção individual" de divorciar; a "opção individual" de favorecer a pornografia ou as relações homosexuais; e até a "opção individual" de tornar-se católico, se por acaso alguém se encontra entre os poucos assim dispostos numa civilização cada vez mais amoral. Significa isto que o oeste tinha "convertido" antes da Rússia, segundo a nova definição do mundo da "Irmã Lúcia"? O triunfo do Imaculado Coração de Maria não significa nada mais, a final, do que a expansão da democracia pluralística a outro país?

Não podemos deixar de notar que até este "milagro" mundial de "opção individual" ainda não ocurreu na Rússia. Pelo contrário, como temos visto, a Rússia acaba de decretar uma lei proibindo a Igreja Católica de procurar conversos entre o povo russo e limitando a liberdade da Igreja de existir em "essa pobre nação". Portanto a Rússia nem sequer é uma democracia liberal, muito menos um país católico hoje. Contudo, a nova "Irmã Lúcia" agora diz-nos que a Rússia se está convertendo.

E onde estão essas "muitas conversões" que a nova "Irmã Lúcia" diz que têm lugar por toda a Rússia? Como o fictício arrependimento de Gorbachev de joelhos ante o Papa, são pura fantasia. Em toda a Rússia hoje há só 300.000 católicos. Os católicos na Rússia estão excedidos em número por os muçulmanos dez por um. De fato, ha de longe mais conversos ao islame que ao catolicismo. Pior ainda, havia pelo menos entre 300.000 e 500.000 católicos na Rússia na altura da Revolução Russia--significativamente mais do que hoje -- e hoje há menos paróquias católicas em Rússia do que havia 1917! Portanto, a Igreja tem perdido a luta na Rússia desde que começou a "converter" em 1984. 20

Pior ainda, desde a "consagração da Rússia" de 1984, o proselitismo por os católicos não só foi proibido por a lei de Rússia, mas por o próprio Vaticano: em 1993 em Balamande, no Líbano, os oficiais do Vaticano negociaram uma declaração a meias com a Igreja Ortodoxa Russa. A Declaração de Balamande declara que na Rússia "não há questão da conversão das pessoas de uma igreja para a outra para assegurar a sua salvação"; que a volta da Igreja Ortodoxa Russa à Igreja Católica é uma "eclesiologia sobrepasada", e que a Igreja Católica excluirá "para o futuro toda a proselitização e o desejo dos católicos de expansão à custa da Igreja Ortodoxa."21 Em Fátima, Nossa Senhora falou da conversão da Rússia; mas em Balamande, os oficiais do Vaticano concordaram que a conversão da Rússia já não era necessária. Porem, a nova "Irmã Lúcia" diz-nos agora que a Rússia se tem estado “convertendo” nos últimos catorze anos!

Compare esta situação abismal com o verdadeiro milagro que ocurreu em México depois da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe em 1531: Uns sete milhões de mexicanos -- virtualmente a nação inteira -- se converteu à fé católica dentro de nove anos. E em Portugal as aparições de Nossa Senhora fizeram um milagre semelhante, causando a queda do governo masónico-socialista e o re-establecer do reino de Cristo o Rei na nação menos de nove anos depois do Milagre do Sol na Cova da Iria.

Mas esses eram os dias quando a conversão significava a conversão. Hoje, na mente da nova "Irmã Lúcia", na mente do mundo muitas palavras perderam o seu significado--até as palavras do Céu em Fátima. Na Igreja hoje vemos que o veneno do modernismo, condenado por o Papa Pío X por ser "a síntese de todas as heresias", tem penetrado o pensar de muitos, até os prelados. E agora corrompe o testemunho uma vez puro da Irmã Lúcia de Fátima. De modo verdadeiramente modernista, esta nova "Irmã Lúcia" usa todas as palavras tradicionais--consagração, conversão, paz--mas investe-as com novos significados falsos que contradizem completamente o seu verdadeiro significado.

Na nova "Irmã Lúcia" de Evaristo, vemos também um exemplo perfeito da confusão modernista entre a fé e a política na Igreja pos-conciliar, onde a diplomacia do Vaticano e Ostpolitik aparentam ter precedência sobre a propagação da fé católica para salvar as almas do inferno, um sítio que já nem sequer se menciona. Esta confusão entre a fé e a política, entre a ordem sobrenatural e a natural é o que leva a nova "Irmã Lúcia" dos livretes de Carlos Evaristo a declarar que a concessão de uma mera aparência de "opção individual" por um governo todavia sem Deus é um milagre sobrenatural de "conversão".

Que tipo de "Irmã Lúcia" é aquela que podia olhar para os desenvolvimentos terriveis da Rússia e do mundo desde 1984 e vê-los na realização das promessas de Nossa Senhora de Fátima? É uma Irmã Lúcia que nunca conhecemos; uma Irmã Lúcia modernista cujas palavras novas e estranhas fazem um escárnio de tudo o que ela disse antes. É uma Fátima nova para a Nova Igreja que os modernistas dizem foi creada no Segundo Concílio do Vaticano.

Nem há conversão nem triunfo nesta nova Mensagem de Fátima; há só uma acomodação miserável para o juizo mundial de um mundo que morre. "As pessoas agora têm a opção individual de permanecer como estão ou de converter". A conversão da Rússia sem conversão à fé católica. Que insulto para Nossa Senhora de Fátima. E que insulto infinito para Dios, que a enviou.
 

Sobre o Terceiro Segredo de Fátima

Quando a Irmã Lúcia colocou o Terceiro Segredo de Fátima num envelope selado em 1944 e o enviou ao Bispo de Leiria-Fátima, fê-lo prometer que seria definitivamente aberto e lido ao mundo ou na sua morte ou em 1960, o que ocurresse primeiro. Assim testificou o Cânone Galamba, o amigo pessoal do primeiro Bispo de Fátima, Bispo da Silva, cujo testemunho se mantém nos arquivos do Padre Alonso, o arquivista oficial de Fátima apontado por o Superior Eclesiástico da Diocese de Leiria-Fátima.

A 7 de setembro de 1946, o Cardeal Cerejeira, o Patriarca de Portugal, confirmou pùblicamente num congresso mariano que o Terceiro Segredo de Fátima foi escrito e colocado num envelope selado e "será aberto em 1960". Em conversa com a Irmã Lúcia em outubro de 1946, o Cânone Barthas preguntou-lhe "Quando nos será revelado o terceiro segredo?", e ela replicou: "Em 1960". Quando o Cânone Barthas lhe preguntou porquê 1960 e porque não mais cedo, ela replicou: "Porque a Santa Virgem assim deseja". A Irmã Lúcia disse também ao Cardeal Ottaviani que 1960 era o ano escolhido por Nossa Senhora porque nessa altura o segredo "será mais claro".

Em 1960 todo o mundo católico esperou a divulgação do Terceiro Segredo. Até havia um programa de televisão americano titulado "Zero 1960", cujo tema era a esperada divulgação do segredo. Mas, como sabemos, não estava destinado. Em fevereiro de 1960 o Vaticano, que tinha recebido o texto do segredo em 1957, anunciou através de uma agência de publicidade portuguesa que o segredo havia sido suprimido por o Papa João XXIII e provávelmente "permaceria para sempre baixo sêlo absoluto".

À medida que o debacle posterior ao concílio se desenvolveu durante os 35 anos que se seguiram, um número crescente de católicos convenceu-se de que o Terceiro Segredo devia de predizer o que aconteceria depois do Concílio, sendo essa a razão pela qual a Irmã Lúcia disse que seria "mais claro" em 1960. Em 1960 o Segundo Concílio do Vaticano havia sido anunciado.

Como é triste ver que em 1992, no convento em Coimbra, a "Irmã Lúcia" do livrete de Carlos Evaristo também viraria as costas a este aspeto, também, da Mensagem de Fátima.

Evaristo:

Mas não disse Nossa Senhora que ele [O Terceiro Segredo] era para ser revelado ao público o mais tardar em 1960?

"Irmã Lúcia":

Nossa Senhora nunca disse isso. Nossa Senhora disse que era para o Papa.

Para o Papa? Então que é feito das afirmações da Irmã Lúcia ao Cânone Galamba, ao Cânone Barthas, ao Patriarca de Portugal e ao Cardeal Ottaviani, tudo para o efeito de que o Terceiro Segredo de Fátima, como os dois primeiros segredos, era para o mundo inteiro? Que é feito do envelope em que a própria Irmã Lúcia tinha colocado o segredo, e que foi fotografado para a revista Life [3-1-49]; o envelope em que o Bispo da Silva escreveu: "Este envelope e o seu conteúdo será incumbido a Sua Eminência o Cardeal Manuel (Cerejeira), Patriarca de Lisboa, após a minha morte"-- o mesmo Cardeal que confirmou pùblicamente que o Segredo seria aberto e lido ao mundo em 1960! Que é feito da recusa do Vaticano em 1944 de aceitar a entrega do texto do Segredo supostamente dirigido ao Papa? Que é feito da afirmação do Cardeal Cerejeira em 1960, quando o Papa João XXIII finalmente suprimiu o segredo contrário a todas as espetativas: "Declaro categóricamente que não fui consultado". E, por fim, que é feito da notícia do Vaticano de 1960 que anuncia a supressão do segredo, mas não dá como razão que o segredo estava “destinado ao Papa”?

Por todos estes acontecimentos, e quatro décadas mais tarde, a Irmã Lúcia nunca tinha sequer sugerido que o Terceiro Segredo estava destinado só ao Papa. Não, estava destinado a nós, e todo o mundo católico o sabia. De fato, antes do Exército Azul se tornar o instrumento de revisão de Fátima, (com a nova " Irmã Lúcia"), o seu líder, John Haffert, expressou a desilusão dos católicos por todo o mundo sobre a supressão inesperada do segredo:

"1960 chegou e partiu e o Papa 'a quem o segredo tinha sido confiado' não o fez público o silêncio de Roma pesava sobre todos nós. As pessoas começaram a murmurar que Fátima tinha sido uma falsificação, que não havia segredo nenhum, que o segredo de 1960 'era um engano' [em 1964], o efeito do longo silêncio a respeito do segredo de 1960 parecia ainda assomar-se sobre nós como uma mortalha". 22

No convento em Coimbra em 1992 a "Irmã Lúcia" apresentada ao mundo por Carlos Evaristo escreveu completamente de novo a Mensagem de Fátima. Já vimos que até Evaristo se viu forçado a conceder privadamente que esta nova "Irmã Lúcia" tinha pronunciado "coisas contraditórias e ilógicas que por vezes quase parecem loucura", e que a sua memória era má, e que toda a "entrevista" era uma "reconstrução baseada na memória de outros que nem sequer falavam português".

Mas em 1993 Evaristo diria ao mundo, na sua grande seqüela, que as coisas ilógicas e loucas que tinha "reconstruido" no ano anterior eram a verdade mais pura.

A Segunda "Entrevista"

Menos do Mesmo

Como deve esclarecer a nossa discussão da "entrevista” de 1992, a sua publicação provou ser uma humilhação severa para Evaristo. Conseqüentemente a sua segunda tentativa em 1993 de corroborar a capitulação da última vidente de Fátima.

Mas aqui não temos mais do mesmo, mas menos do mesmo. A"entrevista" de 1993 só tem a metade da duração da "entrevista" de 1992--uma hora. Além disso, a "entrevista" de 1993 omite conspìcuamente qualquer discussão da afirmação da "Irmã Lúcia" em 1992 que o Terceiro Segredo de Fátima estava destinado ao Papa, não para os fieis conjuntamente.

A "entrevista" de 1993 contém em sustância uma repetição das afirmações alegadas da "Irmã Lúcia" de 1992 que a Rússia foi consagrada em 1984 de acordo com os desejos de Nossa Senhora, e que a Rússia se está “convertendo”. Nesta ocasião, porém, Evaristo recurre transparentemente a preguntas que induzem a "Irmã Lúcia" a dar as respostas que reforçariam a "entrevista" incrível de 1992.

Evaristo:

Então é verdade que a consagração foi feita, sim? Verdade?

"Irmã Lúcia"

Sim, é verdade está feita

Evaristo:

E a Rússia começou a converter-se, não?

"Irmã Lúcia":

Sim, começou a converter-se...a palavra...conversão. Não devemos dar ouvidos a aqueles que dizem otra coisa...A palavra conversão...converter indica uma mudança. Uma conversão é uma mudança.

Evaristo:

Sim.

"Irmã Lúcia":

Uma mudança do mal...Não indica que todo o mal desaparecerá, mas uma conversão do mal ao bem...

Mais sobre o novo significado de "Conversão"

Como podemos ver na cita acima, no segundo livrete a "Irmã Lúcia" continua a insistir que a conversão da Rússia não exige a conversão à fé católica. Ela agora contenta-se com uma "conversão do mal ao bem".

Então, a Rússia, uma terra de aborto à vontade e de discriminação malévola contra a Santa Igreja Católica, agora é boa? E que passa no resto do mundo, em que 600 milhões de bebés foram mortos pelo aborto desde a “consagração da Rússia” de 1984--está o resto do mundo agora experimentando esta "conversão do mal ao bem" também? Ou o mundo inteiro era bom, dado o novo significado de "conversão” dado pela nova "Irmã Lúcia"?

A Rússia "começou a converter-se"? “Começou” a poupar as vidas das suas crianças não nascidas? O mundo "começou" a fazer parar o holocausto do aborto? O mundo está melhor ou peor do que estava antes de começar a "conversão" da Rússia em 1984? Evidentemente, sabemos as respostas a estas preguntas, mesmo se a nova versão modernista da Imã Lúcia não as sabe.

A nova "Irmã Lúcia" diz-nos que a conversão "não indica que todo o mal desaparecerá". A conversão não requere pelo menos que uma nação deixe de matar as suas crianças no ventre? A "Irmã Lúcia" esqueceu que em 1917, nem sequer a Rússia permitia o aborto? Devemos agora acreditar que a Rússia está “convertendo” quando é culpável de um assassínio diário de inocentes que nem sequer os Bolchevistas permitiam ao princípio?

A "Irmã Lúcia", a vidente santificada de Fátima, pode realmente não estar ciente de que se perderam mais vidas inocentes com o aborto desde a "consagração de Rússia" de 1984 que se perderam em todas as guerras na história do mundo, incluso todas as guerras nascidas do comunismo, que foi apenas um dos erros da Rússia? Quando a "Irmã Lúcia" nos diz que nem todo o Mal depois da conversão da Rússia, quer ela dizer que "uma conversão do mal ao bem" pode co-existir com o aborto legalizado?

Só podemos estar insultados que a "Irmã Lúcia" apresentada por o Sr. Evaristo utilize a palavra "conversão" para uma situação em que as autoridades civis das nações pelo mundo fora, incluso a Rússia "convertida", decretaram que as crianças no ventre não são seres humanos e podem ser exterminadas à vontade. Só podemos sentir-nos repugnados por esta poluição da pureza da Mensagem de Fátima.

Mas o modelo de 1993 da nova "Irmã Lúcia" tem ainda mais a dizer sobre esta nova noção da conversão que ela introduziu primeiro em 1992:

"Irmã Lúcia":

"O Santo Padre consagrará a Rússia a Mim e ela convertirá" e uma conversão é uma mudança de um mau caminho a um bom... "e haverá uma época de paz".

Portanto a Rússia agora está a caminho da bondade? E o ocidente também? Que é exatamente o que vimos neste caminho da bondade que a nova "Irmã Lúcia" discerne nos acontecimentos mundiais desde 1984? Vemos, antes de tudo, a União Europeia emergendo com o seu aborto universal à ordem, a contracepção, a eutanásia “legalizada”, o divórcio, a pornografia, a prostituição, “direitos para homosexuais”, e igrejas católicas vazias. Se este é o "caminho do mal ao bem", que será, Deus nos livre, o caminho do bem ao mal? A Sagrada Escritura adverte solenemente "Mal de vós que chamais ao mal bem, e ao bem mal " [Isaias 5:20] Contudo, é precisamente o que a "Irmã Lúcia" fez no livretesinho do Sr. Evaristo.

Devemos concluir, por conseguinte, que não é possível que seja a mesma Irmã Lúcia que conhecemos e em quem acreditamos que diz estas coisas abominais. A Irmã Lúcia que viu a Mãe de Deus em Fátima e a visão do inferno que Nossa Senhora lhe permitiu ver, nunca usaria em nenhum sentido as palavras "conversão" ou "bem" para descrever o mal sem precedente que existe na Rússia e no resto do mundo hoje.
 

O Novo Significado de Paz

Em Fátima, a 13 de julho de 1917, Nossa Senhora prometeu absolutamente:

“Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagra-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

E que é feito do "periodo de paz" que Nossa Senhora prometeu como fruto da conversão da Rússia? E se tivemos um "periodo de paz" desde 1984, como se explica a guerra incessante sobre os não-nascidos, que exigiu 600 milhões de vítimas inocentes desde então, ou a erupção constante de conflitos locais e regionais à volta do globo durante os últimos 14 anos?

O governo nacionalista hindu da India administrou três provas nucleares subterrâneas, e as pessoas de Nova Deli dançaram nas ruas gritando louvores ao deus hindu da guerra. O Paquistão, país islâmico, acaba de administrar (nos fins de maio) as suas próprias provas nucleares num concurso de armas com a Índia.

Isto é a paz? Mas também aqui a "Irmã Lúcia" encontra novos significados para palavras antigas e bem entendidas:

"Irmã Lúcia":

Mas esta paz a que a Virgem se refere na profecia refere-se a guerras e perseguições que os erros do comunismo ateu causavam por o mundo fora

Evaristo:

Isto é importante esclarecer já que é por isto que muitas pessoas não compreendem e pensam que a paz no mundo é para ser instantânea

"Irmã Lúcia":

A Virgem falou de uma paz de guerras promovidas por erros pelos erros do comunismo ateu no mundo inteiro ateísmo, sim e portanto é a maior heresia que existe e vem do comunismo ateu podia ter sido um comunismo que não era ateu Mas refere-se a um comunismo ateu que estava produzindo muitas guerras no mundo inteiro.

Evaristo:

Porque não há paz na Rússia hoje? Porquê?

"Irmã Lúcia":

Porque as guerras que existem agora já não são praticamente derivadas do ateísmo mas são guerras civis.

Então, a nova "Irmã Lúcia" diz-nos que a paz do Reino de Maria depois da conversão da Rússia e do Triunfo do Imaculado Coração significa só que já não haverá guerras ateias, mas que todas as outras guerras continuarão sem diminuir!

Um Ateísmo Novo e Amigável

Mas o ateísmo não continua a existir no mundo de hoje? Não há guerras que continuam a ser fomentadas por ateus por o mundo fora? A nova "Irmã Lúcia" tem uma resposta para esta pregunta também: Estão a ver, o ateísmo de hoje é um ateísmo mais simpático, mais dócil que não procura destruir a Santa Igreja Católica! Leia por si mesmo:

"Irmã Lúcia":

o ateísmo ainda existe mas penso que já não é o ateísmo que queria destruir a fé, a Igreja, Deus, e tudo o que é sobrenatural.

Então, a fé já não está ameaçada pelo ateísmo!

Aquí, a nova "Irmã Lúcia" rejeita uma grande parte do Novo Testamento! São Paulo diz nos Hebreus [11:6], "Aquele que vem a Deus deve acreditar que Deus existe e que Ele gratifica aqueles que o procuram". Portanto, os ateus irão para o inferno precisamente por o seu ateísmo. Não disse Nosso Senhor que aqueles que não estão com ele estão contra ele? 23 Por conseguinte, o ateísmo cria enemigos de Cristo. Não ensinou São Paulo que o ateu está condenado a ser enemigo de Deus porque cerrou a mente e o coração à existência de Deus na natureza (Romanos 1:18-21) que até um homem sem fé pode ver? Não é o ateísmo o mesmo credo que o demónio promove? Então, que podem os ateus ser senão uma ameaça à Igreja, dado que são, por defenição, seus enemigos por o mero fato de que são enemigos de Jesus Cristo e seguidores da doutrina de Satanás?

Vendo que os ateus são enemigos de Jesus Cristo, líder da Igreja Católica, e compreendendo que os ateus seguem o comando de Satão, como é possível que alguém, mesmo a nova "Irmã Lúcia", afirme que os ateus modernos não são uma ameaça para a Igreja?

E se isto é verdade, que o ateísmo mais simpático já não procura destruir a Igreja e o sobrenatural porque é que o mundo de hoje está imergido na morte e na destruição do corpo e do espírito em sociedades materialísticas e sem Deus, que matam bebés no ventre das mães aos milhões? A nova "Irmã Lúcia" não tem resposta porque à nova "Irmã Lúcia" não se fazem tais preguntas tão inoportunas. O seu entrevistador, o Senhor Evaristo, está evidentemente interessado em preservar a credibilidade da sua nova "Irmã Lúcia", que lhe causou tanto sarilho quando a apresentou ao mundo no seu livrete de 1992.

Este novo tipo de ateísmo descrito por a nova "Irmã Lúcia" deve ser visto como síntoma do processo geral de apostasia dentro e fora da Igreja no periodo depois do concílio. A destruição da liturgia romana, o derrubamento das nossas tradições eclesiásticas mais estimadas, a perda de vocações, catequismos desprezíveis, o declínio da oração na vida de indivíduos e de comunides, tudo se tem unido para corroer a integridade e o poder da Fé.

Não nos avisou Nosso Senhor no Evangelho que "sois o sal da terra, mas se o sal perde o sabor, para que vale? Não serve para nada exceto para ser atirado fora e pisado baixo os pés" (Matias 5:13). Esta nova Mensagem de Fátima não tem sal e não serve para nada. Só um católico que perdeu a fé tradicional a poderia aceitar. E para milhões de católicos jovens hoje, a nova Mensagem de Fátima será aceite só porque nunca foram nutridos por a fé dos tempos. Estes milhões de católicos são vítimas da "nova" Igreja depois do Vaticano II, com a sua nova Mensagem de Fátima -- uma Igreja que parece estar decidida a enterrar o seu próprio passado.

Vista esta nova e triste "mensagem" de Fátima, não devemos rogar a Roma com ainda mais urgência que revele o suprimido Terceiro Segredo de Fátima? O Cardeal Ratzinger disse-nos em novembro de 1984 que o Terceiro Segredo se refere aos "perigos que ameaçam a fé e a vida do cristão e portanto (ameaçam) a vida do mundo". 24

Porque se os cristãos já não salgam a terra com uma fé fervente, quem vai deter a ira de Deus? Quem vai salvar os cristãos que perderam o seu sal de ser pisados baixo os pés, como avisou Nosso Senhor?

Muitos acreditam que a revelação do Terceiro Segredo nos livraria da apostasia presente, que evidentemente inclui a versão insossa da Mensagem de Fátima apresentada pelo Sr. Evaristo.

Mais Uma Fantasia

Ao fim da entrevista de 1993, a nova "Irmã Lúcia" ofereceu ainda outra observação sobre os acontecimentos mundiais que faz lembrar a rejeição do Vaticano da sua história fantástica sobre o arrependimento de Gorbachev de joelhos ante o Papa.

"Irmã Lúcia":

Mas quando [em 1984] estávamos no princípio de uma guerra nuclear e de repente (sic), estes projetos de guerra que tinham as nações De um momento para o outro, quando o Santo Padre fez a consagração, esses projetos de guerra Tudo mudou! E (sic) estes projetos de guerra mudaram para projetos de paz! Eram projetos para terminar tudo que agora mudaram para projetos para liberar!

Evaristo

Então, chegou a época de paz, agora que a Consaração da Rússia foi realizada e o comunismo caiu?

"Irmã Lúcia":

A consagração da Rússia impediu uma guerra atómica que teria ocurrido em 1985

É bastante estranho que depois que a "Irmã Lúcia" ofereceu a observação que teria ocurrido uma guerra nuclear em 1985 se não fosse a "consagração" de 1984, não se fez uma única pregunta sobre esta afirmação extraordinária. Evaristo não estava curioso sobre como a "Irmã Lúcia" tinha adquirido esta informação espantosa de uma guerra nuclear por pouco evitada? Contudo, Evaristo não queria saber nada sobre isso durante a "entrevista" de 1993. Isto é bastante curioso. Tal vez Evaristo percebesse que, como a conversão e o arrependimento de Gorbachev, esta "revelação" não suportaria muita examinação e seria melhor deixá-la por examinar.

De qualquer modo, podemos investigar as nossas memórias em vão para encontrar qualquer notícia em 1985 sobre a iminência de guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia. E ninguém com o mais pequeno conhecimento de acontecimentos mundiais acredita que a Rússia deixou de produzir armas de alta destruição e concentrou a sua energia em "projetos para liberar"!

E a que “projetos de liberação”, exatamente, se refere a nova "Irmã Lúcia"? Não sabe ela que a Rússia, com o Israel, agora é a fornecedora principal de armas para a China comunista, 25 onde a Igreja Católica foi forçada para o subterrâneo e os bispos e os padres são presos pelo "crime de ser católicos e de estar em liga com a Santa Sé? A nova "Irmã Lúcia" não sabe que a Rússia ainda possui suficientes armas nucleares para destruir a terra várias vezes, e que os mísseis Russos, aos milhares, permanecem, ativos nos seus silos?

De fato, um programa noticiário americano de televisão revelou que em janeiro de 1995 a Rússia esteve a dois minutos de lançar armas nucleares contra os Estados Unidos 26 em resposta a um aviso falso nos seus radares de aviso adiantado. O Senador americano Sam Nunn afirmou pùblicamente que as armas nucleares da Rússia estão baixo gatilho muito sensível, e que o perigo de guerra nuclear através de erro humano ou de juizo errôneo é maior do que jamais foi durante a "Guerra Fria". 26

Nenhum de estes fatos sobre o estado do mundo parecem ter penetrado o convento em Coimbra, onde a nova "Irmã Lúcia" nos fala, através do Sr. Evaristo, sobre um mundo em paz, a caminho da conversão e da bondade. Mas sabemos que o mundo descrito por a nova "Irmã Lúcia" não é o mundo em que vivemos. É um mundo de fantasia, onde a apostasia é a conversão, o mal é o bem e a guerra é a paz.

A Nova Mensagem de Fátima

Seria bom sumariar, em conclusão, a nova Mensagem de Fátima que procede dos novos significados dados às suas palavras principais pela nova "Irmã Lúcia", que nos fala desde as páginas dos livretes do Sr. Evaristo:

A consagração da Rússia não significa que a Rússia precisa de ser mencionada.

 A conversão da Rússia não significa que a Rússia necessita aceitar a fé católica, ou de fato qualquer fé religiosa. Significa apenas que a Rússia permitirá uma "opção individual", tal como as sociedades sem Deus e pluralísticas do oeste. A conversão da Rússia também não significa que a Rússia deixe de matar bebés nos ventres das mães ou que dê verdadeira liberdade à Igreja Católica.

A paz que Nossa Senhora prometeu em Fátima se a Rússia fosse convertida significa apenas a cessação das guerras causadas pelo ateísmo, mas todas as outras guerras continuarão sem diminuir. O ateísmo de hoje não é o enemigo da Santa Igreja Católica.

O leitor cuidadoso notará que o que promete esta nova Mensagem de Fátima modernista não é nada mais do que um mundo exatamente nas condições em que o vemos hoje -- um mundo de sociedades pluralísticas, sem Deus, que assassinam os bebés aos milhões, se recusam a reconhecer Cristo o Rei ou a Sua Rainha Mãe, e rejeitam a autoridade do ensino da Santa Igreja Católica.

Sim, por alguma coincidência incrível, a nova Mensagem de Fátima nos livretes de Evaristo também harmoniza perfeitamente com o status quo da Nova Ordem Mundial emergente.

Por outra coincidência incrível, a nova Mensagem de Fátima também serve perfeitamente a Ostpolitik e a "fraternidade ecumenical" promovida com liberdade por alguns dos burocratas do Vaticano que já não falam de coisas como o inferno, a conversão, e o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Esclarece-se um pouco esta coincidência conveniente quando tomamos em conta que o Sr. Evaristo se tem gabado do seu tratamento simpático por o Cardeal Casaroli, arquiteto principal da nova política do Vaticano par lidar com o comunismo e com as falsas religiões no mundo.

Em Fátima, podia ver-se o Sr. Evaristo num gesto de amizade com o seu amigo altamente colocado no Vaticano. Tal vez isto explique como é que um leigo desconhecido, um estranho para a Irmã Lúcia, conseguiu acesso sem precedente à última vidente sobrevivente de Fátia, enquanto meros bispos e arcebispos católicos estão proibidos de falar com ela sem a autorização do Cardeal Ratzinger ou do Papa.

Portanto, nesta nova Mensagem de Fátima, o Triunfo do Imaculado Coração e o Reino de Maria tornam-se nada mais do que uma democracia universal pluralística em uma "civilização de amor" não-católica que o próprio Vaticano promove. Tudo está bem.

Mas tudo não está bem. O mundo torna-se mais rebelde e os sinais do apocalipse mais evidentes, hora por hora. Algo horrívelmente errôneo se pasa no mundo. E algo horrívelmente errôneo se passa no convento em Coimbra.

Foi a Irmã Lúcia de Jesus, a última vidente sobrevivente de Fátima, quem falou com Carlos Evaristo a 11 de outubro de 1993? Não importa. Porque mesmo se a voz era de ela, as palavras não eram. Seguramente não são as palavras do Céu confiadas à jovem santa na Cova da Iria há mais de 80 anos; a pequena jovem a quem foram mostrados os fogos do inferno e o grande castigo que se aproxima ràpidamente.

Esta nova Mensagem de Fátima simplesmente não pode ser aceite em boa consciência por qualquer pessoa que se agarre à fé católica tradicional, ou por o que a Irmã Lúcia disse repetidamente durante mais de 75 anos antes dos seus encontros alegados com o Sr. Evaristo. Vemos nesta nova Mensagem de Fátima toda a confusão e a auto-contradição da arce-heresia do modernismo, que diz uma coisa mas bem pretende outra. Vemos, de fato, precisamente o que o próprio Sr. Evaristo concedeu que estava presente nas afirmações da nova "Irmã Lúcia": " coisas contraditórias e sem lógica que por vezes quase parecem loucura". 27

Em Fátima Nosa Senhora avisou que “Se não atenderam a Meus pedidos várias nações serão aniquiladas.” Num mundo que parece estar concentrado precisamente em aniquilar-se a si mesmo, que se aproxima cada vez mais do castigo divino que tanto merece, tanto a fé como a prudência prescrevem que rejeitemos o que o Sr. Evaristo nos apresentou como as palavras da "Irmã Lúcia" de Fátima.

E assim, embora adoremos a Irmã Lúcia e rezemos por o seu bem-estar, com dor nos nossos corações devemos declarar a verdade dura e fria: Seriamos tontos de acreditar esta nova mensagem de Fátima.

Notas

  1. Duas horas com a Irmã Lúcia, 1ª ed., 1/1/93 de Carlos Evaristo, p8.
  2. Carta do Padre Francisco Pacheco, OCCC Postal, 60.033-790-Fort-CE-Brasil, publicada na revista The Fátima Cruzader, edição n 46, p15; janeiro de 1994.
  3. Fax enviado por Carlos Evaristo a Coralie Graham, 23 de novembro de 1992, p. 2, parágrafo (i).
  4. Id., par. (g)
  5. Id., par. (i)
  6. A Contra-Reformação no Século XX, outubro de 1996, n 289, p. 6.
  7. Tudo Começou Com Duas Horas Com a Irmã Lúcia, p. 4.
  8. Id., p. 8-9
  9. Escrito pelo Padre Pierre Caillon e publicado em Fidelite Catholique, abril de 1983. B.P. 217-56402, Auray, Cedex, França.
  10. Tragédia e Triunfo, Frère François de Marie des Anges, p. 218. Ver também f.n. n 273 na p. 233.
  11. L'osservatore Romano, edição italiana, 12 de maio de 1982.
  12. Fátima: Tragédia e Triunfo, Frère François Marie des Anges, Immaculate Heart Publications, Ed., 1994, p. 218-219.
  13. Fidelite Catholique, abril de 1983 [artigo do Fr. Pierre Caillon do Centre Saint Jean 61500 Sees, (Orne), França], B.P. 217-56402, Auray, Cedex, França, re-imprimido no Fátima Cruzader, edição 13-14, outubro a dezembro de 1983, p.3.
  14. Tudo Começou Com Duas Horas Com a Irmã Lúcia, p. 59.
  15. L'Osservatore Romano, 26-27 de março de 1884, p. 1 & 6.
  16. L'Avvenire, 26 de março de 1984.
  17. A Verdade Inteira Sobre Fátima, Vol. III, O Terceiro Segredo, edição inglesa de Frère Michel de la Sainte Trinité, 1990, Immaculate Heart Publications, USA, p. 504-505.
  18. Os ensinos da Igreja sobre a ignorância invencível, o batismo do desejo e o batismo de sangue estão para além do alcance de este artigo. Contudo, deve manter-se que todos aqueles que entram no Céu atingem de algum modo um desejo consciente e explícito de pertencer à Igreja Católica e de someter-se à sua autoridade, mesmo se isto ocurre só no momento da morte. Negar isto é fazer da doutrina que "não há salvação fora da Igreja" uma fórmula vazia -- a mesma coisa que o Papa Pío XII condenou no seu encíclico Humani Generis. Manter, como fazem os modernistas, que o Céu está povoado de "cristãos anónimos" que desconheciam a verdade até depois da sua morte é fazer pouco da graça de Deus e negar a necessidade da fé explícita para a salvação.
  19. Contre-Reformation Catholique, março de 1998; uma negação semelhante foi reportada também em Catholic World News Service a 2 de março de 1998.
  20. "The Catholic Church in Russia", The Catholic Faith, março/abril de 1998, p. 2.
  21. Concílio Pontifical de Serviço de Informação para a Unidade Cristã, N 83, 1993 (II), p. 95-99.
  22. The Whole Truth About Fatima, Vol. III, The Third Secret, de Frère Michel de la Sainte Trinité, edição inglesa, Immaculate Heart Publications, 1990, p. 600.
  23. "Quem não está comigo está contra mim" [Mat. 12:30]
  24. " I pericoli che incombono sulla fede e la vita del cristiano e dunque del mono." Revista Jesus, 11 de novembro de 1984, publicado por a sociedade de São Paulo, Milão, Itália. P. 79.
  25. Globe & Mail de Toronto, 29 de abril de 1998, p A14, notícia de prensa: Uma reportagem do Congresso dos EUA; dos 5,3 bilhões de dólares (EUA) em vendas de armas públicas à China entre 1990 e 1996, a Rússia assumiu aproximadamente 72 por cento, ou 3,8 bilhões de dólares em vendas, e o Médio-oriente (principalmente Israel) foi responsável por 17 por cento (900 milhões de dólares) das vendas militares à China.
  26. "Zero Warning", programa de notícias Sixty Minutes, transmitido a 8 de fevereiro de 1998.
  27. Fax enviado a Coralie Graham, 23 de novembro de 1992.

© Christopher A. Ferrara